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segunda-feira, 4 de março de 2013

«POLÍTICOS DO MEU PAÍS»



É verdade que conheci políticos estrangeiros, que também sabiam mentir, calar-se, ouvir e logo esquecer o que ouviam, como também os senhores fazem tão bem.

O presidente da República, a quem especialmente envio estas simples linhas, deveria apear-se da sela em que se encontra sentado, tomar o verdadeiro conhecimento do estado do país e do povo e acabar com os seus mais que famosos tabus, enveredando pelo único caminho que lhe resta, e que será o único para a salvação dos país e do povo, demitir o actual governo e convocar eleições antecipadas.

O povo tem mostrado nas ruas que é precisamente isso que pretende, e que não se sente na disposição de o aturar por mais tempo, pois não foi o povo quem causou o estado de coisas em que se encontra o país, sendo, no entanto ele, quem paga as facturas, com todo o sofrimento que se conhece.

O presidente da República não governa, é verdade. Mas já governou. Já fez a sua parte no e para o desenvolvimento da crise que hoje tanto afecta o povo português, que merece mais que a miséria e a fome, o desemprego, a dor e o sofrimento em que vive, sobretudo desde que o actual governo tomou posse e desatou a decretar medidas de austeridade.

O presidente da República não deveria contribuir para que se instale no país um mal-estar geral, que possa conduzir a acções que possam desencadear fortes surtos de violência político-social, uma vez que não pode manter-se, por mais tempo, em silêncio e na apatia.

De modo algum pretendo acenar-lhe com a adesão – chocante e comovente – às manifestações que se viveram por todo o país, mas que deviam colocar um alerta nacional devido ao descontentamento que se avoluma de dia para dia, embora devesse servir-lhe de lição, pois que, «O Melhor Povo do Mundo», acabou finalmente por dar à costa, abrir os olhos e sair à rua com moções de censura a todos os actos praticados por este governo e pelo seu silêncio, senhor presidente.

Com o seu silêncio, com as atitudes do governo de Portugal, as coisas só podem piorar do ponto de vista social, mas também laboral, e agora queira dizer-me, sem favor, qual o país que pode sobreviver com o povo na miséria e na fome, e com cerca de 1.450 milhões de de desempregados?

Sei que monta um burro por não ganhar para poder montar um cavalo, mas ao fazê-lo, está a demonstrar que nos considera burros a todos, quando afinal a paisagem deverá ser invertida, senhor presidente da República portuguesa.

De que está á espera para tomar a única decisão que lhe resta, dissolução da AR e convocação de eleições, devolvendo a palavra ao único soberano do país, o seu povo?

De todos os políticos que conheci na minha vida, os portugueses são os que pior tratam o povo, que os elegeu ou não, mas que, seja como for, tem direito a uma vida condigna, que os senhores tentam evitar, tratando-o da pior maneira possível.

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