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segunda-feira, 15 de abril de 2013

«PROBLEMAS DA JUSTIÇA PORTUGUESA»

Afirma-se agora que o Tribunal Constitucional poderá ser a ponta de um iceberg muito maior, pois segundo dizem, ele é resultado e causa de uma série de problemas vividos no e pelo país, após ter chumbado algumas normas constantes no OE/2013, que de modo algum agradaram ao governo liderado pelo senhor Pedro, e talvez ao senhor Silva que, no entanto, o enviou para fiscalização sucessiva quando deveria solicitar a fiscalização preventiva.

A culpa não é dos magistrados, até porque há uma profusão de leis editadas pelo poder legislativo, que nos mostram nitidamente o porquê de algumas leis “pegarem” e outras não. Falta, nesse aspecto, um diálogo com o poder judiciário, no sentido de a lei convergir para os anseios sociais. São nulas as discussões sobre o impacto que essas medidas (leis, códigos…) causarão no judiciário, como volume de processos, reestruturação orçamentária e eventual ampliação do quadro de juízes. Haverá algum estudo nesse sentido?

Outro problema diz respeito à imagem distorcida que o senhor Pedro e outros pretendem dar-nos, e dar à troika sobre os chumbos das normas inconstitucionais contidas – e nem  todas foram contempladas pelo chumbo – na proposta de lei orçamental que lhe foi enviada.

Porém, nada justifica as estruturas nababescas dos tribunais portugueses, nem mesmo a sua cúpula, como é o TC, e muito menos a tentavia, pelo segundo ano consecutivo, feita pelo actual governo em pretender fazer aprovar inconstitucionalidades que, de certo modo, até lhe abriram novas portas para cada vez implementar mais austeridade no país, em relação ao povo, evidentemente.

O grande problema é que o senhor Pedro não está acostumado a admitir a derrota, mesmo tratando-se de desrespeitar a lei fundamental do país – a Constituição – podendo mesmo ter calculado o chumbo e agido de modo a que as tais portas se abrissem de par em par, como forma de se vingar (porquê?) daqueles portugueses que ou lhe deram o voto ou lho recusaram democraticamente. Será que algum dia se convencerá de que apesar de tudo a democracia é para ser respeitada e que ele deve dar o exemplo?

Um dos problemas é que os magistrados se encontram no meio de uma guerra por poder, entre a actual ministra da justiça, o Ministério Público, o Bastonário da Ordem dos Advogados e até a Provedoria da Justiça, que advoga  em prol dos que têm insuficiência de recursos.

Ora, diante de todos estes problemas, torna-se difícil fazer uma separação isenta do trigo e do joio, ou seja, os bons juízes, comprometidos com a sociedade e com o bom funcionamento da justiça, com os juízes fruto de conluios e parcerias obscuras com os poderes da advocacia e com os direitos sociais da cidadania nacional.

O senhor Pedro parece encaixar no grupo dos que preferem o obscurantismo popular, e como não pode vingar-se nos magistrados do TC, fá-lo no povo em geral, perante a passividade costumeira do presidente da República.

Para melhorar a situação e a imagem do poder judiciário e constitucional é necessária uma mudança em várias frentes, desde as legislações, passando pela melhoria do sistema que operacionaliza a justiça em Portugal.

Valorizar o trabalho dos magistrados, em especial do TC e, da parte do governo, convencerem-se de uma vez por todas que deverão saber interpretar as leis que eles próprios propuzeram à Assembleia da República e viram, graças a uma maioria que o apoia, serem votadas favoravelmente, apesar de feridas de inconstitucionalidades várias.

Se Portugal tivesse um presidente da República que agisse realmente com independência, que não se limitasse a dar protecção aos seus pares no governo, poderiam evitar-se muitos atropelos que têm sido cometidos e os portugueses poderiam viver mais felizes.

Assim, tal como tudo se apresenta, dificilmente conhecerão o verdadeiro significado da palavra felicidade, ficando a conhecer à exaustão o seu contrário, com um governo que pretende ignorar e fazer ignorar a existência do TC e do seu verdadeiro fim.


Quem tenta desrespeitar as leis, sobretudo a lei geral e fundamental da nação, merece ser julgado e demitido.

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