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sexta-feira, 19 de julho de 2013

«O SILÊNCIO»

Dizer idiotices, nos dias que correm em que todos dizem reflectir profundamente, é o único meio de provar que temos um pensamento livre e independente.

O silêncio guardado pelos políticos em momentos delicados para a vida da cidadania nacional, não passa de uma ficção que tem por fim a mistificação das realidades que se vivem no país.

Com todo esse silêncio – que de estrondoso faz doer os tímpanos – tentam apresentar-nos um mundo que é ao mesmo tempo estranho e familiar, uma vez que já ninguém consegue enganar seja quem for, tentando, todavia e por razões bem conhecidas, apresentar-nos uma parte do planeta que se torna inabitável a cada dia que passa, a não ser para alguns que se limitam a gerir favoravelmente as suas vastas fortunas.

Vive-se um tempo irreal, parte experiência e parte narrativa ficcional, traçando rasgos que a nossa civilização deixa para trás, numa inversão da história, como se tivessemos regressado à Idade Média, ao feudalismo e ao fascismo ao mesmo tempo.

De entre todas essas “esculturas, slides e pinturas” que nos apresentam diariamente, sempre novas e velhas ao mesmo tempo, tentam mostrar-nos a estática sublime actual, desenho no espectáculo de desastres sociais e ambientais e todo esse colapso económico, flagelo do início do século XXI em Portugal, que trouxe consigo todo o desemprego que tanto aflige a sociedade.

Dentro da tradição do género paisagem vvista a partir de uma perspectiva mais que velha, certos grupos tentam, a todo o custo e dizendo-se antagónicos, pretendem fazer-nos ver vantagens onde só existem desastres activos que se prolongam desde há anos, que usam todos os dias, assim como guardam os resíduos para criar – dizem!

Trabalhar hoje em Portugal tornou-se um luxo digno de apenas alguns no seu país natal, que começa a mais parecer um deserto urbano completo, onde as pessoas são expostas como “fósseis” da nossa sociedade de consumo.

Enchem a boca com a palavra “Povo” que, para eles, pouco mais significa que toda uma população que apenas sobrevive e assim vai vegetando quotidianamente, povo que sofre as inclemências causadas pela desfaçatez e desprezo com que é tratado, pois todos esses grupos se limitam a adorar o “deus” capitalismo, roubando ao povo o que lhe pertence.

Depois, se instados pelos incansáveis perguntadores – os jornalistas – sobre o que se vai passar a seguir, sorridentes, limitam-se a “explicar” que ainda é cedo para poderem responder correcta e cabalmente às suas perguntas.

Convém-lhes que se mantenha esse miserável silêncio vil, uma vez que de modo algum lhes convém “alertar a caça”, uma vez que para eles as ruas das cidades do país são mais belas desertas e sem esses clamores dos que sofrem devido aos roubos de que foram vítimas.

E, como se nada fosse, continuam a gastar o que tanta falta faz ao povo seja em viagens ou como entendem, enquanto afirmam estar a tratar da “salvação nacional” em conversas da treta, que visam apenas dar ainda maior protecção aos capitalistas e aos partidos do auto-designado “arco da governança”.

Mas, hipocritamente, continuam a fazer afirmações  sobre a soberania do povo, a quem preferem ignorar totalmente.


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