O
director do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular do Porto (Ipatimup)
disse hoje que “a frágil formação superior dos políticos” e os cortes
financeiros impostos pela troika são um “cocktailperigoso” para a investigação nacional.
Sobrinho Simões diz que tanto PS como PSD
"vivem muito um universo fechado, pouco sensível à investigação e produção
científica"
“Se continuarem a cair sobre nós os cortes do Estado, a
instituição pode estar em perigo. O Governo faz cortes cegos e acéfalos a toda
a gente, sem avaliação. Isto é mortal”, sublinhou Sobrinho Simões. O
responsável falava sobre a anunciada redução de 25,2% nas transferências do
Estado para o instituto criado há 24 anos, que em 2012 teve o “melhor ano da
sua vida”.
“Os nossos políticos têm um problema. Muitos deles tem uma
formação superior muito frágil e não se apercebem do valor do ensino superior e
da investigação. São vítimas da sua própria fraqueza. Por outro lado temos os
ciclos eleitorais e, se juntarmos a isto a troika, temos um cocktail perigoso”, afirmou Sobrinho
Simões. Acresce que, para o investigador, “psicologicamente esta é uma mensagem
errada”.
“O
Estado pensa que pode haver ensino superior e investigação sem instituições.
Não pode. Há uma ideologia, que não sei se é propositada ou se é incapacidade
ou incompetência, de que é possível os génios florescerem em qualquer sítio,
mesmo que não haja condições. Não há”, sublinhou. “Não é preciso fazer um
mestrado para perceber isto”, ironizou. O director do Ipatimup alerta que a
“incompetência” e a “pouca sensibilidade” é transversal aos dois partidos que
alternam no poder.
“Não
posso estar a preparar pessoas para responder ao ciclo eleitoral do PSD ou do
PS. Nesse aspecto são os dois muito parecidos: vivem muito um universo fechado,
pouco sensível à investigação e produção científica, porque a única preocupação
é assegurar a sua reeleição ou a dos amigos ou dos correligionários”, criticou.
O
que o director esperava do Governo era que “avaliasse as instituições e
seleccionasse as melhores que seriam recompensadas e consolidadas”, ao mesmo
tempo que “fizesse a diminuição de actividade e fecho das piores”.
O
Ipatimup soube recentemente que a verba de 1,2 milhões de euros atribuída em
2012 passaria, “na melhor das hipóteses, para 920 mil euros, ou seja, um sexto
ou um sétimo do orçamento de seis milhões de euros”. “Estamos afogados no nosso
próprio sucesso. No limite não devíamos estar a fazer nenhum doutorado... Pois
se não há possibilidade de eles terem uma solução profissional em Portugal...”,
observou.
Assegurando
que o Ipatimup está “muitíssimo bem”, tanto na parte científica como financeira
(são esperados resultados positivos no fecho das contas de 2012), o responsável
sustenta que “o problema é quanto mais tempo” pode o instituto “continuar bem
se continuar a haver um desinvestimento do Estado nas instituições de ensino
superior e de investigação”. “Temos vindo a emagrecer, mas se continuarmos
neste processo qualquer dia morremos”, avisou.
=Público=

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