Para avolumar as massas monetárias virtuais, que circulam
em fluxos e jactos contínuos, em mundos onde se desloca à velocidade da luz,
via fibra óptica, os escravos modernos são utilizados e, depois, lançados fora,
explorados, humilhados e ofendidos e, seguidamente, despedidos segundo as
necessidades do mercado.
Esses meteoros que escapam a todos os controlos
policiais, governamentais ou políticos, evoluem segundo a ordem económica respeitosa
das suas próprias leis.
Apátridas ou cosmopolitas, de certa forma platónicas,
hipostases à sua maneira, elas enveredam por caminhos que provêm de um registo
invisível, tal como as dialécticas ascendentes ou descendentes tanto ao gosto
dos devotos da caverna.
Sem fronteiras, visas democráticos ou interdições éticas, as massas dos capitais flutuantes agem segundo o mesmo princípio que os exércitos de uma superpotência que dominaria o planeta.
Fluídos e plásticos, invisíveis e todo-poderosos, esses
fluxos monetários distribuem à sua passagem a miséria ou a riqueza: fortuna
aqui, ruína acolá, acumulação num local, dispersão no outro, acumulação de
tesouros para um, delapidação para aquele que não tenha sido atingido pela asa
e pela graça destas deslocações de energias.
Mas, em cada ocasião, para os que nada possuíam a colocar nesses movimentos lúcidos e, portanto, nada tinham a ganhar, há sempre algo a perder; tempo, energia, forças, liberdade – as suas vidas.
Que vantagem há na pirâmide ou na catedral para os
operários da construção, para os trabalhadores e outros vendedores da pena e do
labor? Que benefícios na gigantesca retenção de água e na conquista espacial,
na secagem dos rios, na inundação dos vales e no primeiro passo na Lua, para o
soviético e para o americano chamados a outro local, quotidianamente, para
prostituir o seu ser, o seu corpo, em troca de um salário derisório?
Quais as alegrias para o operário, o proletário, o
assalariado, nos uivos da forja, nas histerias de máquinas e fábricas e outros
templos onde se praticam sacrifícios a Prometeu ou hefaístos?
Que ganhos há para o “mendigo”, o desempregado, o
assalariado precário, o operário, o empregado, nessas barras numeradas em
moedas fortes e formuladas de maneira cibernética na memória dos computadores?
Ora, o actual governo fez uma entrada de leão. Porque
não, então, ter uma saída de sendeiro?

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