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quarta-feira, 13 de março de 2013

«LUTO PELO MEU PAÍS»



É melhor manifestar a dor ou reprimi-la?

Para muitos especialistas, dar livre expressão aos sentimentos é essencial para enfrentar e ultrapassar a dor. Pensam que a repressão das emoções e a atitude de autodomínio podem traduzir-se, posteriormente, em problemas psicológicos.

Na tragédia de Shakespeare, Macbeth, quando Macduff toma conhecimento do assassíno da mulher e dos filhos, uma das personagens aconselha-o: “Dá largas à tua tristeza. A dor que não é manifestada abafa o coração sobrecarregado e despedaça-o.”

Por vezes, as pessoas sentem-se incomodadas com as expressões de dor habituais nos funerais.

Escreve o psiquiatra Colin Murray Parkes: “Existe um ‘padrão de dor’ individual que varia de pessoa para pessoa. Uns choram e soluçam, outros tornam-se apáticos, outros ficam irritáveis; cada pessoa vive de maneira diferente os seus sentimentos.”

É difícil saber o que dizer ou fazer em presença da dor.

Algumas pessoas hesitam em falar da pessoa que morreu (…), e até os médicos sentem dificuldade em lidar com as emoções dos familiares de um doente que morre.

Podem receitar sedativos para atenuar o choque, mas nem sempre estes paliativos são bem recebidos.

Certas expressões ditas com intenção de consolar têm às vezes um efeito contrário: “Hás-de acostumar-te à ideia” ou “Sei o que sentes”, pouco podem significar para uma pessoa que enfrenta o choque de uma perda querida.

Um abraço ou um gesto de carinho podem, por vezes, ajudar mais do que as palavras.

Muitas vezes, o melhor apoio possível é dado pela nossa presença, pelo auxílio nas coisas práticas e, acima de tudo, pela disponibilidade para ouvir as pessoas manifestarem a sua revolta, a sua tristeza ou outros sentimentos profundos, por vezes inesperados e injustos, como, por exemplo, viverem a morte lenta do seu país, às mãos de verdugos insensíveis que se limitam à prática de austeridade, de cortes e mais cortes de salários, de benefícios sociais adquiridos arduamente e à custa de muita luta.

Mostrarmos a nossa tristeza pode também ajudar. Um jovem desempregado, um casal em que ambos os cônjuges ficam sem emprego , os filhos que pedem de comer, de vestir, de uma vida dentro dos parâmetros da dignidade humana, e recebem do governo o mais ruidoso silêncio, ou até uma resposta que traduz toda a arrogância que rege os governantes acéfalos como os actuais em Portugal.

Olho com tristeza, mas também com revolta, é verdade, para o meu país. Que vejo? O horror estampado nos rostos dos cidadãos, e, do outro lado, as faces rosadas e bem tratadas dos políticos dominantes, que preferem alhear-se de como vivem aqueles que levantaram e enalteceram, lutaram pelo seu país, dando a sua contribuição para que pudesse ser autónomo e livre,  que passaram pelas masmorras pidescas, enquanto eles, actuais governantes, se limitavam a viver cobardemente, porque o que dali adviesse, eles seriam simplesmente beneficiados e como sempre, favorecidos.

Por isso luto e sinto-me de luto pelo meu país, não sem aquela dor – e talvez por ela – de saber que o estão a vender a retalho, como gozando aqueles que deram tudo para construir o que eles hoje destroem e colocam nas mãos de amigos ou de estrangeiros, só para fazer valer o seu poder, destrutivo, mas também sentindo o prazer cínico e sádico de fazerem sofrer quem ama verdadeiramente o pequeno rincão de uma nefasta e obsoleta Europa globalizada, que se limita a obedecer a ordens de Frau Merkel, ouvindo de vez em quando certas palavras de alguém que, como eles mentiu ao mundo só para conseguir um bom lugar em Bruxelas, colaborando com um americano que se sentia sedento do sangue iraquiano.

Por ti luto, por ti me visto de luto, querido Portugal!

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