Arménio
Carlos diz que a corda, para muitos portugueses, há muito que se partiu, em
reacção às palavras de Passos Coelho. Milhares de pessoas acompanharam esta
tarde a manifestação da CGTP no centro de Lisboa.
Perante vários milhares de pessoas presentes na Praça do
Município, em Lisboa, Arménio Carlos aproveitou para fazer um balanço do
tempo de governação do Executivo de Passos Coelho, dizendo que este
"é um Governo que se ajoelha perante a troika e inferniza a vida aos
portugueses".
"É caso para daqui dizer ao
primeiro-ministro que está na hora de prestar um serviço relevante ao
país. Está na hora de se ir embora", exigiu Arménio Carlos.
Acusou o executivo de Passos
Coelho de "intrujice", de recorrer à "manipulação" e
de estar a preparar um "assalto às funções sociais do Estado", com o
objetivo de transformar num negócio aqueles que são os "direitos
elementares de milhões de cidadãos", como a segurança social, a
educação ou a saúde.
"As funções sociais do
Estado são uma questão que diz respeito a todos. Cabe aos trabalhadores,
aos pensionistas, a todos os democratas, à população em geral, travar
esta tentativa de ajuste de contas com abril", apelou.
Por outro lado, pediu que o
Governo tenha a coragem de cortar com a "despesa inútil e parasitária",
sugerindo um corte nos "8.000 mil milhões de juros pagos aos
usuários que fazem negócio com a dívida soberana", um corte
"nos milhões desperdiçados nas negociatas das Parcerias Público
Privadas", um corte "nos chorudos benefícios fiscais aos grandes
grupos económicos" ou aos "gestores que auferem salários
multimilionários".
Depois acusou o Governo de ainda
esta semana ter feito um "negócio ruinoso" ao vender os últimos
4% do capital público da EDP, o que resultou "num prejuízo de 659
milhões de euros para o erário público, que engrossaram os lucros dos
acionistas".
"Nós estamos aqui para dizer
que o Governo tem de responder perante o país, perante o povo português
por este crime financeiro que teve lugar esta semana, que teve lugar à
vista desarmada, perante o povo, e que não pode passar sem o respetivo
castigo", exigiu Arménio Carlos.
Criticou o atual Executivo por
querer entregar "depressa e mal e ao preço da chuva" empresas
estratégicas como os CTT, a RTP, a Lusa, a Águas de Portugal ou os
Estaleiros de Viana do Castelo, "quando o que se impõe é que
integrem o setor empresarial do Estado".
Arménio Carlos disse que para o
primeiro-ministro "a corda já partiu há muito" e que, por isso,
"é altura de partir".
Perante os milhares de manifestantes,
o líder da CGTP defendeu que a solução para o país está na dinamização da
produção nacional, da procura interna e no aumento dos salários e
garantiu que a CGTP tem propostas e alternativas, que poderiam dar uma
margem de 14 mil milhões de euros.
No final, em declarações aos
jornalistas, Arménio Carlos disse que esta, como as outras ações de luta
que estão previstas, tem quatro objetivos: acabar com a política da
'troika', "pôr termo à política de direita", mudar de Governo e
dar oportunidade ao povo português para que se pronuncie e decida aquilo
que quer para o futuro do país.
Arménio Carlos disse ainda que a
manifestação de hoje foi "um dia excecional de luta, com muitas
dezenas de milhares de pessoas na rua", o que para o secretário-geral
da CGTP mostrou que os portugueses estão empenhados em não baixar os
braços e continuar a lutar.
SIC/Notícias /Com Lusa

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