Desde que Portugal se viu livre da ditadura –
graças aos valentes e decididos capitães de Abril de 1974, que decidiram pôr
fim a praticamente meio século de regime totalitário, proceder à descolonização
que matava e estropiava, ou ambas as coisas, a juventude nacional, que
provocava tremendos traumatismos psíquicos que ainda hoje se fazem sentir – que
se considera que Portugal vive num regime democrático.
Ora, a democracia, como bem sabe ou devia saber, apesar de tudo, tem defeitos mas é um regime que, a ser respeitado pelos representantes do povo, pode ser considerado aquele que melhor pode satisfazer as populações de cada país.
Começo pela democracia orgânica, forma de
Estado em que os cidadãos estão organizados em grupos – partidos políticos –
que participam no governo do país.
A democracia social, forma de governo que
implica unicamente a igualdade de direitos políticos, mas que também incorpora
um aprofundamento da democracia a todos os níveis sociais.
A palavra democracia – demo=povo, ou seja,
governo do povo, que surgiu na Grécia Antiga e suas cidades-estado, como
Atenas, tendo sido pouco usada pelos países até ao século XIX. Até aí, a
maioria dos países do mundo usavam sistemas políticos que colocavam o poder de
decisão nas mãos de governantes, muitos deles verdadeiros tiranos.
Foi o senhor presidente quem recusou o recurso a referendo popular quer para a assinatura dos tratados europeus, especialmente o de Maastricht, mas também o que pôs em vigor a moeda única, o euro, apelando que tratados não se referendavam, passando ao povo português um “atestado de estupidez” sem qualquer razão de ser, e terá já visto que apesar do que possam pensar deles, sabem muito bem o que querem.
Se a si me dirigisse tratando-o por
excelência, estaria a ser hipócrita, pelo que, e sempre preeferi a franqueza
acima de tudo, continuarei a fazê-lo como até aqui, por senhor presidente.
Nunca defendi e jamais defenderei determinados protocolos ou formas de
tratamento que não condigam com a minha forma de pensar e de estar na vida.
Ora, diz o senhor que, haja o que houver com
as decisões do Tribunal Constitucional, não agirá de forma a criar uma crise
política, que não pretende que Portugal se torne numa Itália, ingovernável
devido à instabilidade que por lá se vive, o que quer dizer que não tomará a
atitude que lhe compete, ou seja, não dissolverá a Assembleia da República nem
convocará, pois, eleições antecipadas. Encontrará outras soluções, mesmo que
não agradem ao povo na sua generalidade, que arranjará outras formas de
solucionar os diferendos intersociais que se vivem em Portugal.
Com essa sua atitude só piorará tudo, pois os
portugueses sentirão grandes dificuldades em aceitar continuar a ser
desgovernados pelo senhor Pedro; aliás, o senhor sabe muito bem que o actual
governo está a esboroar-se, e não me refiro apenas à demissão do senhor Relvas,
mas também à ainda ministra da justiça e o ministro da saúde, que já
manifestaram o desejo de sairem do governo.
Sei que o senhor é teimoso, mas saiba que os
portugueses, em geral, também o são, e que estão já cansados de serem roubados
pelo actual governo, que se limita a falar dos tremendos esforços envidados
pelos portugueses para poderem pagar as dívidas externas, não vendo da parte do
governo qualquer colaboração, que deveriam seguir o exemplo de François
Hollande que baixou aos salários dos políticos de França em 30%. E, ainda
ontem, também Barack Obama decidiu baixar ao seu 5%.
Sinto que nada do que se prepara nas costas
dos portugueses poderá ser considerado dentro da política de lealdade que se
exige, pelo que nenhum dos senhores poderá culpar os portugueses pela prática
de qualquer “excesso”, uma vez que têm sido usados e abusados pelos políticos
desde há muitos anos, sendo por eles considerados carne para canhão, ou muito
simplesmente lacaios ao serviço das vontades políticas.
Pedir-lhe que pense na sua acção e na deles,
seria pedir demasiado, talvez, pelo que prefiro colocar ponto final, por agora,
nestas linhas, esperando que compreenda que o senhor Pedro atingiu o limite do
desgaste político, com toda a sua austeridade e arrogância, sem qualquer
respeito pelos cidadãos, mesmo pelos que estão afectados por deficiências
físicas ou mesmo por doenças cancerosas.
O senhor escusa de tentar entrar pelos
trocadilhos de palavras, pois também não consegue convencer quem quer que seja,
e saiba que os portugueses merecem mais e melhor!

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