Vassalos, vilãos e servos: uma hierarquia de
poder! O feudalismo, o direito à terra e a privilégios, em troca de obediência
a um senhor e de prestação de serviços militares, enraizou-se na Europa na
Idade Média. Hoje, embora não assim designado, o mundo vive um neo-feudalismo
profundamente enraizado.
No fim do século IX, o sistema de governo do
imperador franco Carlos Magno, vagamente baseado no do Império Romano, desintegrou-se sob pressão dos ataques
surpresa dos viquingues, a ocidente, e dos Húngaros, a oriente.
O vazio foi preenchido por uma nova ordem
social baseada na propriedade da terra, sistema que veio a ser denominado como
feudalismo.
O termo feudalismo foi inventado pelos
vitorianos no século IX. Deriva da palavra latina feudum, que significa feudo –
um pedaço de terra possuída em troca de certos serviços, muitas vezes
militares.
O homem que detinha o feudo era normalmente
um nobre ou um cavaleiro, mas o feudalismo era mais que um simples sistema de
propriedade de terras.
A obediência pessoal do proprietário do feudo
(ou vassalo) tinha similar importância. Esta obrigação de lealdade era expressa
pelo juramento de homenagem. Inicialmente, um pedaço de terra era trocado como
um símbolo de concessão de terra pelo senhor feudal.
Mais tarde, em 1127, quando o conde Guilherme
Clito da Flandres recebeu, pel primeira vez, os seus vassalos, a cerimónia
constou de três partes.
Pediu a cada vassalo que confirmasse que
queria, sem reservas, tornar-se seu homem; e, depois da resposta “Eu quero”,
com as mãos do vassalo apertadas entre as suas, beijavam-se.
O vassalo
garantia, então, a sua obediência com as palavras “Eu prometo [que]… serei fiel
ao conde Guilherme e que serei inabalável na minha obediência a ele, contra
qualquer outra pessoa, de boa fé e sem mentira.”
Finalmente,
fazia o seu juramento sobre relíquias sagradas.
Uma cena nas
Tapeçarias de Bayeux mostra o conde Harold Godwinson (futuro rei Hrold de
Inglaterra), colocado entre relicários colocados no topo do altar, uma mão
sobre cada um deles, e fazendo um juramento solene ao duque Guilherme da Normandia.
O feudo não
era apenas um concessão de terra: com ele vinham os camponeses que nele viviam
e o direito a arrendar parcelas e a criar tribunais onde se realizavam
julgamentos.
Isto deu aos
senhores feudais grande controlo social, com poder sobre as vidas pessoais dos
habitantes, nos seus domínios, tanto na cidade como no campo. Controlavam o
casamento e o movimento de servos e podiam aplicar multas a novos rendeiros.
Uma lei inglesa
do princípio do século XII determina: “cada senhor deve intimar o seu homem a
fim de fazer cumprir as leis na sua parcela; e, se o homem residir no feudo
mais distante… ele deve ainda assim comparecer… se o seu senhor o tiver
convocado.”
Cada vassalo
podia, então, conceder partes do seu feudo a outros homens (ou subvassalos) e
estes, por sua vez, podiam fazer concessões aos seus subvassalos ou vilãos.
A Europa
feudal pode ser desenhada como uma pirâmide, com estratos de subvassalos, com
outros vassalos acima deles e o rei no topo.
Na prática,
as coisas não eram tão simples: talvez uma teia da aranha dê um melhor ideia da
Europa Ocidental que era abrangida por uma rede (complexa) de obediências, com
um homem devendo obediência a vários senhores.
Por vezes,
isto levava a lealdades divididas: em 1101 o conde da Flandres torou-se vassalo
do Henrique I de Inglaterra e prometeu servi-lo em todos os conflitos, excepto
naqueles em que o rei de França, o seu outro senhor, estivesse envolvido.
Em Inglaterra, o feudalismo desapareceu no final da Idade Média. Em França e na Áustria
foi abolido no século XVIII e na Rússia em 1861. O sistema feudal japonês, com
os seus samurais, o equivalente aos cavaleiros ocidentais, sobreviveu até 1868,
quando foi erradicado pelo novo imperador meiji.
Desde então,
o termo tem sido aplicado a outras sociedades não europeias que tenham passado
por um “período feudal” na sua história, mas em Portugal o feudalismo, ou
neo-feudalismo mantém-se, pretendam ou não negá-lo os actuais “senhores”.

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