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segunda-feira, 6 de maio de 2013

«VALIA MAIS MANTER O SILÊNCIO…»

Lança-se o anúncio de que o senhor Paulo vai falar, pelas 19 horas, na televisão, aguça-se a curiosidade no seio da cidadania, uma grande expectativa para uns e a desilusão prévia para os outros, desilusão que se veio a confirmar durante o seu discurso pausado, mostrando a ênfase habitual de quem prefere o populismo barato e, aqui e ali, uma espécie de queixume, de lamentação por não poder ir mais longe.

Mas, afinal, até onde foi o senhor Paulo?

Falar em desacordo com as novas medidas de austeridade, mas tendo-as aprovado implicitamente, lançar “galhardetes” ao seu camarada de partido, o senhor Pedro Soares, já não diz nada aos portugueses.

Em suma, limitou-se a dizer o que todos sabíamos já, sobretudo acerca da pobreza nos mais velhos que assistem impotentes aos cortes que decretam nas suas pequenas pensões, com as quais devem auxiliar filhos no desemprego, mas também os netos.

Falar na despesa de Estado e não falar, por exemplo dos paraísos fiscais, é a mesma coisa que manter o silêncio sobre os verdadeiros problemas que afectam a sociedade em geral, sem se esquecer de afirmar que ajudará o primeiro-ministro com os contributos que saiba dar, que no sentimento da cidadania significam apenas mais do mesmo ad eternum.


Pretender criar uma “almofada” que amorteça a queda resultante das medidas de contenção na despesa do Estado (qual ou quais?), só para tentar conseguir uma margem de manobra para proteger os pensionistas dos tombos anunciados que certamente não deixarão de acontecer e que transformarão as suas pensões em verdadeiras miragens e que colocarão quem as recebe fora de toda e qualquer dignidade humana possível.

Aquela da idade da reforma não avançar para os 67 anos de idade, foi uma das melhores da noite: “a reforma manter-se-á nos 65 anos, mas só aos 66 não sofrerá penalizações. Em que ficamos, então? Coloquei a pergunta, mas como não me ouviu, não pôde responder.

E, chegado a este ponto, decidiu enviesar o caminho até então seguido, dando início a um tema que tanto se debate aquando de qualquer manifestação pública, o da presença da troika entre nós, nada de novo acrescentando ao que já todos sabíamos antes do seu solene discurso que, infelizmente para todos nós, portugueses, tem sido o cavalo de batalha, que se vai talvez transformar no Cavalo de Tróia  nos próximos tempos, ou seja, a sua presença entre nós, motivando a perda da soberania nacional.

Ora, se no parecer de alguns ele esteve bem, ou muito bem mesmo, para um antigo céptico quanto à União Europeia e à moeda única, sofreu uma conversão tal que muitos acreditarão ser obra de satanás, sendo difícil acreditar ser obre de qualquer santo, apesar de se afirmar democrata-cristão.

E chegado a este ponto, fez-nos uma confidência, afirmando estar já cansado da presença desses senhoras da troika entre nós, citando números de milhões e de biliões de euros que também já todos conhecíamos, mas que convém sempre realçar, mais não seja para poder justificar as suas e as viragens do seu partido e dos ministros que fazem parte do actual governo.

Teve ainda tempo de falar acerca do tremendo desemprego e das medidas, ou melhor, das conversas tidas com o senhor Pedro acerca da necessidade de criar condições para a criação de emprego, sobretudo dirigido aos jovens, justificando porque aceitou o aumento do horário de trabalho na função pública – e quem quiser que o entenda – e pouco mais dizendo, preparando todavia o fim julgado apoteótico do seu discurso, referindo-se a uma hipotética renovação na administração pública.

Desde que Portugal se tornou no grande palco que hoje é, os nossos actores principais têm vindo a entender-se muito bem, en consonância com o “mestre de Belém” que até, segundo se diz por aí, irá brevemente convocar um Conselho de Estado.




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