Existe uma espécie de humor mórbido em nós, que faz atrair e impulsiona o
ser humano a ler, assistir e conversar sobre notícias negativas.
Como é evidente, os órgãos de informação apreóveitam-se desse mesmo
sentimento para captar as audiências causadas por esses sentimentos negativos e
todos esses montes de más notícias, de entre as quais poucas ou nenhumas trazem
bem-estar, esperança ou mesmo uma só mensagem positiva.
Quase não existem programas culturais nas televisões e, arrisco mesmo a
afirmar que 70 a 80% das notícias saídas se referem a factos negativos e o
restante ao futebol nacional e estrangeiro.
Os jornais diários, na sua maioria, estão sob o domínio de uma certa
censura interna, em que o papel dos jornalistas se vê diminuído a uma
insignificância ignóbil, pois hoje em dia existem grupos económicos que se
chamam mass média – segundo dizem – e que dominam a comunicação social no país.
Infelizmente isso não se passa apenas em Portugal, mas um pouco por toda a
parte, Europa ou América do Norte mas também na do Sul, o quew inevitavelmente
causa tristeza e indignação.
O padrão é similar em todas as estações televisivas, rádios, jornais locais
ou de abrangência nacional. Muitas pessoas pensam que a culpa é da média que
escolhe esse tipo de notícias. Entretanto, vê-se que o problema é mais
profundo. A televisão vive de audiências e, se as pessoas se não interessam
tanto por esse tipo de notícias negativas, os jornais teriam de melhorar ou de
mudar o que ela veicula.
A televisão passa nos ecrãs o que as pessoas se sentem atraídas a assistir.
Notícias sobre tragédias costumam render dias, semanas de notícias. Passam
exaustivamente nos telejornais, são comentadas em programas de auditório, de
boateiros ou ainda de debate, e as pessoas, algumas pessoas gostam de assistir.
Se algum canal resolver veicular um telejornal com 90% de notícias
negativas, terá, provavelmente, uma audiência demasiado baixa. Vemos programas
de melhor qualidade em canais alternativos, com públicos específicos com
audiência muito menor. Não adianta colocar a culpa na média, pois só permanece
no ar aquilo que a população aprova através da sua audiência.
O mais importante de tudo é entendermos o que leva os seres humanos a
sentir atracção por tanta negatividade. Essa é a razão pela qual estou a falar
sobre este assunto. Não para culpar as televisões ou o público, mas sim, para
compreender o que está por trás desse fenómeno social.
A negatividade atrai-nos devido ao facto de estarmos cheios de coisas
negativas dentro de nós,. Pensamentos, crenças, emoções armazenadas do passado,
sentimentos de tristeza, medo, mágoa, raiva e outros que acumulamos durante a
vida, passam a viver no nosso interior, formando uma nuvem sombria. Essa sombra
procura fortalecer-se. Um dos mecanismos pelos quais ela cresce, é através das
notícias negativas que alimentam as emoções que guardamos.
Como se não bastassem os problemas, tragédias e perdas que temos nas nossas
vidas pessoais, que nos causam já suficiente dor, acabamos por absorver o
sofrimento de outras pessoas desconhecidas. Isso ajuda a elevar os níveis de
stress, pessimismo, pánico e depressão da população e não ajuda em nada as
pessoas que viveram este ou aquele drama. Pelo contrário: Quanto mais
infelicidade individual é gerada, mais aumentam os níveis de infelicidade
colectiva. A negatividade é contagiosa. Ajuda-se mais a humanidade quando nos
sentimos mais felizes. O único propósito dessas notícias é alimentar a sombra.
Nas tragédias de interesse ancional, que devem ser veiculadas para gerar
aprendizagem e mudança na sociedade, haverá ainda uma intensa exploração de
toda a reacção emocional que causam, o que também alimenta a sombra.
Perceber essa força inconsciente, que nos leva a ir em busca de coisas
negativas, é muito importante. Quando começamos a ver o mecanismo em acção,
sabendo que serve apenas para causar sofrimento, fica mais fácil despertar e
escolher algo melhor. Enquanto estamos cegos, sem perceber que estamos a agir
guiados pela sombra, é muito mais difícil mudar o comportamento.
Alémda percepção da acção da sombra, é mais importante ainda curar a
negatividade. Quanto mais nos libertarmos de emoções, pensamentos e sentimentos
negativos acumulados, menor será a nossa
atracção por notícias negativas ou qualquer coisa que sirva para alimentar o
sofrimento.
Será isso que pretendem os governos? É claro que não, e por isso nomeiam
gestores que dêem continuidade a todas as sombras televisivas e jornalísticas
ou radiofónicas.
Sinto uma forte consideração pelos jornalistas, lamentando que devam
sujeitar-se a essa espécie de censura interna, pois como seres humanos
pretendem também guardar os seus postos de trabalho, seu ganha-pão.

Sem comentários:
Enviar um comentário