Os dois líderes do BE garantem que "não há
um a coordenar e outro a fazer de jarra" e dizem que desde que foram
eleitos, há três meses, têm procurado "equilibrar agendas" e
"responder às principais questões políticas".
"É um partido que tem um
coordenador e uma coordenadora, é tão simples quanto isso, eu acho que o
desconforto inicial ou a estranheza inicial na realidade agora já não é
assunto, o que mostra que o modelo é facilmente aceite com o tempo",
afirma.
A deputada bloquista admite que
houve diversas resistências a este novo modelo de liderança do partido, mas
considera que isso deve ser encarado com naturalidade e prefere centrar
atenções "nos tempos complicados" que o País atravessa e a que os
bloquistas "têm sabido responder".
"Acho que do ponto de vista
da nossa relação [com João Semedo] e do BE tem corrido bem, facilmente se ultrapassou
a ideia, a liderança a dois deixou de ser estranha muito rapidamente, também
houve bastante sentido de humor em torno disso, o que é bom, porque é sempre a
melhor forma de ultrapassar todas as estranhezas, fica depois parte do
património cultural colectivo", diz Catarina Martins, entre risos.
Também João Semedo considera que
estes primeiros três meses mostram que os críticos não tinham razão:
"Para
aqueles que pensavam que uma liderança a dois, uma dupla coordenação, era mais
uma fantasia ou um fetiche do BE, acho que se veio a revelar com o tempo que
esta coordenação é efectivamente a dois e que não há um a coordenar e outro a
fazer de jarra".
O coordenador bloquista salienta
que "fazem coisas diferentes" na liderança do partido, dividindo
pastas no Parlamento (Semedo em áreas como a saúde, Martins na cultura ou
ciência) e articulando as iniciativas pelo País.
Para a coordenadora do BE, que
entrou na Assembleia da República em 2009, "não é assim tão
complicado" articular-se com outro líder.
Catarina Martins diz que ambos
têm "a boa rotina e o bom hábito de conversar sobre todos os temas que
exigem uma resposta mais complicada, nem que seja cinco minutos".
Uma dessas conversas aconteceu antes de ser conhecida a proposta
de criar uma corrente única no BE, subscrita por João Semedo e que está em
discussão no partido, com críticas de alguns sectores.
"As correntes não têm a ver
com a direcção do BE, mas sim, conversámos um com o outro [sobre o
assunto]", adianta Catarina Martins, sem dizer mais.
A líder bloquista diz que é
importante equilibrar as agendas, até porque "as pessoas conhecem melhor o
João e há mais [tempo]", mas salienta que "o tempo também trará os
seus equilíbrios".
"Essas coisas devem ser
tratadas com naturalidade e não com muitas tentativas de artificializar
equilíbrios porque os equilíbrios têm de ser aqueles que o tempo dá e que a
atividade política dá, esses é que têm sentido", observa.
Já Semedo defende que a
participação de ambos nos media "está bastante equilibrada".
"A Catarina Martins tem
programas de comentário regulares, eu também, acho que são equivalentes, até
esse problema está a ser resolvido, com uma boa colaboração e boa compreensão
da comunicação social", acrescenta.
Já no Parlamento, a balança tem
pendido para o lado de João Semedo: Em cinco debates quinzenais confrontou-se
com o primeiro-ministro quatro vezes, enquanto Catarina Martins apenas uma.
N. M.

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