Assessores
do governante socialista confirmam ter reunido com Joaquim Pais Jorge e também
receberam proposta do Barclays. O Citigroup tinha entregue duas propostas em
2004 que foram recusadas pela AGD.
As
propostas de swaps foram encaminhadas do gabinete de Sócrates para as Finanças
e seria o IGCP a dar parecer negativo
O gabinete de José Sócrates transferiu, em 2005, a decisão sobre
as propostas de swaps para o Ministério das Finanças, sem as
chumbar ou aprovar. O não definitivo do executivo da altura apenas surgiu com o
parecer muito negativo do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP).
De acordo
com os documentos disponibilizados nesta quinta-feira pelo actual Governo,
entre o momento em que o Citigroup apresentou a sua proposta deswap aos assessores económicos de
José Sócrates, a 1 de Julho de 2005, e até ao seu definitivo arquivamento pelo
Governo decorreram quase seis meses.
Mas a mesma instituição financeira
tinha já apresentado outras duas propostas praticamente iguais em 2004, quando
o Governo era liderado pelo social-democrata Santana Lopes, e que foram rejeitadas
- desconhece-se se o Governo de Santana Lopes fez alguma denúncia, como o PSD sugeriu na quarta-feira que o Governo PS deveria ter feito,
alegando que estas propostas de swaps podiam "configurar a prática de
actos ilícitos".
"As propostas apresentadas
pelo Citigroup à República, em 1 de Julho de 2005, correspondem, quase
integralmente (há ligeiras nuances no momento da ocorrência dos cash
flows, embora os objectivos e os instrumentos sejam exactamente os
mesmos), às que tinham sido apresentadas a 13 de Agosto e a 27 de Setembro de
2004 e que tinham tido parecer negativo por parte da AGD [Área de Gestão da Dívida]
por não se enquadrarem nas Normas de Procedimentos para a contratação de
derivados financeiros em vigor no IGCP", lê-se numa nota de rodapé do
documento de análise das propostas de 2005 elaborado pelo IGCP.
Uma semana antes da proposta do
Citigroup de 1 de Julho de 2005, tinha sido também apresentada uma ideia com as
mesmas características (de reduzir o défice no curto prazo, penalizando as
contas públicas no futuro) da autoria do Barclays Capital.
Depois de receberem estas duas
propostas, os membros da assessoria económica do gabinete do primeiro-ministro,
Óscar Gaspar e Vitor Escária, escrevem, já a 29 de Julho daquele ano, uma nota
em que aconselham o envio das sugestões dos bancos internacionais para as
Finanças. “Pela relevância que poderá ter julgo que a documentação deveria ser
enviada ao Ministério das Finanças”, afirma-se na carta dirigida
ao chefe de gabinete de Sócrates, Luís Patrão.
Nela, é ainda dito que “são
operações que não configuram medidas extraordinárias [que tinham sido recusadas
pelo Governo] e que se inserem nas estratégias normais de redução do risco e
melhoria da performance da gestão da dívida pública, sendo executadas com
regularidade pelo IGCP”. O chefe de gabinete de José Sócrates, Luís Patrão,
concordou com o teor da nota e enviou as propostas ao ministro das Finanças.
Teixeira dos Santos, a 9 de Agosto
de 2005, recebe-as, declara as propostas “com interesse” e encaminha-as para
Carlos Costa Pina, secretário de Estado do Tesouro, que dois dias depois as
envia para o IGCP.
A entidade que tem a
responsabilidade de gerir a dívida pública portuguesa prepara então um parecer
aprofundado sobre as duas propostas, que é remetido, com uma carta de
Franquelim Alves, então presidente do IGCP, para Carlos Costa Pina.
O parecer é
bastante crítico das propostas. “A contratação destas operações violaria os
princípios de gestão de dívida pública estabelecidos”, afirma, defendendo por
isso “não serem operações aconselháveis”. “Ainda que com características
diferentes, ambas as operações têm implícito a obtenção de um encaixe inicial
tendo por contrapartida uma exposição ao risco de taxa de juro durante trinta
anos e em que o nível de prejuízos potencial pode ser muito elevado”, é
afirmado.
Depois disto, de acordo com os
documentos disponibilizados, o único passo que foi dado aconteceu já no final
daquele ano, a 26 de Dezembro, com o arquivamento assinado por Pedro Wilton,
assessor do secretário de Estado do Tesouro.
Assessores
de Sócrates confirmam presença de Pais Jorge
Óscar Gaspar e Vitor Escária, os dois assessores económicos de Sócrates, emitiram também nesta quinta-feira um comunicado em que confirmam que receberam “representantes do Citigroup, entre os quais o dr. Joaquim Pais Jorge” e que nessas reuniões foram “apresentadas propostas de swaps com impacto no défice e dívida públicas”.
Óscar Gaspar e Vitor Escária, os dois assessores económicos de Sócrates, emitiram também nesta quinta-feira um comunicado em que confirmam que receberam “representantes do Citigroup, entre os quais o dr. Joaquim Pais Jorge” e que nessas reuniões foram “apresentadas propostas de swaps com impacto no défice e dívida públicas”.
As apresentações recebidas – e que
têm alimentado a polémica nos últimos dias – “foram encaminhadas para
conhecimento e apreciação” do Ministério das Finanças e ficou arquivada uma
cópia no gabinete do primeiro-ministro, descrevem os assessores Vitor Escária e
Óscar Gaspar. Que asseguram também que o reencaminhamento que fizeram das
apresentações seguiu “sem nenhum tipo de recomendação”.
Os ex-assessores quiseram marcar o
afastamento de José Sócrates em relação ao assunto, afirmando que “estas ideias
nunca foram sequer levadas ao conhecimento do primeiro-ministro”. “O Governo
nunca executou nenhuma destas operações [do Citigroup e do Barclays]”,
asseguram ainda na nota que enviaram às redacções.
=Público=

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