Não se trata de maldizer a vida.
O romance e o cinema, queiramos ou não, fazem parte da
nossa vida. Se oferecem riscos aos quais os cidadãos dificilmente escapam, não
neguemos que nos podem dar incomparáveis alegrias, fornecer à nossa curiosidade
elementos de valor e introduzir-nos em toda a estética que erraríamos em
desprezar.
Não nos situamos como detractores sistemáticos de todo um aspecto da vida, ao qual, aliás, não poderíamos escapar totalmente.
Reconhecemos, em consequência, que há romances que serão
lidos com grande proveito e filmes que seria lamentável não ver.
Confesso, por outro lado, que a cidadania, grandes
amantes de imagens, correm maior perigo do que geralmente se supõe, se, nessa
ordem de ideias, não são orientados, nem fiscalizados.
Quantos políticos se espantariam se vissem, na mesa de
trabalho dos cidadãos comuns, fotografias licenciosas, e que autorizam, ou pelo
menos toleram, que eles as contemplem às dezenas de milhares – e ainda mais –
no ecrã do computador, ou numa tela.
Quantos deles censurariam os cidadãos com veemência, se
soubessem que se comprazem com assuntos obscenos, e eu durante horas, entretido
com um romancista, cujos assuntos não valem mais!
Mas não é dessas consequências que quero falar aqui.
Todos conhecem o perigo de um mau livro ou de um filme
ignóbil.
É um dos vícios secretos da juventude, sobretudo das
grandes aglomerações, essa obsessão pela imagem, trate-se de descrições
escritas ou de cenas filmadas.
Os adultos conscientes da sua missão e que cuidam da
preservação intelectual, moral e religiosa da cidadania, sabem muito bem o que
devem pensar disso.
A intenção, neste capítulo, não é dizer quando e porquê
um romance ou um filme são bons, nem em que medida é preciso aconselhá-los ou
autorizá-los.
O problema – o caso difícil – que desejaria tratar é muito menos moral que, propriamente psicológico.
É certo que não poucos adolescentes, seres por definição
em estado de crise, e mesmo de transe, não fazem senão aumentar o seu
desequilíbrio pelo abuso da imagem.
Em que medida a literatura e o espectáculo filmado os
atingem na sua formação, e que fazer, praticvamente, para limitar os danos?
Será que existem políticos – e hoje tudo é política –
capazes de darem uma opinião séria sobre semelhante assunto? Olhem que não será
nada fácil, previno-os.

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