




Dizem que “o projecto pode ser elaborado, esmerado, afinado com economistas profissionais que, enriquecidos com estas linhas de força, prepararão as economias alternativas em que as finalidades serão o trabalho humanizado, a produção regularizada, as riquezas melhor distribuídas pela nação e por entre as nações de um bloco ou, até, de um hemisfério ao outro, em que o alojamento será um direito para todos, o consumo uma possibilidade oferecida indistintamente, tanto às classes desfavorecidas como às outras.
Para tal é preciso submeter a economia a um princípio dionisíaco e fazer
dela uma técnica que celebre as pulsões da vida, o que permitiria uma
redefinição da economia libidinal desejada por Lyotard.
Deixar de celebrar o ideal ascético e as pulsões de morte, de submeter o
político e o histórico à tirania de uma economia funcionando no único intuito
de aumentar o empobrecimento e de possibilitar a riqueza de ricos graças a uma
maior pobreza dos pobres.
Eis com que fornecer matéria para transvaloração.
O reencantamento do mundo só se poderá fazer procurando o fim de um
economismo celebrado sob a forma de religião, entendido, hoje, como o único
laço social possível.
A submissão da economia à lei do político é uma necessidade vital.
Enquanto durar o inverso, a lei do mercado triunfará, sozinha, sem
contrapartida e, projectada na direcção do abismo, conheceremos as corridas
desenfreadas rumo a mais morte, sofrimento e dor.
Tanatos foi eleito Deus tutelar do capitalismo desabrido. A sua sombra e a
sua cruz, a sua divindade fetiche, são as causas do holocausto e dos
sacrifícios quotidianos que lhe são oferecidos.
Portugal, se se mantiver no rumo em que se encontra actualmente, jamais
voltará a ser o mesmo, e os portugueses continuarão na senda da miséria, da
fome, da morte prematura, da demência e da senilidade precoces.




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