Apesar de todos saberem que o Tribunal
Constitucional chumbou quatro normas do OE/2013, e que o governo reagiu muito
mal e tal decisão, mas que ficou com a pedra no sapato que lhe causa ainda
dores, e apesar ou sobretudo por causa delas, estuda novas formas de nos extorquir
mais impostos e, haja o que houver, levará a sua avante, sob o mais profundo
silêncio dos cidadãos na sua maioria.
Desta vez, declarando que tudo será feito
pela via da contenção da despesa pública, já deu a saber que pretende conter
600 milhões de euros nos sectores sociais, saúde, educação e SS, garantindo
todavia que na saúde não haverá risco algum para os doentes.
Ora, se já foram anunciadas medidas
restritivas nas urgências hospitalares de Lisboa, certamente que o bom exemplo
se irá fazer sentir pelos Porto e Coimbra e outras cidades, e que os únicos
lesados serão os cidadãos cuja saúde é cada vez mais precária e que deverão
pagar ainda maiores taxas moderadoras – exageradamente elevadas para as suas
possibilidades financeiras.
Mas, no meio de todo este disparate
governativo, não se ouve a voz do povo. Ouvem-se as costumeiras, como se
ouviram as da UGT numa espécie de desabafo se consequências de maior, ou falsas
promessas de João Proença, enquanto que a CGTP, pela voz de Arménio Carlos se
limitou a fazer mais uma constatação que certamente juntou a todas as até agora
feitas e que a levaram a abandonar a mesa das conversações.
Duas formas muito diferentes de ver a
situação actual social, de um lado a já normal complacência da UGT, do outro, a
revolta da CGTP. Mas, com grande e ruidoso silêncio da cidadania, que parece
ter adormecido de novo.
Ouvem-se os enfermeiros clamar por justiça,
uma vez que estão a ser pagos a um euro por hora de trabalho, quando deveriam
receber o quádruplo no mínimo, vendo-se pelos serviços hospitalares e Centros
de Saúde uns que auferem salários ditos normais e outros que se ficam pela
quarta parte do salário, executando as mesmas tarefas sempre em prol do
bem-estar do doente.
Será este tratamento justo? Como podem os
enfermeiros receber menos mensalmente que os actuais “Agentes Operacionais”,
antigos Auxiliares de Acção Médica, que um enfermeiro licenciado?
Mas, não se ficam pelos enfermeiros, pois também há médicos que recebem
miseravelmente, embora possam acumular serviços em clínicas privadas e outros
serviços privados, o que lhes compõe os salários, de modo a que mais tarde,
possam vir a adoecer devido ao excesso de trabalho, como aliás acontece também
com alguns enfermeiros.
E já o governo se calou no que respeita às
rescisões amigáveis dos trabalhadores da saúde, preferindo aumentar-lhes a
idade e o tempo para a reforma, que dizem poderá ser apenas aos 67 anos, para
poder manter a sustentabilidade da Segurança Social.
Na educação, assistiremos certamente ao
despedimento colectivo de milhares de professores nas escolas públicas, dando
aos privados a oportunidade de enriquecerem ainda mais, fazendo aumentar o
abandono escolar, para que surja uma nova geração de obscurantismo no país, e
eles possam voltar a proclamar que os portugueses, além de estúpidos são
iletrados, ou mesmo analfabetos.
E estes tecnocratas da treta, não podem ver
que com todas as suas medidas de cada vez mais austeridade e ignorância sobre o
futuro do país e das novas gerações, surgirá cada vez mais miséria social, em
todas as suas vertentes, mais fome e atá a exploração pelo trabalho infantil,
que será clandestino.
Será esta a reforma do Estado preconizada
pelo senhor Pedro? Será que a fome e a miséria são boas conselheiras, ou, pelo
contrário, farão aumentar também a criminalidade e as doenças em Portugal?
Porque se calará o povo português? Porque se calará o presidente da República?
Porque se calam os sindicatos?



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