O que os políticos deveriam pensar e não o
fazem, porque se pensam superiores a tudo e a todos, só por terem recebido o
voto da cidadania nacional.
Tento fazer um sincero exame de consciência,
e pergunto-me sinceramente porque, no ensino dito burguês, a “experiência”
social foi praticamente negligenciada, quais foram os prejuízos para a educação
e como, tanto no presente como no futuro, não mais incidir nos erros.
O problema, certamente, é difícil e, todavia,
de urgência tal que não poderia deixar de falar abertamente sobre os seus
dados.
«Porque a verdade é que todos nós temos
errado. Estamos num impasse. Muitas coisas que não temos querido ver têm-se passado,
muitas reivindicações que não desejamos entender têm sido feitas, muitos
conselhos nos têm sido prodigalizados e não nos têm atingido!
Temos deliberadamente ignorado o que nos
molesta. E temos tomado o luxo e a abastança por realidades estáveis, que nada,
nem ninguém, poderia agitar, abalar e reduzir a pó.
Tenhamos a honestidade de nos acusar anós
mesmos, bem como a sociedade que temos deixado construir. Há ainda mãos que se
estendem e que só poderemos pegar se nos recusarmos a continuar coniventes com
os nossos velhos instintos individualistas e a trair os nossos mais autênticos
deveres de homens, alguns dos quais cristãos.
Inicialmente, e aí está o vício capital da
nossa educação burguesa, temos insistido em formar, não homens que se completam
uns aos outros, e que por isso mesmo se aperfeiçoam, mas, de cada um deles,
temos feito um superindividualista, com o seu valor próprio, considerado em si
mesmo e por si mesmo.
Em suma, temos feito egoístas, ou, se se
prefere um termo menos malsonante, egotistas, ou solipsistas.
Quando nossos pais nos diziam: “Tornem-se
homens”, subentendiamos quase sempre, em virtude de uma aberração monstruosa: “Torna-te,
sê um homem por ti mesmo”.
Nós falávamos-lhe implicitamente da sua
carreira, do seu futuro, do seu valor, das suas possibilidades de acção, do seu
êxito pessoal. Um homem, para nós, no mais das vezes era alguém que abria o seu
caminho, traçava o seu rumo, administrava os seus bens, aumentava o volume dos
seus negócios.»
Ao contrário do que muito facilmente se
acredita, o burguês não é, absolutamente, um ávaro ou um preguiçoso que, por
desporto primeiro e vício depois, se torna em político, arrastando-se pelos
corredores do parlamento ou de um qualquer ministério.
É um egoísta prepotente, alguém que pensa
unicamente em si e nos seus familiares e amigos, com os quais se reune para
combinar a melhor forma de tirar partido da sua posição, quando eleito
Para a maior parte, a dedicação, a renúncia,
o trabalho útil, mas que “não rende nada”, não são considerados.
Por isso, só temos um punhado de políticos
que, vindos de famílias modestas, sabem dar o valor aos que lutam arduamente no
seu dia-a-dia num mundo mais que “miserável” que nada mais lhes proporciona
porque os oriundos da burguesia o não permitem, considerando sempre muito o que
já possuem, e muito pouco o que eles próprios têm, tenha sido herdado ou não!

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