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terça-feira, 13 de agosto de 2013

«O FEUDALISMO E O NEO-FEUDALISMO»

Vassalos, vilãos e servos: uma hierarquia de poder! O feudalismo, o direito à terra e a privilégios, em troca de obediência a um senhor e de prestação de serviços militares, enraizou-se na Europa na Idade Média. Hoje, embora não assim designado, o mundo vive um neo-feudalismo profundamente enraizado.

No fim do século IX, o sistema de governo do imperador franco Carlos Magno, vagamente baseado no do Império Romano,  desintegrou-se sob pressão dos ataques surpresa dos viquingues, a ocidente, e dos Húngaros, a oriente.

O vazio foi preenchido por uma nova ordem social baseada na propriedade da terra, sistema que veio a ser denominado como feudalismo.

O termo feudalismo foi inventado pelos vitorianos no século IX. Deriva da palavra latina feudum, que significa feudo – um pedaço de terra possuída em troca de certos serviços, muitas vezes militares.

O homem que detinha o feudo era normalmente um nobre ou um cavaleiro, mas o feudalismo era mais que um simples sistema de propriedade de terras.

A obediência pessoal do proprietário do feudo (ou vassalo) tinha similar importância. Esta obrigação de lealdade era expressa pelo juramento de homenagem. Inicialmente, um pedaço de terra era trocado como um símbolo de concessão de terra pelo senhor feudal.

Mais tarde, em 1127, quando o conde Guilherme Clito da Flandres recebeu, pel primeira vez, os seus vassalos, a cerimónia constou de três partes.

Pediu a cada vassalo que confirmasse que queria, sem reservas, tornar-se seu homem; e, depois da resposta “Eu quero”, com as mãos do vassalo apertadas entre as suas, beijavam-se.
O vassalo garantia, então, a sua obediência com as palavras “Eu prometo [que]… serei fiel ao conde Guilherme e que serei inabalável na minha obediência a ele, contra qualquer outra pessoa, de boa fé e sem mentira.”
Finalmente, fazia o seu juramento sobre relíquias sagradas.
Uma cena nas Tapeçarias de Bayeux mostra o conde Harold Godwinson (futuro rei Hrold de Inglaterra), colocado entre relicários colocados no topo do altar, uma mão sobre cada um deles, e fazendo um juramento solene ao duque Guilherme da Normandia.
O feudo não era apenas um concessão de terra: com ele vinham os camponeses que nele viviam e o direito a arrendar parcelas e a criar tribunais onde se realizavam julgamentos.
Isto deu aos senhores feudais grande controlo social, com poder sobre as vidas pessoais dos habitantes, nos seus domínios, tanto na cidade como no campo. Controlavam o casamento e o movimento de servos e podiam aplicar multas a novos rendeiros.
Uma lei inglesa do princípio do século XII determina: “cada senhor deve intimar o seu homem a fim de fazer cumprir as leis na sua parcela; e, se o homem residir no feudo mais distante… ele deve ainda assim comparecer… se o seu senhor o tiver convocado.”
Cada vassalo podia, então, conceder partes do seu feudo a outros homens (ou subvassalos) e estes, por sua vez, podiam fazer concessões aos seus subvassalos ou vilãos.
A Europa feudal pode ser desenhada como uma pirâmide, com estratos de subvassalos, com outros vassalos acima deles e o rei no topo.
Na prática, as coisas não eram tão simples: talvez uma teia da aranha dê um melhor ideia da Europa Ocidental que era abrangida por uma rede (complexa) de obediências, com um homem devendo obediência a vários senhores.
Por vezes, isto levava a lealdades divididas: em 1101 o conde da Flandres torou-se vassalo do Henrique I de Inglaterra e prometeu servi-lo em todos os conflitos, excepto naqueles em que o rei de França, o seu outro senhor, estivesse envolvido.
Em Inglaterra, o feudalismo desapareceu no final da Idade Média. Em França e na Áustria foi abolido no século XVIII e na Rússia em 1861. O sistema feudal japonês, com os seus samurais, o equivalente aos cavaleiros ocidentais, sobreviveu até 1868, quando foi erradicado pelo novo imperador meiji.
Desde então, o termo tem sido aplicado a outras sociedades não europeias que tenham passado por um “período feudal” na sua história, mas em Portugal o feudalismo, ou neo-feudalismo mantém-se, pretendam ou não negá-lo os actuais “senhores”.



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