“Prezados políticos; tudo bem pesado, a tempo
e em conjunto, que ireis fazer?
Permiti-me dizer-vos que o fundamento
primeiro de toda a acção eficaz não é outro senão o utilizar os meios
apropriados à procura de um fim.
Assim como um cena de furor ou uma atitude de
prostração não adiantam nada, desespero e desânimo são inoperantes.
Por hábito arraigado na vossa massa do
sangue, sois vingativos e com toda a sede da vossa vingança, costumais
lançar-vos ao ataque cego, tendo tudo e todos por alvo, especialmente aqueles
que não sentem qualquer culpa no cartório, os mais pobres, os funcionários, os
que se limitam votar em vós, sem dó nem
piedade, como se fossem eles os culpados de todas as vossas frustrações e a periclitante
situação económica e financeira do país.
Não hesitem! Não tergiversem nem usem de
circunlóquios par nos dar a conhecer a vossa firme disposição a tal respeito.
Quanto mais cedo soubermos o que realmente nos espera, melhor!
Sabem, pelas informações que tomaram e que
suponho “correctas”, para vós elas são sempre correctas desde que consigam os
vossos intentos e que os mais pobres paguem os buracos feitos pelos que vos são
queridos, já que os pobres vos estorvam.
Sabeis também que Fulano ou Sicrano
desempenharam o papel de corruptores. Dizei ao povo que não mais quereis vê-lo
e, com maior razão, dele não mais esperais vê-lo a não ser ir às urnas
depositarem o seu voto. Depois, recomeçai com todo o vosso “ódio contra ele”, espoliai-o
de tudo quanto possa possuir.
Mas, tomai cuidado. Essa providência é
inteiramente negativa e, por isso mesmo, não resolve nada de essencial.
Que as “conversas” que tiverdes com o povo,
através das televisões ou através dos comícios de campanha eleitoral, vos
mostre como realmente vos sentis, tristes e decepcionados, mas determinados a
agir, pelo bem do povo.
Nem gritos, nem imprecações, nem ameaças que,
da mesma forma, não podereis executar. Mas considerai, com ele, o futuro da
Nação!
Apontai-lhe uma possibilidade de reerguimento
e, se o caso for, como é, particularmente grave, de remissão! Tentai, senhores,
fazer do povo vossos companheiros. Não vos limiteis a hostilizá-lo como tendes
feito, e deixai de usar essa do “custe o que custar”, pois o povo merece-vos
mais consideração e respeito.
Portugal está necessitado de um período de
convalescença e de transição. Mas essa convalescença só é possível se forem
exorcizados os velhos fantasmas que pensais ver no seio do nobre povo
português.
Outorgai-lhes, aos cidadãos, tanto maior
confiança quanto mais a merecer, e merece-a e disso tem dado todas as provas
que, todavia, recusais ver e aceitar como reais.
Tendes causado um estado de ruptura e de
equilíbrio, o que de modo algum é indicado, com toda a arrogância e prepotência
que vos acompanha desde que subisteis ao poder, enquanto vos limitais a
culpá-lo de todos os males que afectam o país, sabendo-o, todavia, inocente.
Como podeis, então, querer entrar nas suas
boas graças? Que esperais dele, afinal? Que tudo se submeta e que deixe de se manifestar
nas ruas do país, só par manterdes uma bela imagem pra “alemã ver?”

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