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quarta-feira, 13 de março de 2013

Governo limita juros do crédito ao consumo a 27,5%


Juros de mora limitados a 3% e comissões mais baixas por atraso nas prestações.
Os bancos ficam obrigados a enviar um extracto periódico aos clientes com créditos de consumo 

O Governo aprovou esta quarta-feira novas medidas de apoio a famílias endividadas, que impõem um limite de 27,5% nos juros do crédito ao consumo, cartões de crédito e descobertos bancários, pondo fim à escalada de juros que no final de 2012 se aproximaram dos 40%.
O Conselho de Ministros deu luz verde a um conjunto de medidas de apoio ao consumidor endividado, atacando uma das fontes de endividamento das famílias, a dos créditos ao consumo, com taxas elevadas, ou mesmo "usuárias", nas palavras do secretário de Estado Adjunto da Economia, Almeida Henriques.
Através de uma alteração legislativa (ao Decreto-Lei n.º 133/2009), que regula e disciplina a definição das taxas de cartões de crédito e créditos pessoais, o Governo determina que, a partir de 1 de Julho, a Taxa Anual de Encargos Global (TAEG) passa a ter uma nova fórmula de cálculo e também um tecto máximo de 27,5%.
A medida vai aplicar-se a todos os segmentos de crédito ao consumo: cartões de crédito, crédito pessoal (com ou sem finalidades específicas: educação, saúde, artigos para o lar, férias, ou sem finalidade) e crédito automóvel.
Por outro lado, o Governo deliberou também aplicar estas mesmas limitações às chamadas “facilidades de descoberto” (com obrigação de reembolso no prazo de um mês) nas chamadas “contas ordenado” e às “ultrapassagens de crédito” na generalidade das contas à ordem.
A definição das taxas de juro aplicadas a este tipo de crédito encontrava-se numa situação de relativo vazio legal. As taxas passam agora a estar incluídas e limitadas nas regras dos créditos ao consumo, aplicando-se-lhe a TAEG máxima de 27,5%.
Almeida Henriques explicou que esta medida pretende ser um travão a uma escalada das taxas de juro no mercado português para níveis excessivos, como os que atingiu em finais de 2012 ao atingiram os 37,4%, com uma tendência para subir.
A criação de um tecto máximo da TAEG resulta da transposição da Diretiva da Comissão Europeia n.º 2011/90/UE.
A partir de agora, os bancos ficam ainda obrigados a enviar um extracto periódico aos clientes com créditos de consumo, à semelhança do que sucede com o crédito de habitação.
Esta informação periódica contribuirá para uma melhor gestão deste crédito, ajudando a prevenir o endividamento dos consumidores.
O Governo aprovou ainda um novo regime para os juros de mora (por atrasos no pagamento das prestações dos empréstimos). O anterior regime datava de 1978 e encontrava-se manifestamente desajustado da realidade actual, onde têm prevalecido práticas arbitrárias em relação a juros e aplicação de comissões muito penalizadoras para as famílias e as empresas que se encontram em situação de incumprimento.
O novo regime, entre outros aspectos, limita fortemente a cobrança de comissões bancárias por incumprimento. Admite-se apenas a cobrança de uma única comissão bancária por cada prestação vencida e não paga, em vez das actuais comissões sucessivas (que muito pesavam sobre os incumpridores chegando a ultrapassar muitas vezes o valor da prestação mensal).
As comissões bancárias passam a estar limitadas a 4% do valor da prestação mensal, anteriormente objecto de práticas discricionárias, estando ainda balizadas a um valor mínimo de 12 euros e a um máximo de 150 euros.
O limite máximo da taxa anual de juros moratórios é revisto, passando a ser fixado para todas as instituições de crédito nos 3% por oposição às actuais práticas arbitrárias que traduziam taxas muito variáveis.
Este pacote do Governo surge na sequência de outras medidas tomadas em 2012, com destaque para a criação de mecanismos legais obrigatórios de protecção dos clientes endividados, a revisão e operacionalização do regime dos serviços mínimos bancários (a 5 euros por ano), entre outras.
 
=Público=

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