Número total de visualizações de páginas

sábado, 16 de fevereiro de 2013

"Não há um a coordenar e outro a fazer de jarra", diz João Semedo


Os dois líderes do BE garantem que "não há um a coordenar e outro a fazer de jarra" e dizem que desde que foram eleitos, há três meses, têm procurado "equilibrar agendas" e "responder às principais questões políticas".
 Numa declaração à agência Lusa a propósito dos seus primeiros cem dias de liderança partilhada com João Semedo à frente do Bloco de Esquerda (BE), que se completam na segunda-feira, Catarina Martins diz preferir utilizar a designação "coordenação paritária" em vez de liderança ou coordenação bicéfala.

"É um partido que tem um coordenador e uma coordenadora, é tão simples quanto isso, eu acho que o desconforto inicial ou a estranheza inicial na realidade agora já não é assunto, o que mostra que o modelo é facilmente aceite com o tempo", afirma.

A deputada bloquista admite que houve diversas resistências a este novo modelo de liderança do partido, mas considera que isso deve ser encarado com naturalidade e prefere centrar atenções "nos tempos complicados" que o País atravessa e a que os bloquistas "têm sabido responder".

"Acho que do ponto de vista da nossa relação [com João Semedo] e do BE tem corrido bem, facilmente se ultrapassou a ideia, a liderança a dois deixou de ser estranha muito rapidamente, também houve bastante sentido de humor em torno disso, o que é bom, porque é sempre a melhor forma de ultrapassar todas as estranhezas, fica depois parte do património cultural colectivo", diz Catarina Martins, entre risos.

Também João Semedo considera que estes primeiros três meses mostram que os críticos não tinham razão: 

"Para aqueles que pensavam que uma liderança a dois, uma dupla coordenação, era mais uma fantasia ou um fetiche do BE, acho que se veio a revelar com o tempo que esta coordenação é efectivamente a dois e que não há um a coordenar e outro a fazer de jarra".

O coordenador bloquista salienta que "fazem coisas diferentes" na liderança do partido, dividindo pastas no Parlamento (Semedo em áreas como a saúde, Martins na cultura ou ciência) e articulando as iniciativas pelo País.

Para a coordenadora do BE, que entrou na Assembleia da República em 2009, "não é assim tão complicado" articular-se com outro líder.

Catarina Martins diz que ambos têm "a boa rotina e o bom hábito de conversar sobre todos os temas que exigem uma resposta mais complicada, nem que seja cinco minutos".

Uma dessas conversas aconteceu antes de ser conhecida a proposta de criar uma corrente única no BE, subscrita por João Semedo e que está em discussão no partido, com críticas de alguns sectores.

"As correntes não têm a ver com a direcção do BE, mas sim, conversámos um com o outro [sobre o assunto]", adianta Catarina Martins, sem dizer mais.
A líder bloquista diz que é importante equilibrar as agendas, até porque "as pessoas conhecem melhor o João e há mais [tempo]", mas salienta que "o tempo também trará os seus equilíbrios".

"Essas coisas devem ser tratadas com naturalidade e não com muitas tentativas de artificializar equilíbrios porque os equilíbrios têm de ser aqueles que o tempo dá e que a atividade política dá, esses é que têm sentido", observa.

Já Semedo defende que a participação de ambos nos media "está bastante equilibrada".

"A Catarina Martins tem programas de comentário regulares, eu também, acho que são equivalentes, até esse problema está a ser resolvido, com uma boa colaboração e boa compreensão da comunicação social", acrescenta.

Já no Parlamento, a balança tem pendido para o lado de João Semedo: Em cinco debates quinzenais confrontou-se com o primeiro-ministro quatro vezes, enquanto Catarina Martins apenas uma.

N. M.

Sem comentários:

Enviar um comentário