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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

«UM CENÁRIO DE MATANÇA»

O Coliseu de Roma foi a maior construção dedicada ao combate gladiatório. Mesmo em ruínas continua a ser um dos mais célebres de todos os edifícios romanos que ainda sobrevivem.

Os combates entre os gladiadores poderão ter-se iniciado como parte dos ritos funerários dos Etruscos, os quais ofereciam um sacrifício humano em honra de um familiar falecido. Em finais do século II a. C., evoluíram para espectáculos públicos em Roma. Os primeiros combates de correram no Fórum.

Foi construído um anfiteatro no Campo de Marte, mas esse foi destruído no grande incêndio de 64. Quando Vespasiano, imperador entre 69 e 79, emergiu vitorioso das guerras civis que se seguiram à morte de Nero, viu a construção de um novo anfiteatro como uma boa forma de ganhar popularidade.

Hoje, constroem-se estádios de futebol que sempre que há jogos enchem de público delirante, haja ou não crise, tenham ou não possibilidades económicas para pagar o bilhete de acesso; geralmente enchem,esgotam mesmo a lotação, pois “já ninguém passa sem o jogo de ver onze homens contra onze, com um lá no meio com um apito na boca e dois que, um de cada lado, têm uma bandeira na mão. O intuito é que entre aqueles onze de cada lado meta uma bola no rectângulo a que chamam baliza, o que desencadeia o delírio geral dos adeptos. Um dos “efes” da famosa triologia, completada com fado e Fátima.

O local escolhido pelo imperador, foi a bacia formada por um lago artificial nos terrenos do palácio de Nero, a Casa Dourada. O edifício foi concebido em grande escala, 190 metros de largura e 50 de altura. Os espectadores assistiam sentados ou de pé em quatro terraços; os de mais alta linhagem ocupavam as filas da frente, havia camarote para a família imperial e um lugar de honra para as seis Virgens Vestais, as veneradas sacerdotisas de Roma. Por trás e por baixo dos assentos havia as escadarias e os corredores.

Tal como existem hoje nos estádios mais modernos e importantes.

A maior parte dos gladiadores eram escravos, mas alguns eram criminosos condenados e prisioneiros de guerra, e outros eram voluntários que esperavam ganhar fama e fortuna.

Eram classificados de acordo com a armadura que envergavam e com o seu estilo de combate. Os reciários usavam uma rede, um tridente e uma adaga; o trácio usava um capacete de abas largas, um escudo pequeno e redondo e uma faca longa e curva chamada sica. Os smanitas e os mirmilões estavam armados com equipamento mais pesado. Outros lutava, de cima de cavalos e de carroças.

Embora a saudação formal dos gladiadores fosse: “Avé César! Os que vão morrer saúdam-te!”, nem todas as contendas terminavam de modo fatal: havia combates que ficavam empatados, e um perdedor intrépido poderia ser poupado.

Alguns sobreviveram até se reformarem e criaram escolas de treino para novos gladiadores. Mas quando os prisioneiros de guerra e criminosos – incluindo os cristãos – eram atirados aos animais selvagens, a intenção era de que todos eles morressem.

Os criminosos eram mortos por outras formas violentas, inclusive ao serem enfiados em túnicas  embebidas em resina e incendiadas.

Um programa de três dias teria combates mistos de gladiadores e caçadas durante dois dias. No terceiro dia, a arena teria uma enchente para a naumachia, a batalha naval com navios verdadeiros; uma dessas encenações no tempo do imperador Cláudio envolveu 19 mil homens. Tal como nos combates e nas caçadas, os espectáculos de água eram também um cenário sangrento.

«A violência sempre atraiu mais violência, e tal como os “gladiadores” também existe hoje, cada vez mais infelizmente, nos estádios de futebol, cuja arquitectura se deva à do Coliseu de Roma”.


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