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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Aguiar-Branco anuncia cortes de 218 milhões nas Forças Armadas


O Governo pretende reduzir custos a partir de 2014, mas o ministro da Defesa Nacional deixa em aberto a possibilidade de serem feitos cortes até 40 milhões já este ano. As associações de militares acusam o executivo de "total autismo".

O ministro da Defesa Nacional afirmou hoje que a reestruturação das Forças Armadas pretende reduzir os custos em 218 milhões de euros a partir de 2014, podendo ainda ser cortados mais 40 milhões este ano "se necessário".
"A partir de 2014, o objetivo é esse [cortar 218 milhões de euros], sendo que, se houver necessidade de haver ainda alguma expressão [dos cortes] em 2013, ela não é superior a 40 milhões de euros. Se houver necessidade, estamos preparados para podermos ter cortes dessa dimensão", disse hoje José Pedro Aguiar-Branco, em declarações à TVI.
O governante explicitou ainda que o executivo tem de "indicar propostas a desenvolver no âmbito estrutural para o valor de 4000 milhões de euros [relativos aos cortes na despesa pública] de uma forma global", o que "no âmbito da defesa" deverá apontar para "montantes de 218 milhões de euros".

Redução de efetivos feita de "forma exequível"

Interrogado sobre o corte de 8000 efetivos nas Forças Armadas, passando dos atuais 38000 para os 30000, Aguiar-Branco disse que "esta situação é fruto de um trabalho que [está a ser desenvolvido] com as chefias e é baseado em estudos feitos por entidades tão credíveis como o IDF [Instituto de Defesa Nacional] e também com o histórico dos últimos 20 anos das Forças Armadas".
Aguiar-Branco garantiu que a reforma vai ser feita "de forma serena e de forma exequível do ponto de vista operacional".
A 5 de fevereiro, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) disse, à Lusa e à Antena 1, que gostava de não ter de fazer mais cortes na instituição militar, advertindo que "há uma linha a partir da qual as Forças Armadas deixam de funcionar".
Na altura, o general Luís Araújo destacou que o orçamento de funcionamento das Forças Armadas baixou 23% desde 2009 e que "não há dinheiro a mais" na instituição militar.
Questionado hoje sobre estas preocupações, o ministro da Defesa Nacional defendeu que é preciso que as Forças Armadas portuguesas tenham "uma capacidade conjunta mais forte".
Por isso, defendeu, é necessária "uma maior racionalização de meios e uma maior capacidade de partilha", o que vai ser feito através de "entradas e saídas [de pessoal] entre 2014 e 2020".
José Pedro Aguiar-Branco referiu também que "o conceito estratégico" desta reestruturação dos militares deverá ficar "previsivelmente concluído" em março.

"Falar em números é fácil", diz Lima Coelho



As duas associações de militares acusaram hoje o Governo de ter um "total autismo" na reestruturação das Forças Armadas, lamentando não terem sido ouvidas ao longo do processo pelo ministro da Defesa, tal como a lei prevê.
Lima Coelho, presidente da Associação Nacional de Sargentos, diz que Aguiar-Branco "pode dizer os números que quiser", mas "seria interessante explicar o racional desses números, porque falar em números é fácil, sobretudo, quando não se envolve na discussão aqueles sobre quem as matérias se vão aplicar".

Pereira Cracel pôe em causa legitimidade das medidas


Também o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA), coronel Pereira Cracel, disse estar "preocupado", uma vez que as medidas em causa "são graves" e "mais ainda quando acontecem numa altura em que as Forças Armadas já estão no limite".
Para Pereira Cracel, esta é uma situação "preocupante" e a AOFA "tudo fará para que [a reforma] não seja levada a cabo ou, no mínimo, que sejam minimizados os efeitos negativos".
O presidente da AOFA pôs em causa a legitimidade das "medidas projetadas" pelo ministro da Defesa, uma vez que "aquilo que o ministro vai fazendo fá-lo sem audição das organizações militares, audição a que ele está obrigado por lei".

Expresso

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