Lança-se o anúncio de que o senhor Paulo vai
falar, pelas 19 horas, na televisão, aguça-se a curiosidade no seio da
cidadania, uma grande expectativa para uns e a desilusão prévia para os outros,
desilusão que se veio a confirmar durante o seu discurso pausado, mostrando a
ênfase habitual de quem prefere o populismo barato e, aqui e ali, uma espécie
de queixume, de lamentação por não poder ir mais longe.
Mas, afinal, até onde foi o senhor Paulo?
Falar em desacordo com as novas medidas de
austeridade, mas tendo-as aprovado implicitamente, lançar “galhardetes” ao seu
camarada de partido, o senhor Pedro Soares, já não diz nada aos portugueses.
Em suma, limitou-se a dizer o que todos
sabíamos já, sobretudo acerca da pobreza nos mais velhos que assistem
impotentes aos cortes que decretam nas suas pequenas pensões, com as quais
devem auxiliar filhos no desemprego, mas também os netos.
Falar na despesa de Estado e não falar, por
exemplo dos paraísos fiscais, é a mesma coisa que manter o silêncio sobre os
verdadeiros problemas que afectam a sociedade em geral, sem se esquecer de
afirmar que ajudará o primeiro-ministro com os contributos que saiba dar, que
no sentimento da cidadania significam apenas mais do mesmo ad eternum.
- ver: http://youtu.be/O9PA8q0F04c
Pretender criar uma “almofada” que amorteça a
queda resultante das medidas de contenção na despesa do Estado (qual ou quais?),
só para tentar conseguir uma margem de manobra para proteger os pensionistas
dos tombos anunciados que certamente não deixarão de acontecer e que
transformarão as suas pensões em verdadeiras miragens e que colocarão quem as
recebe fora de toda e qualquer dignidade humana possível.
Aquela da idade da reforma não avançar para
os 67 anos de idade, foi uma das melhores da noite: “a reforma manter-se-á nos
65 anos, mas só aos 66 não sofrerá penalizações. Em que ficamos, então?
Coloquei a pergunta, mas como não me ouviu, não pôde responder.
E, chegado a este ponto, decidiu enviesar o
caminho até então seguido, dando início a um tema que tanto se debate aquando
de qualquer manifestação pública, o da presença da troika entre nós, nada de
novo acrescentando ao que já todos sabíamos antes do seu solene discurso que,
infelizmente para todos nós, portugueses, tem sido o cavalo de batalha, que se
vai talvez transformar no Cavalo de Tróia
nos próximos tempos, ou seja, a sua presença entre nós, motivando a
perda da soberania nacional.
Ora, se no parecer de alguns ele esteve bem,
ou muito bem mesmo, para um antigo céptico quanto à União Europeia e à moeda
única, sofreu uma conversão tal que muitos acreditarão ser obra de satanás,
sendo difícil acreditar ser obre de qualquer santo, apesar de se afirmar
democrata-cristão.
E chegado a este ponto, fez-nos uma confidência,
afirmando estar já cansado da presença desses senhoras da troika entre nós,
citando números de milhões e de biliões de euros que também já todos
conhecíamos, mas que convém sempre realçar, mais não seja para poder justificar
as suas e as viragens do seu partido e dos ministros que fazem parte do actual
governo.
Teve ainda tempo de falar acerca do tremendo
desemprego e das medidas, ou melhor, das conversas tidas com o senhor Pedro
acerca da necessidade de criar condições para a criação de emprego, sobretudo
dirigido aos jovens, justificando porque aceitou o aumento do horário de
trabalho na função pública – e quem quiser que o entenda – e pouco mais
dizendo, preparando todavia o fim julgado apoteótico do seu discurso,
referindo-se a uma hipotética renovação na administração pública.
Desde que Portugal se tornou no grande palco
que hoje é, os nossos actores principais têm vindo a entender-se muito bem, en
consonância com o “mestre de Belém” que até, segundo se diz por aí, irá
brevemente convocar um Conselho de Estado.
Sem comentários:
Enviar um comentário