Nem russos nem americanos estavam
suficientemente maduros, ou intelectualmente corrompidos o bastante, para “salvarem”
a Europa ou reabilitarem a sua decadência.
Os alemães, muito mais contaminados, teriam
podido emprestar-lhes uma aparência de duração, uma coloração de futuro.
Mas, imperialistas em nome de um sonho tacanho e de uma ideologia hostil a todos os valores saídos do Renascimento, cumpririam às avessas a sua missão e estragariam tudo definitivamente.
Chamados a governar o continente, a conceder-lhe
uma aparência de força, ainda que por algumas gerações apenas (o século XX
deveria ter sido alemão, no sentido em que o século XVIII foi francês), fizeram
tão mal as coisas que só conseguiram apressar a derrocada.
Não contentes com terem transtornado e
deixado de pernas para o ar o continente, ofereceram-no ainda de presente à
Rússia e à América, pois foi afinal para elas que tão bem souberam guerrear e
cair.
Assim, heróis por conta alheia, autores de um
desordem trágica, falharam na sua tarefa, no seu verdadeiro papel. Depois de
terem meditado e elaborado os temas do mundo moderno, depois de terem produzido
Hegel e Marx, seria seu dever colocarem-se ao serviço de uma ideia universal e
não de uma visão de tribo.
E, porém, até essa visão, por muito grotesca
que fosse, testemunhava em seu favor: pois não revelava que no Ocidente só eles
conservavam alguns restos de frescura e de barbárie e eram ainda susceptíveis
de um grande desígnio ou de uma vigorosa insânia?
Mas, sabemos agora, que já não têm desejo nem
capacidade par se lançarem em novas aventuras, que o seu orgulho, tendo perdido
o viço, se debilita como eles e que, enfim, conquistados pelos encantos do
abandono, hão-de dar também eles o seu modesto contributo para o fracasso
geral.
Tal como é, o Ocidente não subsistirá indefinidamente:
prepara-se para o seu fim, não sem conhecer um período de surpresas…
Pensemos no que se passou entre o século V e
o século X.
Espera-o uma crise grave; desenhar-se-á um
outro estilo, formar-se-ão novos povos.
Por agora, imaginemos o caos; digam o que
disserem, já o vivemos em Portugal, e a maioria já se mostra resignada à
falência total, embora os sindicatos prometam “luta aberta”!
Invocando a História, com a ideia de sucumbir
nela, abdicando em nome do futuro, os membros da maioria sonham, por
necessidade de terem esperança contra si próprios, ver-se arrasados, espezinhados,
“salvos”…
Um sentimento semelhante levou a antiguidade
a esse suicídio que era promessa cristã.
Tudo começará por Portugal, alastrando-se aos
países vizinhos primeiro, depois a todos os outros e a União Europeia perecerá
pois nela existem “filhos e enteados”, não uma verdadeira união.
Aliás, em Portugal já há muito que tudo se
iniciou, e tudo acontece por haver, simplesmente, falta de lideranças sérias e
desinteressadas, que se limitem a servir a Nação, nunca os seus interesses
político-partidários!

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