Montados
no seu corcel escanzelado “Rocinante” e no seu burro “Povo”, rumando em
direcção ao profundo abismo de que possa haver memória nesta Velha Lusitânia,
eles para além de mentirem descaradamente,
continuam a errar e a pôr o povo na corda bamba, que se pergunta, incrédulo:
«Quem
desmantelará as fábricas e as manufacturas, os ateliers e os locais onde foram
perpetrados os sacrifícios maciços e quotidianos? Quem descreverá essas
máquinas de desmanchar cérebros, esvaziar corpos e almas, empobrecer o
espírito, marcar as carnes, deformar os esqueletos, dobrar os ossos, comprimir
as estruturas, desenvolver fisiologias mutantes na carne daqueles que foram
lançados para o caldeirão do senhor Pedro, que é também o dos senhor Gaspar? O
desencanto do mundo lusitano, o niilismo contemporâneo, o pessimismo
generalizado,, durarão enquanto a ordem das coisas for celebrada segundo as
modalidades desejadas pelos actuais governantes?»
Também
é preciso definir a economia como uma alquimia canibal, uma disciplina de transmutação que, partindo do tempo dos escravos, constrói o dinheiro dos
mestres.
O
seu mecanismo funciona de tal maneira que absorve as energias, forças,
vitalidades, singularidades, temperamentos, carácteres e liberdades individuais
dos que dispõem apenas desses resquício – o seu próprio corpo – para o reduzir,
destruir e quebrar, a fim dele extrair as lágrimas, o sangue e o suor, por um
lado, e o ouro, com o qual os mestres financiarão as festas dotadas do poder de
lhes fazer esquecer, durante um lapso de tempo, que são mortais. Com dignidade
digerida, a economia separada produz as riquezas que financiam as despesas
sumptuosas.
Aliás,
poder-se-ia escrever uma história da economia unicamente sob o ângulo dos
consumos magnificentes.
Todos
têm em comum a satisfação do narcisismo dos que contratam, decidem e desejam.
As
pirâmides egípcias, as catedrais ocidentais, as barragens soviéticas, os foguetões
americanos, as fábricas e, depois, as multinacionais europeias e, hoje, os
flutuantes capitais planetários ou aqueles que evoluem na estratosfera virtual:
para cada caso, trata-se de afirmar a potência e a soberania do poder temporal
e, depois, do poder espiritual que dele se inspira ou que o apoia. Em todos os
casos o sangue dos homens pobres cimenta o máximo deboche.
O
faraó, o padre, o engenheiro, o técnico, o capitão da indústria, o financeiro,
todos eles se apoiaram em exércitos, polícias, filósofos enfeudados a esses
sistemas, porque pagos em troca, para se proteger dos explorados, cujo trabalho
tornava possíveis esses edifícios monstruosos.
Proprietários,
militares e proletários, eis a ordem descendente na qual se exprimem a
potência, o poder e o domínio daqueles que infligem o economismo, essa religião
fundamentada ou, pelo menos, formulada desde a Antiguidade.
Para
tentar evitar a catástrofe entre a cidadania lusitana, uma só solução: a
imediata demissão do actual governo, por Pedro liderado e por Gaspar
degenerado, e que o presidente da República lhes siga as pisadas, devolvendo a
palavra ao povo, para que escolha novos políticos que consigam retirá-lo do
fundo do abismo em que foi mergulhado.
Os
portugueses não lutam contra moínhos de vento nem contra rebanhos de ovelhas,
pois ele mesmo faz parte do hipotético rebanho idealizado pelos actuais
governantes, que deverão seguir para o olho da rua, pois já «BASTA» de tanta
austeridade que só favorece o desemprego e as rupturas económicas e
financeiras.
Portugal e os portugueses não podem manter-se impassiveis, e muito menos consentir que o conduzam, ainda mais, para o precipício onde o governo o mergulhou com todas as suas mentiras.

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