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sexta-feira, 14 de junho de 2013

«O QUE SOMOS E COMO SOMOS»

Somos, todos nós, feitos de tal maneira, que desejamos estar protegidos contra o risco. Ora, o risco é uma das constantes da acção, visto que esta é uma perpétua escolha.

Para escapar aos azares da acção, procuramos receitas; e porque elas provaram bem, em determinados casos, cremos, ingenuamente, que são sempre infalíveis.

Revoltamo-nos, como que de um embuste, quando constatamos que a vida exige de nós um espírito constantemente em vigília e voltado para a invenção. Tudo recomeça, sem fim, mas de maneira sempre diferente.

Cada caso que solicita  nossa atenção é um caso específico, e tanto pior, par nós e para os outros, se a nossa fraqueza de espírito, o nosso instinto de comodidade nos incitam a tratá-lo como um cso conhecido, classificado, catalogado, etiquetado e pouco susceptível de oferecer qualquer surpresa.

Ora, em pedagogia tudo é surpresa. Tudo é sempre novo, porque jamais h´duas almas exactamente semelhantes. E se é verdade, por exemplo, que todo o homem tem uma inteligência e uma sensibilidade similares, ou mesmo análogas.

Se, por consequência, se quer agir eficazmente e com durável profundidade sobre esses dois homens, será preciso renunciar de uma vez por todas às considerações abstractas e aceitar as dificuldades de análise oferecidas pelo concreto.

Ser´conveniente renunciar, em definitivo aos ficheiros e às fichas, os cartões e aos relatórios, para se lançar deliberadamente na vida, na bela vida toda nova, toda fremente de ardor e sempre renovada.

Será preciso aceitar o risco de inventar sempre uma medicação específica para casos específicos e renunciar, resolutamente, à ideia absurda que um homem, uma criança, um adolescente sobretudo, são entidades ideais, e que basta enunciar alguns princípios teóricos, logicamente deduzidos, para ter sobre eles uma influência definitiva.

Posto isto, é claro que, no fundo, não pode haver senão contrariedades, discussões e exigências entre ambas as partes da pedagogia, isto é, entre aqueles que educam e ensinam e quem detém os cordelinhos da tutela. E, podendo haver – o que de modo algum é o caso actual – por parte do que considero uma alínea (b), ou até (a) nas e das escolas nacionais – os alunos – que devem merecer de todos o máximo respeito e consideração, não é menos verdade que também a pedra basilar de todo o sistema educativo – o professor – deve também, merecer, da parte da tutela, um não menos rigoroso respeito pelo seu trabalho, pela sua dedicação mas também pelos seus direitos enquanto homens e mulheres que dedicam a sua vida á educação e ao ensino dos filhos dos outros.

Um ministro é, no fundo, o quê? Um árbitro ou um juíz? Ou alguém que recebeu e aceitou a incumbência de gerir um sector da vida nacional de acordo com o bem-estar de todos os seus actores, isto é, professores e alunos, mas também com as “comissões de pais” que, em muitos casos, não deveriam poder marcar presença nas reuniões escolares, tal é a sua ignorância e parcialidade.

Ainda há dias se soube que uma professora foi espancada, arrastada para fora da sala de aulas pela mãe de um menina, valendo-lhe a ajuda recebida de colegas, não se ouvindo a voz do ministro a condenar semelhante acto de estupidez, permitindo que partisse levando a filha pela mão, antes da chegada das autoridades. Porque é preciso ver a que ponto de degradação chegaram as nossas escolas, em que os pais e ou familiares de alunos pensam poder fazer tudo quanto lhes apeteça, sem que a justiça imponha penas pesadas  tais actos de violação dos direitos dos professores.


Que fazer em semelhantes condições de trabalho? Porque, minhas amigas e meus amigos, as contínuas perseguições de que têm sido vítimas os professores dão azo a que muitos pensem que não passam de lacaios das suas filhas e filhos dentro da coisa pública, como é e deve ser a escola.

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