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domingo, 14 de abril de 2013

Seguro, e a oportunidade do 'abraço de urso'

Se quisermos colocar a questão num nível de garotada, foi o PSD que começou. É verdade que o Governo, o PSD e o líder de ambos não mostraram o sentido de Estado necessário à manutenção minimamente coesa do arco de três partidos que assinou o memorando. Durante meses o PS mostrou esse sentido de compromisso, vendo por resposta uma enorme arrogância do PSD. Paulo Portas compreendeu isso bem, como se viu no debate da moção de censura.

Porém, se quisermos colocar as coisas no presente (e ser um pouco menos garotos, embora tendo presente que o passado conta), a resposta do PS ao pedido de colaboração do Governo foi tudo menos inteligente e foi tudo menos operativa. O Governo vive um momento de enorme fraqueza, de fragilidade extrema - isso é mais do que visível. E perante isso, o PS poderia dar-lhe o conhecido (na política) e velho 'abraço de urso'. Ao invés, permite ao Governo prosseguir na sua linha e armar-se em vítima. Seguro é de facto, como disse, o seguro de Passos .

O velho e conhecido 'abraço de urso' consistiria em Seguro ter dito tudo o que disse, deixando claro que isso seriam as condições para o PS colaborar com o Governo. Ou seja, o PS colaboraria desde que houvesse uma renegociação da dívida (na qual o PS participaria); desde que o Governo se empenhasse na restituição dos ganhos do BCE com a dívida portuguesa (mais de três mil milhões); desde que houvesse uma linha de apoio aos desempregados, etc. etc. Todas as medidas de que falou o líder do PS. Exigindo respostas concretas, proporia, na prática, uma alteração radical da política do Governo. 

Ao querer marcar, simplesmente, uma linha de demarcação Seguro perdeu a oportunidade de colocar-se a si e ao seu partido, no centro da resolução do atual impasse. Pelo contrário, pareceu contribuir para esse mesmo impasse. Mais: ao adiar a sua reação um dia (para depois da 'missa' de Sócrates) deu também a ideia de que teme o seu antecessor; ao copiar frases inteiras que Sócrates tinha dito, sublinha a ideia de que não lhe quer desagradar. Do meu ponto de vista, a intervenção de Seguro foi um desastre. E é pena. Porque Seguro tem sido um líder que sem aqueles momentos grandiloquentes que certa esquerda gosta, eficazmente construiu a ideia de uma alternativa que não passa por irresponsabilidades.

Mas a vida é o que é. E entre nós, salvo raras exceções, os políticos ainda pensam que falar mais alto é ter razão e que ser duro é ser corajoso. Também aqui falta maturidade.

=Expresso=



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