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terça-feira, 16 de abril de 2013

«O que a troika pede põe em causa a saúde dos portugueses»

Especialista em saúde pública avisa que medidas pedidas «não são razoáveis, não são objetivas, não estão documentadas, não têm lógica nenhuma» e «são um abuso»

O dirigente do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) Constantino Sakellarides considera que o que a troika está a pedir «é um abuso» e põe em causa o bem-estar e a saúde dos portugueses em geral.

O especialista afirmou à Lusa que o país tem «um programa da troika inadequado, porque pede ao país para fazer em muito pouco tempo o que não é possível fazer bem nesse período de tempo».

O especialista destaca que, «apesar disso, o governo tem tentado ser zeloso e cumprir».

«Temos cumprido, quase à risca, o que a troika nos pede. Mas o que a troika nos pede não é razoável», disse, acrescentando: «Estão a pedir-nos para fazer coisas que não são razoáveis, não são objetivas, não estão documentadas, não têm lógica nenhuma, são um abuso».

Na saúde, pormenorizou, Portugal «tem tentado fazer o que a troika nos pede». «Mas o pedido não é razoável», insistiu.

Constantino Sakellarides garante que «o que a troika pede põe em causa o bem-estar dos portugueses em geral e a saúde também». 

Essa é uma das mensagens que o especialista em saúde pública vai levar a Oslo, durante a reunião promovida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Observatório Europeu de Saúde Pública, que, na quarta-feira e na quinta-feira, vai analisar «o impacto da crise financeira na saúde da população europeia».

Constantino Sakellarides é um dos peritos europeus convidados para fazerem uma análise transversal sobre este impacto.

Encontros como este, sublinhou, «não são reuniões políticas, na medida em que não são destinadas a culpar pessoas, nem são reuniões de negação, para dizer que nada está a acontecer».

O ex-diretor-geral da Saúde defende que «as políticas de saúde têm que ser consertadas com outras políticas e é contra o que está a acontecer atualmente na Europa»: «Primeiro toma-se a decisão de ordem financeira, depois espera-se para ver se a economia cresce e depois vê-se o seu impacto sobre o bem-estar das pessoas. Isto é a negação das políticas públicas».

Lembrando que o impacto da crise se sente a nível europeu, e não apenas em Portugal, Constantino Sakellarides defende uma contabilização com mais precisão do impacto da crise sobre a saúde.

=TVI24=

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