A Associação Portuguesa de Hemofilia (APH) denunciou, esta terça-feira, que
os hospitais estão a reduzir a dosagem dos medicamentos e a obrigar os doentes
a deslocarem-se mais vezes para recolher a medicação.
A propósito do Dia Mundial da Hemofilia, que se assinala na
quarta-feira, Miguel Crato, da APH, falou das atuais preocupações da
associação, que se prendem com a disponibilização dos medicamentos para o
tratamento profiláctico da hemofilia.
Conforme explicou, a hemofilia é
uma "doença incapacitante", que tem na base dois tipos de tratamento:
um para as situações em que o doente tem hemorragias, outro profiláctico, feito
duas ou três vezes por semana, para prevenir as hemorragias e ter mais
qualidade de vida.
"Temos assistido por parte
das administrações hospitalares dos hospitais a um controlo da medicação que é
disponibilizada. Antigamente os pais faziam um levantamento mensal para fazer o
tratamento aos filhos em casa, agora são obrigados a ir semanalmente",
afirmou.
Esta situação é particularmente
grave para as pessoas que moram a vários quilómetros de distância dos
hospitais, uma vez que esta medicação é distribuída apenas nos hospitais
centrais de Lisboa, Porto e Coimbra, acrescentou.
O medo de perderem o emprego por
se ausentarem com tanta frequência é algo que também pesa a estes pais, que
podem acabar por pôr em causa o tratamento, alertou o responsável.
Outro problema com que se
deparam estes doentes é a redução das dosagens dadas pelos hospitais.
"A associação tomou
conhecimento de casos em que se fazia uma determinada dosagem, de determinado
valor, e essa dosagem foi reduzida por razões orçamentais", denunciou.
Segundo Miguel Crato, se se
altera dosagem prescrita pelo médico, há riscos de o doente ter hemorragias,
"o que efectivamente veio a comprovar-se com crianças".
"Houve pais que tiveram de
alterar as dosagens dos filhos e a incidência de hemorragias aumentou",
sublinhou.
A APH tem queixas a este respeito de todos os hospitais e já deu
conhecimento desta situação, no início de Fevereiro, ao Hospital D. Estefânia e
ao secretário de Estado da Saúde.
Do hospital, obteve a resposta
de que "estariam atentos e tudo fariam para que não faltasse
tratamento", mas o problema é que o que está em causa é a medicação para a
profilaxia e não para o tratamento em si.
A APH tem 700 pessoas
registadas, não só hemofílicos, mas doentes com outros problemas de coagulação,
no entanto estima-se que, por cada dez mil nascimentos, haja um caso de
hemofilia.
Para assinalar o Dia Mundial da
Hemofilia, este ano a associação vai estar presente com escolas com crianças
hemofílicas a desenvolver concursos, destinados a toda a comunidade escolar,
sobre as mais variadas formas artísticas que dêem a conhecer melhor a doença.
O objectivo é desmistificar e
mostrar que se as crianças forem devidamente tratadas conseguem ter uma boa
qualidade de vida.
N. M.

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