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domingo, 3 de março de 2013

«A MISÉRIA EM PORTUGAL»

















































































































Dizem que “o projecto pode ser elaborado, esmerado, afinado com economistas profissionais que, enriquecidos com estas linhas de força, prepararão as economias alternativas em que as finalidades serão o trabalho humanizado, a produção regularizada, as riquezas melhor distribuídas pela nação e por entre as nações de um bloco ou, até, de um hemisfério ao outro, em que o alojamento será um direito para todos, o consumo uma possibilidade oferecida indistintamente, tanto às classes desfavorecidas como às outras.

Para tal é preciso submeter a economia a um princípio dionisíaco e fazer dela uma técnica que celebre as pulsões da vida, o que permitiria uma redefinição da economia libidinal desejada por Lyotard.

Deixar de celebrar o ideal ascético e as pulsões de morte, de submeter o político e o histórico à tirania de uma economia funcionando no único intuito de aumentar o empobrecimento e de possibilitar a riqueza de ricos graças a uma maior pobreza dos pobres.

Eis com que fornecer matéria para transvaloração.

O reencantamento do mundo só se poderá fazer procurando o fim de um economismo celebrado sob a forma de religião, entendido, hoje, como o único laço social possível.

A submissão da economia à lei do político é uma necessidade vital.

Enquanto durar o inverso, a lei do mercado triunfará, sozinha, sem contrapartida e, projectada na direcção do abismo, conheceremos as corridas desenfreadas rumo a mais morte, sofrimento e dor.

Tanatos foi eleito Deus tutelar do capitalismo desabrido. A sua sombra e a sua cruz, a sua divindade fetiche, são as causas do holocausto e dos sacrifícios quotidianos que lhe são oferecidos.

Portugal, se se mantiver no rumo em que se encontra actualmente, jamais voltará a ser o mesmo, e os portugueses continuarão na senda da miséria, da fome, da morte prematura, da demência e da senilidade precoces.

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