Apresentamos-lhe
dois casos diferentes. Em ambos as despesas se limitam ao essencial e só
resultam porque a família ajuda
Numa altura
em que se debate o aumento do salário mínimo nacional (SMN), e em que muitos se
manifestam contra uma subida, fomos tentar perceber como se vive com 431 euros
por mês (o valor bruto é 485 mas está sujeito a uma contribuição de 11% para a
Segurança Social).
Pegámos em dois exemplos diferentes: Maria, uma empregada de balcão que vive sozinha na linha de Sintra, e a família Ferreira, um casal com dois filhos que vive na margem sul e em que ambos auferem o SMN.
Maria paga 200 euros de renda por um T1. Antes de se mudar fez as contas e concluiu que, «mesmo que comprasse uma casa a crédito não conseguiria pagar menos de prestação». As contas fixas levam-lhe mais 70 euros: 30 para a eletricidade, 10 para o gás, 15 para a água e outro tanto na conta do telemóvel. «Como vivo sozinha, se calhar ligo mais vezes a alguns amigos e à família», justifica. No T1 não há telefone fixo, nem televisão por cabo, que apelida de «luxo».
Maria não tem carro próprio. Para chegar todos os dias ao trabalho e a todos os outros lugares onde precisa de ir, tem um passe combinado CP/Carris que lhe custa mais de 57 euros por mês. «É o valor de um depósito de combustível. Se tivesse um carro, gastava mais do que isso e ainda tinha de me preocupar com seguro, revisões, imposto e inspeção».
Faz algumas refeições no trabalho, o que ajuda a reduzir as contas da alimentação. Mesmo assim, «as contas do mês no supermercado não costumam ficar muito longe dos 100 euros, incluindo alimentação, artigos para a casa, produtos de limpeza e de higiene pessoal, etc.».
Contas feitas, 427 euros «já têm destino certo» quando caem na conta bancária. Sobram 4,65 euros. «Se não fosse a ajuda dos meus pais, não podia comprar uma peça de roupa, um par de sapatos, não podia ir uma vez à praia ou a um centro comercial... nem sequer um bilhete de cinema podia pagar», lamenta. «E Deus me livre de ficar doente. Se tiver de pagar uma consulta médica, um exame ou uma caixa de comprimidos... tenho de cortar noutra coisa qualquer».
Se a família cresce, o dinheiro encolhe
Marta e Carlos Ferreira têm um pouco mais de folga. Vivem na Moita, onde compraram um T2 «quando osspreads cobrados ainda não eram a exorbitância que são hoje». Têm dois filhos: João e Carla, com 5 e 7 anos, respetivamente. «Partilham o quarto, porque agora é impossível trocar para uma casa maior», explica o pai.
A prestação mensal que pagam ao banco é de 302 euros. «Há uns anos chegámos a pagar mais de 400, foram tempos de maior aperto».
No supermercado ficam perto de 200 euros. «Com os miúdos, é sempre preciso comprar algumas coisas que, se fôssemos só nós, não comprávamos tanto: iogurtes diferentes, cereais, bolachas...», explica Marta. «E mesmo assim, é tudo marca branca».
Em combustível, a despesa mensal ronda os 120 euros. «São dois depósitos. Não temos de ir para Lisboa porque trabalhamos os dois deste lado mas, mesmo assim, fazemos muitos quilómetros... todas as manhã levo a Marta ao trabalho dela, deixo os miúdos em casa da minha sogra e vou para o trabalho. À noite, faço a volta ao contrário. A Marta tem de esperar um bocado, porque sai mais cedo que eu, mas não dá para comprar e manter outro carro», conta Carlos.
«Gastamos mais em combustível, mas poupa-se imenso em infantário e ATL. A minha mãe fica com o João o dia todo e leva a Carla à escola e vai buscá-la. E os miúdos almoçam lá, só levam daqui uns snacks para lanchar, os miminhos que gostam e que a minha mãe não costuma comprar para casa dela».
A conta média da luz ronda os 50 euros («no inverno é mais alta por causa dos aquecedores mas no verão é mais baixa») e em água e gás são mais 40. «Mais pessoas, mais banhos», resume Marta.
No telefone e dois telemóveis gastam mais 30 euros. «Praticamente só ligamos um para o o outro», explicam.
