Muito francamente, não
pude ainda compreender o que realmente move o actual Partido Socialista, se é
que o é efectivamente, dando todavia a entender que se trata de um partido
amorfo e a necessitar de receber umas boas transfusões de sangue na guelra.
Assistindo às
manifestações de ontem, pude ver claramente muitos militantes do PS, que
desfilavam descontentes no turbilhão de pessoas que acorreram ao chamamento de
interessados numa mudança drástica das políticas no nosso querido Portugal.
Tinha aqui dito, fazendo
alusão a uma canção de José Jorge Letria, que “Só de Punho Erguido a Canção
Terá Sentido”, e os manifestantes, independentes ou não, souberam erguer os
braços e fechar os punhos enquanto entoavam “Grândola Vila Morena”.
Tive a ocasião de ver e
ouvir Carlos Galamba, deputado irreverente do PS na AR, como pude ver gentes de
outros partidos de esquerda – ou de direita e arrependidos de terem votado na
actual maioria parlamentar – que sustenta um governo um tanto acéfalo, que se
preocupa apenas em aplicar sempre mais medidas de austeridade num país e a um
povo martirizados.
Não se pode compreender,
pois, que o PS, partido que milita na oposição, embora não tenha defendido a
abstenção à manifestação nacional, não incentivou a comparência dos seus
militantes e apoiantes, ficando-se nas encolhas, sem dizer se afinal está ou
não de acordo com as actuais políticas praticadas em Portugal.
Porque isso de apresentar
cinco medidas para melhorar a situação de todos os portugueses que, como se
sabe, é mais que precária e brada aos Céus justiça divina, já que a humana não
funciona como seria desejável funcionasse.
Ficamos sem saber,
portanto, de que lado está o PS e se está apenas interessado na corrida ao
poder, para depois vir com a treta do costume, “a pesada herança recebida do
anterior governo”, mantendo o mesmo status quo, se bem que um pouco aligeirado,
como convém, mas não podendo aligeirar tanto quanto desejariam, devido à dita
herança.
O que é certo é que
andamos nisto desde o 25 de Abril de 1974. Herança do fascismo, depois herança do
soarismo, depoir herança do carneirismo ou do balsemanismo, depois a do
cavaquismo, depois ainda ao do guterrismo, do santanismo e agora do socratismo,
pulando de herança em herança, cada qual a pior, enquanto os mesmos de sempre
enriquecem à custa não das heranças, mas das práticas de corrupção e
escandalosos roubos ao povo português, que se vê obrigado a suportar mil e uma
peripécias maldosas e de má fé, acenando-nos a todos com a bandeira de uma
crise bem fabricada.
O PS foi concebido para
ocupar um espaço na política, situado entre o chamado centro e a esquerda dita
mais à esquerda, um espaço que deveria poder ser preenchido por todos aqueles
que preferem os ideais realmente socialistas, marxistas ou nem por isso, mas
lutando sempre pelo respeito da cidadania nacional e dos valores inscritos na “Magna
Carta dos Direitos Humanos”, à qual praticamente já ninguém liga, bastando
ver-se e sentir-se os efeitos das péssimas políticas levadas a cabo por um
governo mais que catastrófico, e com um PS que se furta quase sempre a aprovar
propostas dos restantes partidos de esquerda na Assembleia da República.
Um partido político tem
de, forçosamente, traçar linhas políticas muito suas, e saber dizer não ou
basta às ruinosas práticas que têm sido levadas a cabo pela actual maioria que
forma o actual governo, esse verdadeiro desastre nacional.
Ninguém deve renegar as
suas origens..!!!

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