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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Portugal nas Malhas do Liberalismo


Os representantes da União Europeia e do FMI, colocaram o país numa verdadeira camisa de forças fabricada na Alemanha.

Após as avaliações técnicas, o BCE e o FMI entraram em cena para abordar o sujeito com o governo demissionário, que se waliou ao novo governo do PSD/CDS, sob a vigilância dos alemães Jurgem Kroger e Rasmus Ruffer, enquanto a missão do FMI, dirigida pelo dinamarquês Poul Thomson, que já desempenhara esse papel na Grécia há cerca dum ano.

O governo socialista passou à oposição e o novo governo de imediato se comprometeu a traçar um programa de austeridade, “independentemente do resultado das eleições”, o que quer dizer que se o PS vencesse, tudo se faria como combinado, mudando apenas os actores.

A União Europeia, com o FMI estavam já prontos a “ajudar” Portugal, mas sob a estrita condição de que fosse adoptado um programa de ajustamento, que deveria implicar “os principais partidos políticos”, visto que as eleições legislativas antecipadas de 5 de Junho, não davam as certezas desejadas.

O plano de ajuda, este plano, de cerca de 80 biliões de euros, exigia fortes medidas de austeridade “ambiciosas” e uma política de crescimento e competitividade, aliados a reformas estruturais e privatizações.

Estamos numa situação muito difícil, embora diferente da Grécia e da Irlanda.

O principal problema de Portugal é o dum crescimento anémico desde há anos. Mas, as decisões tomadas para reduzir o défice público tem-nos mergulhado na recessão. As políticas liberais conduziram o país e o povo ao desemprego, à ruína, à queda das exportações e ao aumento das importações.

Tudo isto se deveu ao facto de que, desde 1986, ano em que Portugal entrou na União Europeia, as escolhas político-económicas foram as causadoras do caos que hoje se vive no país, de que se tomarão como principais alvos de popupança, a educação e a saúde – a privatizar num futuro próximo.

Com a queda da massa salarial da função pública, os cortes nas ajudas sociais, na educação, na saúde, assim como na subida do IVA para 23%, é o povo quem mais sofre as consequências, sobretudo os mais pobres de entre ele.

Seria necessária uma maior intervenção do Estado, investimentos nos sectores produtivos, uma melhor repartição das riquezas e uma real política fiscal.

Os dirigentes da zona euro fizeram um pacto de competitividade que é uma verdadeira camisa de forças franco-alemã, com toda a austeridade salarial, pretendem acalmar os mercados, ao mesmo tempo que destroem o estado social e de bem-estar.

Os dirigentes da zona euro apenas se preocupam com um pacto de competitividade que propõe sempre mais austeridade, na esperança de salvar a moeda única.

Alguns países arriscam assim a não poderem pagar as suas dívidas. O que colocaria em perigo a moeda única.

E, por causa disso, os chefes de Estado e de governo não olham a meios para atingirem os fins que se propuseram, o que veio travar a retoma, já fraca. O custo do crédito às empresas aumentará. Em consequência, as receitas fiscais baixarão de novo, enquanto o desemprego volta a subir.

Face a tudo isto, os países mantêm a rota neoliberal: luta contra a inflação, descida dos impostos e dos défices, forte moderação salarial.

Ironicamente, é afirmado pelos dirigentes europeus, que estes assuntos serão de competência nacional. Os Estados fixam-se, portanto, em objectivos comuns e serão avaliados pelos seus pares.

A União Europeia tinha, portanto, uma política económica – a estratégia de Lisboa – made in Germany.

Embora liberal, mantinha objectivos em termos de pesquisa e desenvolvimento e formação dos trabalhadores. Colocá-la em prática foi uma catástrofe e o “rei ficou nu”. Só resta a austeridade.

Assim, em Portugal foi criado um novo governo, liderado por Pedro Passos Coelho, que nomeou para a saúde um alto dirigente duma seguradora de saúde – Médis – que de imediato deu a saber pretender privatizar os serviços de saúde, acabar com o SNS e colocar os portugueses numa situação similar á vivida no tempo de Salazar, em que não havia SNS. Só mais tarde foi criada a muito deficitária Direcção Geral de Assistência (DGA) e os postos da Caixa de Previdência, hoje os Centros de Saúde.

Com os cortes havidos, decretados pelo novo governo, as próprias autarquias se demitiram das funções junto da população, particular e especialmente as Juntas de Freguesia, não sendo a de Paranhos excepção, bem pelo contrário. Talvez até um “belo” exemplo.

Esta demissão, sobretudo das que têm executivos pertencentes aos partidos que compõem o governo, é de tal modo grave que leva a que os munícipes mais pobres e carenciados fiquem em cada vez pior situação, votados ao abandono, marginalizados, morrendo sozinhos em casa sem que ninguém se aperceba, a não ser passados dias, semanas , meses ou anos, como tem sido noticiado.

O que proponho, após esta já longa introdução, é o seguinte:

I – Que seja criado e empossado um executivo-sombra, dotado de certa autonomia, que trabalhe junto da população no sentido de a elucidar e ajudar a encontrar os melhores caminhos para poder encontrar as melhores soluções para os gravíssimos problemas que vive.

II – Que esse executivo-sombra, dentro da sua autonomia, possa promover sessões de esclarecimento e apoio à população mais carenciada, nos bairros sociais e até, porque não, no auditório da própria Junta de Freguesia.

III – Ao informar sobre os direitos que assistem essas pessoas, falar quer sobre a saúde quer sobre a acção social.

Deste modo se irá demonstrando a essa população o maior interesse relativo à sua condição, que propagará o programa, o que poderá conduzir a um melhor resultado nas próximas eleições autárquicas.

J. A.

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