
Talvez um pouco de azia, esse amargo de boca causado pelas manifestações
que se verificaram ontem por todo o país?
Que terão a dizer hoje, amanhã.., aos portugueses? Que deveriam manter-se
calmos e serenos, pois os senhores estão aí para nos tratar da saúde?
Será que o senhor Silva irá quebrar os seus longos silêncios, falar aos
portugueses sem demagogias e sem tabus? Será que vai tomar, enfim, a decisão
que se impõe e que é a demissão, através da dissolução da Assembleia da
República e devolver ao povo o que só ao povo pertence, o direito de escolha de
novos políticos que consigam retirar Portugal do fundo do abismo onde o ainda
governo o colocou?
Será que o senhor Pedro e seus seguidores terão retirado as devidas ilações
e vão, desta vez, tomar a atitude, a única atitude que lhe resta, se queiser
manter um pouco de dignidade, e demitir-se em bloco?
Creio que seria o único caminho que tomaria se fizesse parte de semelhante
grupo de governantes que só o são devido a todas as mentiras proferidas sob a
forma de promessas durante a campanha eleitoral. Sim, caros senhores:
pessoalmente, em vez de inventar cada vez mais medidas de austeridade a aplicar
aos martirizados cidadãos portugueses, e sem medo que me acusassem de cobardia
política, e pela preservação da harmonia social e do bem-estar do povo, demitir-me-ia
e devolveria a palavra ao povo.
Nunca vivi obsecado pelos lugares que ocupei. Nunca me agarrei ao
hipotético poder que tive em alguns deles, nunca tentei forçar a barra, mesmo
se para esses lugares só fui por eleição.
Os senhores têm mentido sistematicamente aos portugueses. Perderam o
direito à legitimidade que as eleições podem conceder a qualquer candidato,
depois eleito que saia dos trilhos e veja apenas medidas draconianas para se
impor e fazer com que o povo se submeta ás suas/vossas únicas vontades.
Ninguém se vende, nem hipoteca quando erra nas suas escolhas. Tudo se
deveu, e os senhores sabem bem disso, às falsas promessas e mentiras feitas e
ditas aos portugueses num momento dif´cil da vida nacional. O que, de modo
algum lhes dá o direito de usurparem o poder, continuando a mentir
sistematicamente ao povo e a tomarem cada vez mais medidas de austeridade, que
têm conduzido o povo à mais profunda miséria de que há memória em Portugal,
neste Portugal em Abril libertado da ditadura.
Não lhes peço que pensem. Pois se soubessem pensar, pelo menos saberiam,
também, que de modo algum podem continuar a brincar com a dignidade de todo o
país e de todo o seu povo. Sim, caros senhores: os senhores nem sequer sabem
pensar. Como poderão saber trabalhar para o bem-estar do país e do seu povo?
Recordo-lhes uma coisa, muito importante; dados os primeiros passos, a
criancinha começa a desenvolver o seu andar, titubeante inicialmente, depois
com mais firmeza nas suas fracas pernitas, depois corre e já não liga ao amparo
até então necessário para se equilibrar.
Assim se sentem os portugueses que no dia de ontem se mostraram na ruas de
Portugal. Amadureceram, cresceram, desenvolveram-se socialmente, souberam
demonstrar-lhes que sabem o que querem, e podem ter a certeza de que os não
querem aos senhores no lugar de governantes, antes talvez como réus e carrascos
que têm sido.
Portanto, retirem-se definitivamente dos lugares que não são capazes de desempenhar as funções em que foram investidos após terem mentido como ceguinhos, pensando e anunciando alarvemente que o povo português é o melhor povo do mundo, só para que se mantivessem submissos à vossa vontade, que pretendem seja única.
Tenham um pouco de vergonha e saiam nem que seja pela porta da garagem,
como têm feito quando nem tudo vos corre pelo melhor que haviam pensado.
Já fizeram demasiado mal aos portugueses, razão pela qual devem deixar
vagos os lugares que ilegitimamente ocupam há demasiado tempo.



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