Número total de visualizações de páginas

sábado, 6 de abril de 2013

«A EXPERIÊNCIA SOCIAL»


O que os políticos deveriam pensar e não o fazem, porque se pensam superiores a tudo e a todos, só por terem recebido o voto da cidadania nacional.
Tento fazer um sincero exame de consciência, e pergunto-me sinceramente porque, no ensino dito burguês, a “experiência” social foi praticamente negligenciada, quais foram os prejuízos para a educação e como, tanto no presente como no futuro, não mais incidir nos erros.

O problema, certamente, é difícil e, todavia, de urgência tal que não poderia deixar de falar abertamente sobre os seus dados.

«Porque a verdade é que todos nós temos errado. Estamos num impasse. Muitas coisas que não temos querido ver têm-se passado, muitas reivindicações que não desejamos entender têm sido feitas, muitos conselhos nos têm sido prodigalizados e não nos têm atingido!

Temos deliberadamente ignorado o que nos molesta. E temos tomado o luxo e a abastança por realidades estáveis, que nada, nem ninguém, poderia agitar, abalar e reduzir a pó.

Tenhamos a honestidade de nos acusar anós mesmos, bem como a sociedade que temos deixado construir. Há ainda mãos que se estendem e que só poderemos pegar se nos recusarmos a continuar coniventes com os nossos velhos instintos individualistas e a trair os nossos mais autênticos deveres de homens, alguns dos quais cristãos.

Inicialmente, e aí está o vício capital da nossa educação burguesa, temos insistido em formar, não homens que se completam uns aos outros, e que por isso mesmo se aperfeiçoam, mas, de cada um deles, temos feito um superindividualista, com o seu valor próprio, considerado em si mesmo e por si mesmo.

Em suma, temos feito egoístas, ou, se se prefere um termo menos malsonante, egotistas, ou solipsistas.

Quando nossos pais nos diziam: “Tornem-se homens”, subentendiamos quase sempre, em virtude de uma aberração monstruosa: “Torna-te, sê um homem por ti mesmo”.

Nós falávamos-lhe implicitamente da sua carreira, do seu futuro, do seu valor, das suas possibilidades de acção, do seu êxito pessoal. Um homem, para nós, no mais das vezes era alguém que abria o seu caminho, traçava o seu rumo, administrava os seus bens, aumentava o volume dos seus negócios.»

Ao contrário do que muito facilmente se acredita, o burguês não é, absolutamente, um ávaro ou um preguiçoso que, por desporto primeiro e vício depois, se torna em político, arrastando-se pelos corredores do parlamento ou de um qualquer ministério.

É um egoísta prepotente, alguém que pensa unicamente em si e nos seus familiares e amigos, com os quais se reune para combinar a melhor forma de tirar partido da sua posição, quando eleito

Para a maior parte, a dedicação, a renúncia, o trabalho útil, mas que “não rende nada”, não são considerados.

Por isso, só temos um punhado de políticos que, vindos de famílias modestas, sabem dar o valor aos que lutam arduamente no seu dia-a-dia num mundo mais que “miserável” que nada mais lhes proporciona porque os oriundos da burguesia o não permitem, considerando sempre muito o que já possuem, e muito pouco o que eles próprios têm, tenha sido herdado ou não!

Sem comentários:

Enviar um comentário