O líder do PSD
afirmou esta noite que o Governo vai apresentar um guião sobre o que terá de
ser feito no futuro para a reforma do Estado.
Pedro Passos Coelho abriu no Porto as segundas jornadas de
reflexão política do partido - intitulada 'Consolidação, Crescimento e Coesão'
- com uma demorada ademoestação relativa aos últimos anos de governação do PS,
para concluir que o modelo económico induzido pelo agora maior partido da
oposição está "totalmente errado para Portugal". Nesse emaranhado
que, na sua opinião, fez o país perder uma década, está o facto de "os
portugueses terem sido induzidos a comprar casa própria" - o que agora se
revela causa, por um lado, de um grave problema de endividamento familiar e,
por outro, de uma enorme falta de mobilidade na procura de novas oportunidades.
Admitiu - também
por essa causa - que "o desemprego atingiu níveis acima daquilo que o
Governo [de que é primeiro-ministro] e a 'troika' tinha previsto".
Afirmando que a despesa do Estado está, neste momento, "dominada" -
no que tem a ver com a despesa primária - Passos Coelho elencou algumas das
reformas que têm vindo a ser implementadas pelo seu Governo. A Justiça foi um
dos focos da sua intervenção.
Mas a plateia
estava reunida para ouvir de Passos Coelho como será - num futuro que ainda não
está completamente definido - que o Governo vai poupar quatro mil milhões de
euros à despesa do Estado.
Nessa matéria, começou
por admitir que a recuperação da economia vai ser mais lenta que o que estava
previsto. "O Governo está a preparar o futuro pós-'troika', a um ano de
distância. É esse o nosso horizonte". "Se o processo de ajustamento
não tivesse sido tão rápido, provavelmente não estaríamos" a discutir esta
matéria. Mas como é assim, disse, há que avançar para essa obrigação - que,
recordou ainda, o PS não está interessado em discutir.
"Novidade
seria se o PS estivesse interessado em discutir soluções de poupança para o
futuro. Que não seja por isso: o Governo assume essa responsabilidade".
Assumindo que o
momento é de grande dificuldade, Passos Coelho afirmou que não quer, com as
novas medidas a implementar, "partir o frágil equilíbrio" social que
se instalou no país.
"Como é que
conseguimos construir políticas mais justas e ao mesmo tempo
sustentáveis?" e que serão o futuro do primeiro dia pós-'troika'. "É
o momento de passar à acção". E, nesse quadro, o próximo quadro
comunitário de apoio será fundamental, disse Passos Coelho. "A grande
maioria dos fundos terá que estar vocacionada para as empresas", disse -
matéria que, aliás, já tinha sido referida pelo primeiro-ministro - que assim
pretende ver o país 'reindustrializado'.
Quanto às medidas
propriamente ditas que o Governo vai introduzir para poupar quatro mil milhões
na despesa, Pedro Passos Coelho nada disse. Afirmou apenas que o Governo vai
apresentar um guião sobre o que terá de ser feito no futuro para a reforma do
Estado.
=Económico=

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