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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Arménio Carlos diz que para muitos portugueses a corda "há muito que se partiu"



Arménio Carlos diz que a corda, para muitos portugueses, há muito que se partiu, em reacção às palavras de Passos Coelho. Milhares de pessoas acompanharam esta tarde a manifestação da CGTP no centro de Lisboa.


Perante vários milhares de pessoas presentes na Praça do Município,  em Lisboa, Arménio Carlos aproveitou para fazer um balanço do tempo de governação  do Executivo de Passos Coelho, dizendo que este "é um Governo que se ajoelha  perante a troika e inferniza a vida aos portugueses". 
"É caso para daqui dizer ao primeiro-ministro que está na hora de prestar  um serviço relevante ao país. Está na hora de se ir embora", exigiu Arménio  Carlos. 
Acusou o executivo de Passos Coelho de "intrujice", de recorrer à "manipulação"  e de estar a preparar um "assalto às funções sociais do Estado", com o objetivo  de transformar num negócio aqueles que são os "direitos elementares de milhões  de cidadãos", como a segurança social, a educação ou a saúde. 
"As funções sociais do Estado são uma questão que diz respeito a todos.  Cabe aos trabalhadores, aos pensionistas, a todos os democratas, à população  em geral, travar esta tentativa de ajuste de contas com abril", apelou.
Por outro lado, pediu que o Governo tenha a coragem de cortar com a  "despesa inútil e parasitária", sugerindo um corte nos "8.000 mil milhões  de juros pagos aos usuários que fazem negócio com a dívida soberana", um  corte "nos milhões desperdiçados nas negociatas das Parcerias Público Privadas",  um corte "nos chorudos benefícios fiscais aos grandes grupos económicos"  ou aos "gestores que auferem salários multimilionários". 
Depois acusou o Governo de ainda esta semana ter feito um "negócio  ruinoso" ao vender os últimos 4% do capital público da EDP, o que resultou  "num prejuízo de 659 milhões de euros para o erário público, que engrossaram  os lucros dos acionistas". 
"Nós estamos aqui para dizer que o Governo tem de responder perante  o país, perante o povo português por este crime financeiro que teve lugar  esta semana, que teve lugar à vista desarmada, perante o povo, e que não  pode passar sem o respetivo castigo", exigiu Arménio Carlos. 
Criticou o atual Executivo por querer entregar "depressa e mal e ao  preço da chuva" empresas estratégicas como os CTT, a RTP, a Lusa, a Águas  de Portugal ou os Estaleiros de Viana do Castelo, "quando o que se impõe  é que integrem o setor empresarial do Estado". 
Arménio Carlos disse que para o primeiro-ministro "a corda já partiu  há muito" e que, por isso, "é altura de partir". 
Perante os milhares de manifestantes, o líder da CGTP defendeu que  a solução para o país está na dinamização da produção nacional, da procura  interna e no aumento dos salários e garantiu que a CGTP tem propostas e  alternativas, que poderiam dar uma margem de 14 mil milhões de euros. 
No final, em declarações aos jornalistas, Arménio Carlos disse que  esta, como as outras ações de luta que estão previstas, tem quatro objetivos:  acabar com a política da 'troika', "pôr termo à política de direita", mudar  de Governo e dar oportunidade ao povo português para que se pronuncie e  decida aquilo que quer para o futuro do país. 
Arménio Carlos disse ainda que a manifestação de hoje foi "um dia excecional  de luta, com muitas dezenas de milhares de pessoas na rua", o que para o  secretário-geral da CGTP mostrou que os portugueses estão empenhados em  não baixar os braços e continuar a lutar. 
SIC/Notícias /Com Lusa

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