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terça-feira, 16 de abril de 2013

«SOBRE A CONSCIÊNCIA»

Dá-se o nome de consciência à identidade essencial que faz de nós aquilo que somos – o que apenas demonstra que dar um nome a uma realidade psíquica é bem diferente de explicá-la.

Fontes Ocultas

«O homem tem como tarefa consciencializar-se daquilo que é empurrado até à superfície a partir do inconsciente… Tanto quanto conseguimos perceber, o único objectivo da existência humana é alimentar uma luz na escuridão e ser apenas.»

A Corrente da Consciência

«A consciência, portanto, não se apresenta cortada aos bocados. Palavra como ‘cadeia’, ou ‘sequência’ não a descrevem adequadamente… Ela não é algo de articulado, mas que flui. ‘Rio’ ou ‘corrente’ são as metáforas que mais naturalmente a descrevem. Falando dela daqui por diante, passaremos a chamar-lhe corrente de pensamento, da consciência ou da vida subjectiva.»

Agora ouçam

«O consciente é a parte executiva do nosso ser. É ele que toma as decisões e as traduz em acções.. Se nos tornassemos totalmente inconscientes, assemelhar-nos-íamos à criança recém-nascida que possui Deus mas é incapaz de qualquer acção em que transpareça a presença divina.

Reunindo o Tempo

«A consciência é um vagabundo autorizado, independente, livre no tempo e no espaço, uma espécie de máquina do tempo psicológico que se dispersa simultaneamente pelo passado, pelo presente e pelo futuro… Anda para diante e para trás, unificando os nossos amanhãs com os nossos hojes e ontens… A sua espontaneidade nem sequer está limitada pelas leis da lógica e as da causa e efeito deterministas. Tem o poder de duvidar e imaginar, e para imaginar tem de ser capaz de fugir ao mundo. A sua natureza é a de conjurar possibilidades.

Unificando o passado com o futuro, a consciência modifica o passado, pois dá-lhe um novo contexto. O conteúdo das nossas vidas até ao momento presente é um facto e deve manter-se como está. Mas podemos interpretar e reinterpretar o passado do ponto de vista daquilo que actualmente somos e das nossas possibilidades futuras. Em consequência, o significado do passado está sempre a ser alterado, como num livro a leitura dos últimos capítulos dá ao leitor uma visão diferente sobre os primeiros.»

Invisível mas Real

«Poucas questões têm perdurado tanto como o problema da consciência e o seu lugar na Natureza.
É a distinção que não se apaga, a diferença entre o que os outros vêem em nós e o sentido que temos do nosso próprio íntimo… A diferença entre o tu-e-eu do mundo comportamental que compartilhamos e a localização ilocalizável das coisas pensadas. As nossas reflexões, os nossos sonhos e as conversas imaginárias que temos com os outros, nas quais, sem que ninguém o possa vir a saber, desculpamos, defendemos ou proclamamos as nossas esperanças ou os nossos pesares, o nosso futuro e o nosso passado, todo este espesso tecido de fantasia é tão absolutamente diferente da realidade que podemos palpar, calcar ou espezinhar, com as suas árvores, as suas ervas, as suas mesas, os seus oceanos, mãos, estrelas – até cérebros!
Como é isto possível? Como se adaptam estas existências efémeras da nossa experiência solitária ao arranjo ordenado da Natureza que de alguma forma rodeia e absorve este cerne do conhecimento?»


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