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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Tratamento que Europa deu à crise de Chipre é «inexplicável»

Presidente do BES critica descoordenação entgre responsáveis europeus, que agrava instabilidade e juros da dívida nos países do Sul

A forma como os responsáveis europeus, e sobretudo o presidente do Eurogrupo, lidaram com a crise em Chipre foi alvo de duras críticas por parte de Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo (BES).

Questionado pelos jornalistas sobre as declarações de Angela Merkel, que na segunda-feira afirmou em Berlim que as elevadas taxas de juro praticadas na economia real em países como Portugal criam o risco de uma crise de crédito, atrasando a sua recuperação económica, Salgado concordou com a visão da governante alemã.

«Merkel tem toda a razão», sublinhou o líder do BES, acrescentando que «a descoordenação na Europa contribui para isso [aumento do risco de uma crise de crédito nos países mais fragilizados da Zona Euro]».

Nas declarações prestadas aos jornalistas, à margem de uma conferência em Lisboa, Salgado apontou para o caso de Chipre.

«Vejam o que aconteceu em Chipre. É inexplicável, totalmente inexplicável, e criou uma instabilidade enorme nos países da Europa do Sul. Portanto, os spreads de crédito em relação aos países da Europa do Sul, Portugal inclusive, voltaram a subir, por causa de uma descoordenação», frisou, citado pela Lusa.

«O presidente do Eurogrupo disse uma coisa e o presidente do Banco Central Europeu (BCE), felizmente, atacou o problema», afastando a possibilidade de a medida negociada no resgate a Chipre, de taxar os depósitos, ser aplicada noutros países intervencionados, salientou o banqueiro.

«Agora, a senhora Merkel também sabe muito bem que tem uma solução na manga que pode resolver essa equação, que são as eurobonds [títulos de dívida europeus]», lançou Salgado.

«No dia em que houver eurobonds, sabendo que é preciso avançar mais dentro da consolidação europeia, e haver um compromisso mais forte e mais firme dos países europeus com o cumprimento das regras do défice e do endividamento, mas, logo que isso for possível, vamos ter umas taxas de juro que condizem com uma União Europeia e Monetária», considerou.

Segundo o gestor, neste momento, na União Europeia e Monetária, «há países que estão a ser altamente penalizados pelas taxas de juro, nomeadamente, Portugal».

Em Berlim, numa intervenção na Associação Alemã de Bancos (BdB, na sigla em alemão), Angela Merkel apontou para as diferenças existentes nos mercados de crédito entre os vários países europeus que aderiram à moeda única, quer ao nível das dívidas soberanas, quer em termos dos empréstimos comerciais, numa fase de fraco crescimento na zona euro.

E disse, citada pela agência Bloomberg, que as altas taxas de juro cobradas junto da economia real em países como Portugal criam o risco de uma crise de crédito, que colocará entraves à recuperação económica dos países mais afetados pela crise na zona euro.

Salientando que o euro é do «interesse fundamental» da Alemanha, Merkel sublinhou que a solidez das finanças públicas e as medidas de incentivo ao crescimento económico devem andar de mãos dadas nos países da zona euro.

=TVI24=

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