O autarca do Porto, Rui Rio, vai distinguir com a
medalha de ouro da cidade, na cerimónia do 25 de Abril, os economistas Silva
Peneda, Miguel Cadilhe e Daniel Bessa. Todas personalidades que têm sido
apontadas como chefes de Executivo ou ministros num eventual Governo de
salvação nacional.
Miguel Cadilhe, ex-ministro das Finanças de Cavaco, é
um dos subscritores do recente manifesto de economistas que pedem uma acção
mais enérgica do Governo para cortar cerca de 40% na despesa pública, sugerindo
o corte nas rendas da energia e insurgindo-se contra o actual «garrote fiscal».
Silva Peneda, ex-ministro da Segurança Social de
Cavaco, é o actual presidente do Conselho Económico e Social e, entre os
socialistas, tem sido muito elogiado pelos seus esforços de consenso na
concertação social – tendo sido escolhido esta semana pelo Presidente para
presidir às comemorações do 10 de Junho. Daniel Bessa, ex- ministro da Economia
de António Guterres, começou por ser apoiante do actual Governo, mas nas
últimas semanas (ainda antes do chumbo do TC ao OE) tem vindo a dizer que o
risco de bancarrota é sério e que é preciso «um outro Governo», que envolva o
PS, porque o prazo de validade deste está quase a terminar. Bessa é, além
disso, um dos principais instigadores da candidatura de Rui Moreira ao Porto,
contra o candidato do PSD, Luís Filipe Menezes. E pode ser o primeiro nome da
lista para a Assembleia Municipal.
Rio, que ainda na pasada quinta-feira chamou
«incompetente» ao Governo de Pedro Passos Coelho, faz sempre cerimónias
evocativas do 25 de Abril – embora na véspera, dia 24, para não convocar os
funcionários camarários em dia feriado, que tem que ser pago à parte – nas
quais distribui medalhas de mérito municipais de ouro e prata e uma medalha de
honra.
Desta vez, a sua última na Câmara, a mais alta distinção caberá à
Universidade do Porto. O seu reitor, Marques dos Santos, tal como os restantes
das universidades públicas, vive um momento tenso com o Governo por causa dos
cortes no ensino superior. E esta semana, acusou o Governo de «parar o país»,
queixando-se que o despacho de Vítor Gaspar que suspende gastos «parece feito
por quem nunca geriu nada».
Na quinta-feira, Rio deu o palco a António Capucho,
convidado para uma sessão sobre a qualidade da vida urbana, que aproveitou para
dizer que o actual Governo só tem mais «uma oportunidade» (fazer uma profunda
remodelação) e que Rio deve ser candidato a líder do PSD e, por conseguinte,
candidato a primeiro-ministro.
O autarca do Porto, que se tem rodeado de críticos do
primeiro-ministro, está ainda a preparar um evento com António Costa,
presidente socialista da Câmara de Lisboa. É público que os dois têm uma boa relação
pessoal e, de vez em quando, gostam de ilustrar esse entendimento de Bloco
Central. Será já na sexta-feira na Alfândega do Porto, numa conferência sobre
cooperação territorial.
Os contactos de Rio com Passos são quase inexistentes,
embora se tenham cruzado (num encontro privado) na recente visita do
primeiro-ministro da Suécia a Portugal. Por sinal, a foto do momento, publicada
na revista municipal, mostra Fredrik Reinfeldt e Rui Rio, com o autarca do
Porto a tapar a figura de Passos.


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