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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

«PORTUGAL NO TEMPO»


Este país europeu da costa ocidental da Península Ibérica, cujo território é habitado desde pelo menos há 1,2 milhões de anos, muito provavelmente por populações oriundas de África…

A ligação com o exterior seria uma constante,como o testemunham a passagem sucessiva pela Península de vários povos – fenícios, gregos, cartagineses, celtas… - alguns dos quais aqui fundaram colónias.

Os romanos foram, contudo, os primeiros a criar uma organização política, administrativa e militar sólida, a partir do século III a. C., ainda que enfrentando rebeliões das populações autóctoes em várias regiões peninsulares, como, por exemplo, na Lusitânia.

A queda do império romano no século V abriu a porta para uma vaga de invasões dos denominados povos bárbaros, dos quais dois se estabeleceriam na Península: os suevos e os visigodos. Os últimos acabariam por dominar os primeiros no final do século VI, mas seriam, por sua vez, suplantados no dealbar do século VIII por novos invasores muçulmanos vindos, na sua maioria, do Norte de África.

Alguns focos de rsistência ao ocupante ismaelita mantiveram-se e evoluiram, recuperando território e tornando-se com o tempo em entidades políticas autónomas. Uma delas foi o Condado Portucalense, situado entre os rios Douro e Minho, ao qual há referências a partir do século IX, inserido no espaço mais vasto do reino de Leão. Uma tentativa de cariz independentista por volta de 1070 iria gorar-se, mas já no século XII o filho da condessa D. Teresa, Afonso Henriques, protagonizaria uma revolta contra a ingerência no Condado da vizinha nobreza galega. Afonso viria a proclamar-se rei de Portugal subsequentemente, vendo o papa reconhecer o facto ainda em sua vida (bula de 1179).

Os seus sucessores preocuparam-se em dilatar a herança recebida, avançando para sul à custa dos reinos mouros locais e,  algumas vezes, para leste em compita com os outros reinos cristãos.

Paralelamente, e desde cedo, a monarquia portuguesa tentou afirmar um carácter centralista, o que lhe provocou conflitos frequentes com a aristocracia ciosa das suas prerrogativas.

Em meados do século XIII, o país adquiriria praticamente as suas fronteiras actuais no continente europeu e procurou consolidar a sua manutenção através da organização do estado, de medidas de carácter legal, da criação de estudos superiores ou de povoamento do território.

Já no século XX, em Maio de 1926, um golpe militar da direita (mas com a passividade simpatizante das esquerdas) instalou uma ditadura. Os elementos mais reccionários participantes no derrube da República rapidamente se assenhorearam do poder.

Em 1932 foram buscar um professor universitário, António de Oliveira Salazar, e entregaram-lhe as rédeas da administração. Salazar pôs em prática um regime antidemocrático, conservador, rural e autoritário, que estrangulou as oposições, fazendo uso de repressão sistemática e do cerceamento de liberdades.

Durante a Segunda Guerra Mundial seguiu uma política de neutralidade, não obstante sentir-se mais próximo dos regimes na Alemanha e na Itália.

O clima de guerra fria dos anos 50 permitiu-lhe manter-se no poder com a conivência das potências ocidentais que viam Portugal como um bastião do anticomunismo.

Em 1974, o governo do seu sucessor, Marcelo Caetano não tinha apoios de ninguém, com excepção das franjas mais ultramontanas da situação. Salazar conseguira durante décadas a fio habilmente gerir consensos entre vários interesses divergentes dos grupos políticos e sociais que eram a base de sustentação.

Actualmente, temos um género de Marcelo Caetano no poder em Portugal, que nem consegue reunir «consenso no seio do seu próprio partido, e que, tal como Salazar dedica todo o seu tempo a dedicar aos cidadãos sempre mais austeridade e opressão. Não é em vão que a leitura preferida do actual primeiro-ministro versa sobre o «salazarismo».

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