Em 1212, grupos de jovens em França e na Alemanha,
juntaram-se para irem em peregrinação até à Terra Santa, sendo seu objectivo nada menos do que libertar Jerusalém dos muçulmanos.
Poucos, se alguns, da desorganizada turba de jovens
camponeses,, que partiram para a Terra Santa em 1212, terão conseguido lá
chegar. Contudo, a ideia de um levantamento dos pobres, inspirada por uma
devoção religiosa para capturar Jerusalém, atraíra a imaginação contemporânea.
Um cronista descreveu o que se tornou conhecido como a
«Cruzada das Crianças» como “um caso milagroso… nunca se ouviu falar de nada semelhante neste mundo.”
A PUREZA DOS POBRES
O contexto destes acontecimentos pode ser encontrado na
história recente das cruzadas e na devoção popular da época.
Em 1187, Saladino tinha conquistado Jerusalém e, apesar
dos esforços de Ricardo, Coração de Leão, a terceira cruzada tinha efectuado
poucos progressos na recuperação da Terra Santa.
Em 1204, a quarta cruzada saqueou a cidade cristã de
Constantinopla em vez de combater os muçulmanos.
Pensava-se que a causa destes fracassos fosse a riwueza e
a vaidade dos príncipes que tinham liderado as expedições.
Por oposição, os pobres, especialmente as crianças, eram
vistas como puras. O apoio ao conceito das cruzadas continuava forte: em 1212,
o papado pregou contra os muçulmanos em Espanha e contra os heréticos cátaros
do Sul de França. Esta combinação do entusiasmo das cruzadas com a ideia de que
os pobres eram o povo escolhido de Deus, fornceu a inspiração para a “cruzada
das crianças”.
De modo algum pretendendo ofender os jovens portugueses
de hoje, que após conseguirem uma licenciatura, um curso técnico-profissional
ou qualquer outra habilitação profissional, se vêm relegados para a marginalização,
para o desemprego, para a fome e a miséria, devido às péssimas políticas sociais
(???) pelo actual governo praticadas, limitando-se a obedecer aos ditames dos
capitalistas e de estrangeiros que só vêm a Portugal para colocar em prática,
sob proposta do governo português por Pedro liderado, novas e mais profundas
medidas de austeridade.
Porque se calarão os jovens? Porque não se manifestam,
porque recusam pensar no seu futuro, deixando para os mais velhos, “essa coisa
das manifestações públicas”, negando-se a si mesmos o dever supremo de velarem
pelo futuro, que lhes pertence, preferindo manter-se em silêncio, aceitando
tudo quanto se decida em Portugal, numa espécie de «Insulto» a todos os que
durante anos combateram a ditadura do Estado Novo.
Estou convencido, e sem qualquer receio de errar, que
somos nós os culpados, devido à extrema protecção que proporcionamos aos
filhos, que se mostram apenas interessados em poder conduzir o “seu” carrito,
em ter uma ou mais “amigas” com quem dar umas voltas, dinheiro no bolso e
felicitar-se a si próprios de possuirem uma licenciatura, sem pensarem nos
esforços feitos pelos pais para que tal pudesse acontecer.
Vendo como tudo se passa actualmente no país e no mundo,
os jovens de outros tempos, alheios aos perigos expressos nas perseguições
policiais da Pide e de outras corporações, para além de se reunirem
secretamente e nunca no mesmo local, teriam já feito aquilo que nós também
fizemos e que ainda fazemos, apesar de estarmos já velhos para podermos pensar
em certas veleidades que a idade não perdoa a ninguém.
De modo algum me coloco contra a juventude, que sabe
afirmar não se rever em nenhum dos actuais partidos políticos (???), sem
fazerem seja o que for para tentarem modificar o satus quo imposto por
desgovernantes insolentes, que de modo algum merecem a consideração da
cidadania nacional.
Até quando irá durar a apatia da juventude que, apesar de
ver os mais velhos desfilarem pelas ruas do país em protesto contra semelhantes
políticas austeras, as únicas postas em prática, preferem optar pelo silêncio e
pela quietude?

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