Dá-se o nome de consciência à identidade
essencial que faz de nós aquilo que somos – o que apenas demonstra que dar um
nome a uma realidade psíquica é bem diferente de explicá-la.
Fontes Ocultas
«O homem tem como tarefa consciencializar-se
daquilo que é empurrado até à superfície a partir do inconsciente… Tanto quanto
conseguimos perceber, o único objectivo da existência humana é alimentar uma
luz na escuridão e ser apenas.»
A Corrente da Consciência
«A consciência, portanto, não se apresenta
cortada aos bocados. Palavra como ‘cadeia’, ou ‘sequência’ não a descrevem
adequadamente… Ela não é algo de articulado, mas que flui. ‘Rio’ ou ‘corrente’
são as metáforas que mais naturalmente a descrevem. Falando dela daqui por
diante, passaremos a chamar-lhe corrente de pensamento, da consciência ou da
vida subjectiva.»
Agora ouçam
«O consciente é a parte executiva do nosso
ser. É ele que toma as decisões e as traduz em acções.. Se nos tornassemos
totalmente inconscientes, assemelhar-nos-íamos à criança recém-nascida que possui
Deus mas é incapaz de qualquer acção em que transpareça a presença divina.
Reunindo o Tempo
«A consciência é um vagabundo autorizado,
independente, livre no tempo e no espaço, uma espécie de máquina do tempo
psicológico que se dispersa simultaneamente pelo passado, pelo presente e pelo
futuro… Anda para diante e para trás, unificando os nossos amanhãs com os
nossos hojes e ontens… A sua espontaneidade nem sequer está limitada pelas leis
da lógica e as da causa e efeito deterministas. Tem o poder de duvidar e
imaginar, e para imaginar tem de ser capaz de fugir ao mundo. A sua natureza é
a de conjurar possibilidades.
Unificando o passado com o futuro, a
consciência modifica o passado, pois dá-lhe um novo contexto. O conteúdo das
nossas vidas até ao momento presente é um facto e deve manter-se como está. Mas
podemos interpretar e reinterpretar o passado do ponto de vista daquilo que
actualmente somos e das nossas possibilidades futuras. Em consequência, o
significado do passado está sempre a ser alterado, como num livro a leitura dos
últimos capítulos dá ao leitor uma visão diferente sobre os primeiros.»
Invisível mas Real
«Poucas questões têm perdurado tanto como o
problema da consciência e o seu lugar na Natureza.
É a distinção que não se apaga, a diferença
entre o que os outros vêem em nós e o sentido que temos do nosso próprio íntimo…
A diferença entre o tu-e-eu do mundo comportamental que compartilhamos e a
localização ilocalizável das coisas pensadas. As nossas reflexões, os nossos
sonhos e as conversas imaginárias que temos com os outros, nas quais, sem que
ninguém o possa vir a saber, desculpamos, defendemos ou proclamamos as nossas
esperanças ou os nossos pesares, o nosso futuro e o nosso passado, todo este
espesso tecido de fantasia é tão absolutamente diferente da realidade que
podemos palpar, calcar ou espezinhar, com as suas árvores, as suas ervas, as
suas mesas, os seus oceanos, mãos, estrelas – até cérebros!
Como é isto possível? Como se adaptam estas
existências efémeras da nossa experiência solitária ao arranjo ordenado da
Natureza que de alguma forma rodeia e absorve este cerne do conhecimento?»

Sem comentários:
Enviar um comentário