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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

«TUDO BEM PESADO…»

“Prezados políticos; tudo bem pesado, a tempo e em conjunto, que ireis fazer?

Permiti-me dizer-vos que o fundamento primeiro de toda a acção eficaz não é outro senão o utilizar os meios apropriados à procura de um fim.

Assim como um cena de furor ou uma atitude de prostração não adiantam nada, desespero e desânimo são inoperantes.

Por hábito arraigado na vossa massa do sangue, sois vingativos e com toda a sede da vossa vingança, costumais lançar-vos ao ataque cego, tendo tudo e todos por alvo, especialmente aqueles que não sentem qualquer culpa no cartório, os mais pobres, os funcionários, os que se limitam  votar em vós, sem dó nem piedade, como se fossem eles os culpados de todas as vossas frustrações e a periclitante situação económica e financeira do país.

Não hesitem! Não tergiversem nem usem de circunlóquios par nos dar a conhecer a vossa firme disposição a tal respeito. Quanto mais cedo soubermos o que realmente nos espera, melhor!

Sabem, pelas informações que tomaram e que suponho “correctas”, para vós elas são sempre correctas desde que consigam os vossos intentos e que os mais pobres paguem os buracos feitos pelos que vos são queridos, já que os pobres vos estorvam.

Sabeis também que Fulano ou Sicrano desempenharam o papel de corruptores. Dizei ao povo que não mais quereis vê-lo e, com maior razão, dele não mais esperais vê-lo a não ser ir às urnas depositarem o seu voto. Depois, recomeçai com todo o vosso “ódio contra ele”, espoliai-o de tudo quanto possa possuir.

Mas, tomai cuidado. Essa providência é inteiramente negativa e, por isso mesmo, não resolve nada de essencial.

Que as “conversas” que tiverdes com o povo, através das televisões ou através dos comícios de campanha eleitoral, vos mostre como realmente vos sentis, tristes e decepcionados, mas determinados a agir, pelo bem do povo.

Nem gritos, nem imprecações, nem ameaças que, da mesma forma, não podereis executar. Mas considerai, com ele, o futuro da Nação!

Apontai-lhe uma possibilidade de reerguimento e, se o caso for, como é, particularmente grave, de remissão! Tentai, senhores, fazer do povo vossos companheiros. Não vos limiteis a hostilizá-lo como tendes feito, e deixai de usar essa do “custe o que custar”, pois o povo merece-vos mais consideração e respeito.

Portugal está necessitado de um período de convalescença e de transição. Mas essa convalescença só é possível se forem exorcizados os velhos fantasmas que pensais ver no seio do nobre povo português.

Outorgai-lhes, aos cidadãos, tanto maior confiança quanto mais a merecer, e merece-a e disso tem dado todas as provas que, todavia, recusais ver e aceitar como reais.

Tendes causado um estado de ruptura e de equilíbrio, o que de modo algum é indicado, com toda a arrogância e prepotência que vos acompanha desde que subisteis ao poder, enquanto vos limitais a culpá-lo de todos os males que afectam o país, sabendo-o, todavia, inocente.


Como podeis, então, querer entrar nas suas boas graças? Que esperais dele, afinal? Que  tudo se submeta e que deixe de se manifestar nas ruas do país, só par manterdes uma bela imagem pra “alemã ver?”

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