Em reacção
à decisão do TC, o líder da CGTP acusou o Presidente da República de ser
“cúmplice da crise política que se instalou no país” por não ter requerido a
fiscalização preventiva.
Arménio Carlos afirmou ao PÚBLICO que a decisão divulgada nesta
sexta-feira pelo Tribunal Constitucional (TC), que chumbou quatro normas do Orçamento do
Estado 2013, “consagra definitivamente a Constituição da República Portuguesa
como a legislação que importa preservar independentemente das políticas
governamentais desenvolvidas”.
O líder da CGTP considera que com esta decisão “o Governo perdeu
a legitimidade política, ética e moral para continuar” e sublinhou que “o
Presidente da República não agiu com a responsabilidade adequada porque deveria
ter pedido a fiscalização preventiva” do OE.
“Ao
querer evitar uma crise política, o Presidente da República acabou por se torna
cúmplice da crise política”, frisou, acrescentando que “estamos perante uma
necessidade óbvia de promover uma ruptura com as políticas que têm sido
seguidas para políticas que promovam o crescimento”.
Arménio
Carlos destacou o chumbo do TC à suspensão dos subsídios de férias dos
funcionários públicos e pensionistas, considerando que “confirma que estão
garantidos direitos de remuneração e de pensões”. Ao declarar pela segunda vez
a inconstitucionalidade da medida, o TC mostrou que “o Governo teimou em
repetir o erro e violar novamente a Constituição”, disse.
O
líder da CGTP referiu ainda que a decisão de declarar inconstitucional a
contribuição sobre os subsídios de desemprego e de doença é “uma medida
acertada, já que essa intenção mostrava que o Governo tinha perdido o respeito
e a sensibilidade social”.
O
TC anunciou nesta sexta-feira que declarou a inconstitucionalidade da suspensão
dos subsídios de férias dos funcionários públicos e a eliminação até um máximo
de 90% do mesmo subsídio dos reformados, com retroactivos a 1 de Janeiro. O
chumbo abrange ainda a contribuição sobre prestações de doença e desemprego e
ainda a norma referente aos contratos de docência e investigação.
Segundo
os cálculos do PÚBLICO – feitos com base nos dados apresentados pelo Governo na
proposta de Orçamento do Estado para 2013 – o chumbo dos dois artigos relativos
aos subsídios de férias pode representar um acréscimo da despesa pública
(líquido da receita de impostos) este ano da ordem dos 1150 milhões de
euros.
=Público=

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