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segunda-feira, 15 de abril de 2013

«EGOÍSMO E FALTA DE PACIÊNCIA»

Desse egoísmo primordial decorreram todas as nossas falhas, que provocaram todas as nossas derrotas.

Do egoísmo, por exemplo, é que proveio a nossa cegueira intelectual. Que pensávamos, sem confessá-lo, aliás?

É verdade o que está conforme ao interesse pessoal; é falso o que resulta da hipótese contrária.

Ora, há uma infinidade de princípios, de ideias, de teorias perfeitamente exactas e racionalmente comprovadas, e que, entretanto, longe de nos favorecer no que quer que seja, contradizem, ao contrário, o nosso interesse restrito.

É assim, por exemplo, que, por cegueira de espírito, não sabemos discernir o alcance de determinadas reivindicações sociais, que não ousavamos elaborar um plano que lhes prevenisse os excessos.

Faltava-nos inteligência para compreender os outros, toda voltada que estava a apreender-nos a nós mesmos, a nós e aos nossos.

Pois o que era essa inteligência, que nos esforçávamos por desenvolver nos outros? Uma faculdade que elabora e prepara a acção útil a todos?

Um meio – digamos a palavra – de apostolado? Um meio que servisse a um fim social?

De forma nenhuma. Era, na maioria das vezes, e sem que o soubessemos, ou uma faculdade cultivada por si mesma, pelo encanto que traz e pelo embelezamento pessoal que acarreta, ou então um indispensável meio de trabalho, quando se trata de agir, de trabalhar por si, pelos seus, pela famosa “carreira” e sacrossanta “posição”.

Porque se pensa que o senhor Pedro tanto mentiu e continua a proferir inverdades, a proporcionar tremendos sacrifícios aos cidadãos, senão para tentar criar um marco na sua suposta governança?

Porque se imagina que não tem paciência para aturar Paulo Portas no seio da coligação, e muito menos Seguro e o PS? Não que empecilhos que o trasladem para uma espécie de marginalidade política, pois sabe que qualquer deles o “abafa” do ponto de vista intelectual e também do ponto de vista político.

A vida, a sua suposta vida intelectual, em lugar de ser social, foi uma fonte de satisfação pessoal, ou o meio de uma obra que não ia além de nós mesmos, de si próprio.

É por isso que nem a burguesia, nem seus filhos, puderam compreender o que não era deles mesmos ou não resultava deles mesmos.

Daí a consequência suplementar: o que se elaborava sem eles, elaborava-se, também, contra eles.

Da cegueira intelectual nasce a esterilidade da acção. Deve-se entender por isso, não a ausência de acção, que é inactividade e preguiça, mas a acção que não tem nenhum alcance social, portanto inútil.

Na casta burguesa o trabalho é indispensável e logo desgasta o homem. Mas a verdade é que ele aí se exaure na perseguição da mais louca das quimeras, quero dizer, o bem individual e egoísta.

Fazer o quê mais, com efeito, se a inteligência, inteiramente votada para o enriquecimento pessoal, não entrevê sequer a necessidade urgente de uma acção solidária? De que modo o devotamento, a “gratuitidade” encontrariam lugar nessa vida?


E no entanto é isso que, desejando-o explicitamente, muito comummente tentam ensinar-nos, ou melhor, impor-nos, uma especialidade do senhor Pedro e seus seguidores, que cada dia que passa serão cada vez menos, vindo dentro em breve a encontrar-se só na multidão.

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