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sexta-feira, 5 de abril de 2013

«SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA»


Desde que Portugal se viu livre da ditadura – graças aos valentes e decididos capitães de Abril de 1974, que decidiram pôr fim a praticamente meio século de regime totalitário, proceder à descolonização que matava e estropiava, ou ambas as coisas, a juventude nacional, que provocava tremendos traumatismos psíquicos que ainda hoje se fazem sentir – que se considera que Portugal vive num regime democrático.

Ora, a democracia, como bem sabe ou devia saber, apesar de tudo, tem defeitos mas é um regime que, a ser respeitado pelos representantes do povo, pode ser considerado aquele que melhor pode satisfazer as populações de cada país.

Começo pela democracia orgânica, forma de Estado em que os cidadãos estão organizados em grupos – partidos políticos – que participam no governo do país.

A democracia social, forma de governo que implica unicamente a igualdade de direitos políticos, mas que também incorpora um aprofundamento da democracia a todos os níveis sociais.

A palavra democracia – demo=povo, ou seja, governo do povo, que surgiu na Grécia Antiga e suas cidades-estado, como Atenas, tendo sido pouco usada pelos países até ao século XIX. Até aí, a maioria dos países do mundo usavam sistemas políticos que colocavam o poder de decisão nas mãos de governantes, muitos deles verdadeiros tiranos.

Foi o senhor presidente quem recusou o recurso a referendo popular quer para a assinatura dos tratados europeus, especialmente o de Maastricht, mas também o que pôs em vigor a moeda única, o euro, apelando que tratados  não se referendavam, passando ao povo português um “atestado de estupidez” sem qualquer razão de ser, e terá já visto que apesar do que possam pensar deles, sabem muito bem o que querem.

Se a si me dirigisse tratando-o por excelência, estaria a ser hipócrita, pelo que, e sempre preeferi a franqueza acima de tudo, continuarei a fazê-lo como até aqui, por senhor presidente. Nunca defendi e jamais defenderei determinados protocolos ou formas de tratamento que não condigam com a minha forma de pensar e de estar na vida.

Ora, diz o senhor que, haja o que houver com as decisões do Tribunal Constitucional, não agirá de forma a criar uma crise política, que não pretende que Portugal se torne numa Itália, ingovernável devido à instabilidade que por lá se vive, o que quer dizer que não tomará a atitude que lhe compete, ou seja, não dissolverá a Assembleia da República nem convocará, pois, eleições antecipadas. Encontrará outras soluções, mesmo que não agradem ao povo na sua generalidade, que arranjará outras formas de solucionar os diferendos intersociais que se vivem em Portugal.

Com essa sua atitude só piorará tudo, pois os portugueses sentirão grandes dificuldades em aceitar continuar a ser desgovernados pelo senhor Pedro; aliás, o senhor sabe muito bem que o actual governo está a esboroar-se, e não me refiro apenas à demissão do senhor Relvas, mas também à ainda ministra da justiça e o ministro da saúde, que já manifestaram o desejo de sairem do governo.

Sei que o senhor é teimoso, mas saiba que os portugueses, em geral, também o são, e que estão já cansados de serem roubados pelo actual governo, que se limita a falar dos tremendos esforços envidados pelos portugueses para poderem pagar as dívidas externas, não vendo da parte do governo qualquer colaboração, que deveriam seguir o exemplo de François Hollande que baixou aos salários dos políticos de França em 30%. E, ainda ontem, também Barack Obama decidiu baixar ao seu 5%.

Sinto que nada do que se prepara nas costas dos portugueses poderá ser considerado dentro da política de lealdade que se exige, pelo que nenhum dos senhores poderá culpar os portugueses pela prática de qualquer “excesso”, uma vez que têm sido usados e abusados pelos políticos desde há muitos anos, sendo por eles considerados carne para canhão, ou muito simplesmente lacaios ao serviço das vontades políticas.

Pedir-lhe que pense na sua acção e na deles, seria pedir demasiado, talvez, pelo que prefiro colocar ponto final, por agora, nestas linhas, esperando que compreenda que o senhor Pedro atingiu o limite do desgaste político, com toda a sua austeridade e arrogância, sem qualquer respeito pelos cidadãos, mesmo pelos que estão afectados por deficiências físicas ou mesmo por doenças cancerosas.

O senhor escusa de tentar entrar pelos trocadilhos de palavras, pois também não consegue convencer quem quer que seja, e saiba que os portugueses merecem mais e melhor!
  

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