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sábado, 13 de abril de 2013

Tribunal condena ex-presidente e vereadores da Câmara do Porto Santo por homicídio

Roberto Silva, Gina Mendes e José António Vasconcelos estão impedidos de exercer cargos políticos durante os três anos e seis meses da pena suspensa.
A palmeira inclinada acabaria por cair 

O Tribunal Judicial do Porto Santo condenou esta sexta-feira o ex-presidente e dois vereadores da Câmara do Porto Santo à pena única de três anos e seis meses de prisão, suspensa por igual período, pela prática de dois crimes de homicídio por negligência e um crime de ofensa à integridade física por negligência.
Roberto Silva, presidente do município entre 1998 e 2011, e os vereadores Gina Brito Mendes, com o pelouro do Ambiente, e José António Vasconcelos, da Protecção Civil, estavam acusados pela morte de duas pessoas e ferimentos numa devido à queda de uma palmeira em Agosto de 2010.
O tribunal que deu como provados os factos de que eram acusados, determinou também que durante o período de suspensão da pena, os três autarcas não poderão exercer cargos políticos previstos no n.º 3 da lei relativa aos crimes de responsabilidade dos seus titulares, onde se inclui o de membro de órgão de governo próprio de região autónoma e de membro de órgão representativo de autarquia local.
O antigo presidente da câmara exercia desde 2011 as funções de deputado na Assembleia Legislativa da Madeira, abrangido pela interdição decidida pelo tribunal.
O caso remonta a 22 de Agosto de 2010, quando uma palmeira caiu no decurso do comício de "rentrée" do PSD-M, no momento em que intervinha o então presidente da câmara, Roberto Silva, o evento foi suspenso de imediato antes da anunciada intervenção de Alberto João Jardim.
Na sequência da queda da palmeira, Judite Pascoal Nóbrega, 61 anos, residente no Funchal, teve morte imediata. David Alves, de 25 anos, e a sua mãe, de 44, moradores em Almada, ficaram gravemente feridos, tendo o jovem falecido em Outubro. Maria do Céu Alves foi já submetida a dez intervenções cirúrgicas, devido a algumas incapacidades a nível motor.
Segundo o despacho da procuradora da República no Círculo Judicial do Funchal, Isabel Dias, os autarcas ignoraram a voz do povo que, “desde há vários anos, vinha alertando que se ninguém tomasse previdências qualquer dia a palmeira cairia” devido à sua “notável e acentuada inclinação”. Apesar disso “não tomaram nem mandaram tomar medidas capazes de proteger os utilizadores do Largo do Pelourinho”, provocando, com essa “imprevidência e falta de cuidado, a morte de duas pessoas e ferimentos graves” numa terceira.
O Ministério Público (MP) acusa ainda os três autarcas de “actuarem com imprevidência e falta de cuidado que lhes era exigido e que eram capazes, sem procurarem obter qualquer tipo de informação de carácter técnico ou científico”. O MP não pronunciou os dois gestores da empresa municipal do ambiente e uma outra vereadora que também tinham sido constituídos arguidos.
=Público=

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