As esquerdas nacionais deverão, pelo menos por uma vez
na vida e pós 25 de Abril, saber unir-se.
Contrariamente ao que possam dizer alguns comentadores
mal intencionados, a família da esquerda não deve ser um campo de batalha com o
qual a direita sempre sonhou e que, desesperadamente tenta organizar,
pretendendo quebrar a união do povo de esquerda.
É provável que o lamentável espectáculo observado este
mesmo ano, antes das eleições antecipadas, e a derrota da esquerda tenha
servido de lição.
É evidente que ainda existe um partido socialista com
muitos marqueses, os barões pertencem á direita, e que, dum e do outro lado se
canta demasiado, ou demasiado pouco frente aos micros.
Mas, dum modo geral, desde o militante de base aos
costumeiros candidatos, todos devem mostrar-se à altura das esperanças que
palpitam no país.
Todavia, começa a escassear o tempo antes que o povo
seja mergulhado em profunda miséria social, rivalizando já com os tempos em que
vigorava o Estado Novo no país, sabendo-se que, segundo se diz, nos dizem, o
mais difícil está para vir.
Pois! Será necessário que toda a esquerda aguardada
por uma maioria dos portugueses – consiga convencer os que, sempre numerosos,
possam duvidar dela.
Convencer, é claro, da sua capacidade para enfrentar a
«crise» (organizada) económica e social, cujos efeitos (recessão e desemprego)
vão persistir ainda por muito tempo.
Convencer da sua vontade para reduzir o abismo das
finanças públicas, cavado pela política fiscal e o clientelismo aberrante da
direita.
Convencer ainda da sua vontade e firmeza em assegurar
a segurança de todos, convencer enfim da sua determinação em voltar a dar,
imediatamente às escolas e aos hospitais e outros serviços de saúde, como aos
medicamentos, os meios duma ambição hoje «encornada».
E, portanto, tudo isto não será suficiente, pois a
esquerda não poder ser apenas uma máquina para fazer outra coisa, melhor, que a
direita.
Democracia, liberdade, fraternidade, justiça… Pela
esquerda, dar a estas palavras um pouco do que fazia outrora a sua virtude, o
que seria já voltar a dar aos portugueses o desejo da política.

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