No essencial, este casal gasta à volta de 730 euros por mês. «Sobram uns 130 euros, mas todos os meses há despesas extra, imprevistos», concluem.
Pegámos em dois exemplos diferentes: Maria, uma empregada de balcão que vive sozinha na linha de Sintra, e a família Ferreira, um casal com dois filhos que vive na margem sul e em que ambos auferem o SMN.
Maria paga 200 euros de renda por um T1. Antes de se mudar fez as contas e concluiu que, «mesmo que comprasse uma casa a crédito não conseguiria pagar menos de prestação». As contas fixas levam-lhe mais 70 euros: 30 para a eletricidade, 10 para o gás, 15 para a água e outro tanto na conta do telemóvel. «Como vivo sozinha, se calhar ligo mais vezes a alguns amigos e à família», justifica. No T1 não há telefone fixo, nem televisão por cabo, que apelida de «luxo».
Maria não tem carro próprio. Para chegar todos os dias ao trabalho e a todos os outros lugares onde precisa de ir, tem um passe combinado CP/Carris que lhe custa mais de 57 euros por mês. «É o valor de um depósito de combustível. Se tivesse um carro, gastava mais do que isso e ainda tinha de me preocupar com seguro, revisões, imposto e inspeção».
Faz algumas refeições no trabalho, o que ajuda a reduzir as contas da alimentação. Mesmo assim, «as contas do mês no supermercado não costumam ficar muito longe dos 100 euros, incluindo alimentação, artigos para a casa, produtos de limpeza e de higiene pessoal, etc.».
Contas feitas, 427 euros «já têm destino certo» quando caem na conta bancária. Sobram 4,65 euros. «Se não fosse a ajuda dos meus pais, não podia comprar uma peça de roupa, um par de sapatos, não podia ir uma vez à praia ou a um centro comercial... nem sequer um bilhete de cinema podia pagar», lamenta. «E Deus me livre de ficar doente. Se tiver de pagar uma consulta médica, um exame ou uma caixa de comprimidos... tenho de cortar noutra coisa qualquer».
Se a família cresce, o dinheiro encolhe
Marta e Carlos Ferreira têm um pouco mais de folga. Vivem na Moita, onde compraram um T2 «quando osspreads cobrados ainda não eram a exorbitância que são hoje». Têm dois filhos: João e Carla, com 5 e 7 anos, respetivamente. «Partilham o quarto, porque agora é impossível trocar para uma casa maior», explica o pai.
A prestação mensal que pagam ao banco é de 302 euros. «Há uns anos chegámos a pagar mais de 400, foram tempos de maior aperto».
No supermercado ficam perto de 200 euros. «Com os miúdos, é sempre preciso comprar algumas coisas que, se fôssemos só nós, não comprávamos tanto: iogurtes diferentes, cereais, bolachas...», explica Marta. «E mesmo assim, é tudo marca branca».
Em combustível, a despesa mensal ronda os 120 euros. «São dois depósitos. Não temos de ir para Lisboa porque trabalhamos os dois deste lado mas, mesmo assim, fazemos muitos quilómetros... todas as manhã levo a Marta ao trabalho dela, deixo os miúdos em casa da minha sogra e vou para o trabalho. À noite, faço a volta ao contrário. A Marta tem de esperar um bocado, porque sai mais cedo que eu, mas não dá para comprar e manter outro carro», conta Carlos.
«Gastamos mais em combustível, mas poupa-se imenso em infantário e ATL. A minha mãe fica com o João o dia todo e leva a Carla à escola e vai buscá-la. E os miúdos almoçam lá, só levam daqui uns snacks para lanchar, os miminhos que gostam e que a minha mãe não costuma comprar para casa dela».
A conta média da luz ronda os 50 euros («no inverno é mais alta por causa dos aquecedores mas no verão é mais baixa») e em água e gás são mais 40. «Mais pessoas, mais banhos», resume Marta.
No telefone e dois telemóveis gastam mais 30 euros. «Praticamente só ligamos um para o o outro», explicam.
No essencial, este casal gasta à volta de 730 euros por mês. «Sobram uns 130 euros, mas todos os meses há despesas extra, imprevistos», concluem.
=TVI24=

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