É verdade que conheci políticos estrangeiros, que também sabiam mentir,
calar-se, ouvir e logo esquecer o que ouviam, como também os senhores fazem tão
bem.
O presidente da República, a quem especialmente envio estas simples linhas,
deveria apear-se da sela em que se encontra sentado, tomar o verdadeiro
conhecimento do estado do país e do povo e acabar com os seus mais que famosos
tabus, enveredando pelo único caminho que lhe resta, e que será o único para a
salvação dos país e do povo, demitir o actual governo e convocar eleições
antecipadas.
O povo tem mostrado nas ruas que é precisamente isso que pretende, e que
não se sente na disposição de o aturar por mais tempo, pois não foi o povo quem
causou o estado de coisas em que se encontra o país, sendo, no entanto ele,
quem paga as facturas, com todo o sofrimento que se conhece.
O presidente da República não governa, é verdade. Mas já governou. Já fez a
sua parte no e para o desenvolvimento da crise que hoje tanto afecta o povo
português, que merece mais que a miséria e a fome, o desemprego, a dor e o
sofrimento em que vive, sobretudo desde que o actual governo tomou posse e
desatou a decretar medidas de austeridade.
O presidente da República não deveria contribuir para que se instale no
país um mal-estar geral, que possa conduzir a acções que possam desencadear
fortes surtos de violência político-social, uma vez que não pode manter-se, por
mais tempo, em silêncio e na apatia.
De modo algum pretendo acenar-lhe com a adesão – chocante e comovente – às manifestações
que se viveram por todo o país, mas que deviam colocar um alerta nacional
devido ao descontentamento que se avoluma de dia para dia, embora devesse
servir-lhe de lição, pois que, «O Melhor Povo do Mundo», acabou finalmente por
dar à costa, abrir os olhos e sair à rua com moções de censura a todos os actos
praticados por este governo e pelo seu silêncio, senhor presidente.
Com o seu silêncio, com as atitudes do governo de Portugal, as coisas só
podem piorar do ponto de vista social, mas também laboral, e agora queira
dizer-me, sem favor, qual o país que pode sobreviver com o povo na miséria e na
fome, e com cerca de 1.450 milhões de de desempregados?
Sei que monta um burro por não ganhar para poder montar um cavalo, mas ao
fazê-lo, está a demonstrar que nos considera burros a todos, quando afinal a
paisagem deverá ser invertida, senhor presidente da República portuguesa.
De que está á espera para tomar a única decisão que lhe resta, dissolução
da AR e convocação de eleições, devolvendo a palavra ao único soberano do país,
o seu povo?
De todos os políticos que conheci na minha vida, os portugueses são os que
pior tratam o povo, que os elegeu ou não, mas que, seja como for, tem direito a
uma vida condigna, que os senhores tentam evitar, tratando-o da pior maneira
possível.

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