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domingo, 14 de abril de 2013

Troika volta a Lisboa já 'por dentro' dos planos para cobrir chumbo

A troika regressa amanhã a Portugal já a conhecer linhas gerais do Governo para compensar as normas chumbadas pelo Tribunal Constitucional e após ter sido alargado em sete anos o prazo para o país pagar os empréstimos concedidos.
Elementos do Banco Central Europeu (BCE), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Comissão Europeia estarão em Lisboa a partir de segunda-feira para verificar as condições de execução orçamental e validar as medidas substitutivas que permitirão assegurar a execução orçamental de 2013.

Esta visita intercalar da troika acontece na sequência do chumbo do Tribunal Constitucional (TC), no dia 05 deste mês, a quatro normas do Orçamento do Estado, que provocou um ‘buraco’ nas contas de 1.326 milhões de euros líquidos.

A visita decorre antes da entrega da sétima tranche da ajuda a Portugal, no valor de dois mil milhões de euros, correspondente à sétima avaliação, que teve início no dia 25 de Fevereiro e depois da uma pequena remodelação no executivo de Passos Coelho.
A notícia da nova visita da troika surgiu na sexta-feira, no mesmo dia em que os ministros das Finanças da zona euro apoiaram, numa reunião em Dublin, o alargamento em sete anos do prazo para Portugal e a Irlanda pagarem os empréstimos concedidos ao abrigo dos programas de ajustamento financeiro.

Na conferência de imprensa em que foi anunciado este alargamento, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, disse esperar que o Governo português chegue a acordo com a troika sobre novas medidas que compensem aquelas chumbadas pelo Tribunal Constitucional “nas próximas semanas”, de modo a “fechar” a sétima avaliação.

Apesar de só chegarem na segunda-feira, os elementos da troika já conhecem as intenções do primeiro-ministro português, que foram expressas numa carta, na qual Pedro Passos Coelho apresentou como possibilidades a criação de uma tabela salarial única e a convergência da lei laboral e dos sistemas de pensões público e privado.

"As opções podem incluir a aplicação de uma tabela salarial única, a convergência da legislação laboral e dos sistemas de pensões do sector público e privado", escreveu Passos Coelho, numa carta enviada na quinta-feira ao FMI, à Comissão Europeia e ao BCE, a que a agência Lusa teve acesso.

O primeiro-ministro referia-se às medidas a antecipar de 2014 para este ano com o objectivo de reduzir a despesa pública em "cerca de 600 milhões de euros", que na sua comunicação ao país, há uma semana, indicou que serão centradas nas áreas da segurança social, saúde, educação e empresas públicas.

Nesta carta, Passos Coelho considerou que "o acórdão do Tribunal Constitucional põe grande ênfase na equidade" e apontou esse princípio como "o pilar" da reforma que o executivo PSD/CDS pretende realizar, nomeadamente "melhoria da equidade entre os trabalhadores do sector público, privado e pensionistas, equidade e eficiência económicas e equidade intergeracional".

Além de cortar na despesa pública, o primeiro-ministro deu conta de que o Governo tenciona alterar uma das normas do Orçamento do Estado 2013 declaradas inconstitucionais, que determina uma contribuição de 5% sobre o subsídio de doença e uma contribuição de 6% sobre o subsídio de desemprego - intenção anunciada publicamente na sexta-feira pelo ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar.

N. M.

PS: Certamente fez-se saber à troika que a culpa do chumbo é da exclusiva responsabilidade do TC, quando todos sabemos que a culpa - que morrerá solteira uma vez mais - é do governo que não respeitou a Constitução.

Lamentavelmente, é o que temos em Portugal.


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