Os
países da UE são “campeões do mundo” a fazer cortes, mas não a pensar medidas
para o crescimento, diz o presidente do Parlamento Europeu.
A Europa gastou milhões de euros para resgatar os bancos, mas,
com a crise e os actuais níveis de desemprego, em particular entre os jovens,
arrisca-se a perder uma geração, considera o presidente do Parlamento Europeu.
Em entrevista à Reuters, o alemão Martin Schulz identifica a
perda de confiança dos cidadãos na capacidade de a União Europeia resolver os
seus problemas como “uma das principais ameaças” da própria UE. “E se a nova
geração perde confiança, penso que é a UE que está verdadeiramente em perigo”,
diz.
Para
Schulz (do partido Social Democrata da Alemanha), se a zona euro encontrou “700
mil milhões de euros para estabilizar o sistema financeiro”, terá de investir
um montante idêntico para “estabilizar” as novas gerações nos países em
dificuldades. “Somos os campeões do mundo dos cortes orçamentais, mas temos
menos ideias quando é preciso estimular o crescimento”.
Desde
o início da crise das dívidas soberanas, com o primeiro resgate financeiro à
Grécia, ao qual se seguiram as intervenções na Irlanda, em Portugal e a
aplicação de planos de ajustamento em Espanha e Itália, a zona euro criou
mecanismos de estabilização financeira e reforçou as regras orçamentais e de
controlo sobre as políticas nacionais.
Na
medida em que a zona euro encontrou volume financeiro para resgatar os países
alvo da especulação financeira, Schulz defende que a Europa deve também
encontrar medidas que promovam o crescimento e o emprego, num quadro recessivo
da economia da moeda única e de aumento do desemprego (11,9% da população
activa dos países da zona euro).
“Grécia,
Espanha e Itália têm, talvez, as gerações mais qualificadas da sua história”.
Os pais investiram na educação dos filhos e “agora, que estão prestes a entrar
no mercado de trabalho, a sociedade diz-lhes: ‘Não há lugar para
vocês’”, critica Schulz. “Estamos a criar uma geração perdida”.
As
declarações do presidente do Parlamento Europeu são conhecidas no mesmo dia em
que o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, alertou para as consequências sociais da crise na Europa.
A
dias de uma cimeira de líderes dedicada à coordenação das políticas económicas,
orçamentais e de emprego, Barroso alerta que a zona euro ainda não saiu da
crise, como diz mostrarem os “níveis inadmissivelmente elevados de desemprego”.
O
presidente do executivo comunitário considera que os esforços de reforma dos
Estados-membros começam “a dar frutos”, mas tal não se reflectiu ainda na
economia real.
=Público=

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