O presidente da mesa do Conselho Nacional do CDS-PP,
Pires de Lima, afirmou hoje ter esperança de que a substituição de Miguel
Relvas seja apenas o "primeiro ato" de uma remodelação ministerial
que dê "outro peso à economia".
Pires de Lima
manifestou-se "muito satisfeito" pela substituição de Miguel Relvas
no Governo por "dois ministros [Marques Guedes e Poiares Maduro] e não só
um"
Sem um "segundo ato", a remodelação já ocorrida é uma
"oportunidade perdida", defendeu Pires de Lima aos jornalistas antes
do reinício do Conselho Nacional do CDS-PP, que hoje está reunido num hotel de
Lisboa.
"Se esta substituição de um ministro por dois
ministros for o primeiro ato de uma remodelação a que falta ainda conhecer o
final, diria que é um bom primeiro ato", afirmou Pires de Lima aos
jornalistas.
O presidente da mesa do Conselho Nacional do CDS-PP, que
é também gestor, defendeu que "é preciso compatibilizar o processo de
ajustamento financeiro" com "uma preocupação muito grande com a
economia, com o funcionamento das empresas".
"Isso, do meu ponto de vista, exige dar outro peso
à economia, valorizá-la, creio mesmo que já só se fará se elevarmos o
Ministério da Economia à categoria de Ministério de Estado, para estar no mesmo
plano do Ministério das Finanças", sustentou.
"Tenho muita esperança que, desta forma ou de
outra, o senhor primeiro-ministro venha ainda a completar este processo, de que
eu vejo nesta substituição ainda o primeiro ato", afirmou.
Pires de Lima recusou, contudo, alguma vez ter pedido a
demissão do ministro da Economia.
"Os custos para a economia deste processo de
ajustamento foram muito mais violentos, foram até brutais e isto não pode
continuar a decorrer nestes termos. Creio que é preciso combinar melhor, casar
melhor, a preocupação financeira com a preocupação pela economia",
defendeu.
"Isso só se faz com uma orgânica de Governo que
valorize mais a questão económica", insistiu.
Relativamente ao 'timing' desse "segundo ato"
da remodelação, Pires de Lima afirmou que "sempre disse que depois da
sétima avaliação da 'troika' considerava que durante o mês de abril se deveria
fazer um esforço muito sério para reorganizar e reorientar as prioridades do
Governo de forma a valorizar a função económica".
"Ainda estamos no dia 14 de abril, portanto, vamos
aguardar", disse.
Pires de Lima manifestou-se "muito satisfeito"
pela substituição de Miguel Relvas no Governo por "dois ministros [Marques
Guedes e Poiares Maduro] e não só um, duas pessoas com capacidade política, com
um belíssimo curriculum, de indiscutível seriedade".
"Se me diz que esta substituição é o ato final, eu,
coerentemente com o que tenho dito no último mês, direi que é uma oportunidade
perdida", frisou.
Pires de Lima recusou comentar a carta do
primeiro-ministro à 'troika' em que Passos Coelho defende a criação de uma
tabela salarial única e a convergência da lei laboral e dos sistemas de pensões
público e privado, como forma de compensar a inconstitucionalidade de normas
orçamentais.
"Não conheço a carta em detalhe e não me quero
pronunciar", respondeu, acrescentando ter considerado "muito
positivo" que Passos Coelho tivesse recusado mais aumento de impostos.
Para o presidente da mesa do Conselho Nacional do
CDS-PP, "é mandatário cortar na despesa pública, esse corte deve ser feito
de forma seletiva, inteligente e protegendo o Estado social".

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