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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

«SEPARAÇÃO “DAS ÁGUAS”»

Apesar de ter tentado fazer um exame de consciência, e me perguntar sinceramente porquê?, a “experiência” social foi praticamente negligenciada, quais foram os prejuízos para a cidadania que vai sofrer mais cortes nas suas pensões, para, no futuro não incidirem em mais erros – e no presente evitá-los a todo o custo.

O problema, certamente, é difícil e, todavia, de urgência tal que não poderia deixar de discutir corajosamente tudo quanto se preparam, novamente, para nos roubar.

Na verdade, todos nós temos errado. Estamos num impasse. Muitas coisas que temos querido ver se têm passado, muitas reivindicações que não desejam entender têm sido feitas, muitos conselhos nos têm sido prodigalizados – vindos das mais altas autoridades políticas nacionais – e não nos têm atingido, a não ser negativamente.

Ficamos, pois, a saber que, “políticos, funcionários da Caixa Geral de Depósitos e outros”, ficarão isentos de cortes nas suas pensões que, comparadas com as da maioria, são milionárias. Douradas, como eles dizem…

Tenhamos a honestidade de nos acusar a nós mesmos, bem como a sociedade que temos deixado construir.

Há muitas mãos que se estendem e que só poderemos pegar se nos recusarmos a continuar coniventes com os nossos velhos instintos individualistas e a trair os nossos mais autênticos deveres de homens e cristãos.

Pergunto para o ar, sabendo que nenhum deles responderá sincera e adequadamente, pois nem pode nem deve, devendo-nos a todos, todavia, as mais amplas explicações, “tim-tim por tim-tim” e de forma que não deixe quaisquer dúvidas da “sua veracidade”, que esteja inscrita na Constituição deste país que diferencie os funcionários da CGD e os políticos dos demais cidadãos.

Inicialmente, e aí está o vício capital da nossa política burguesa, temos insistido em formar, não homens que se completam uns aos outros, e que por isso mesmo se aperfeiçoam, mas, de cada um deles, temos feito um superindividualista, com seu valor próprio, considerado em si mesmo e por si mesmo.

Em suma, temos feito ou contribuído para fazer egoístas e corruptos que se limitam a construir sempre mais elites e colocado de lado todos aqueles que, segundo eles, e outros, podem sempre pagar mais para que eles mantenham os seus privilégios.

É verdade que, nas famílias, nas escolas e por toda a parte se dizia às crianças: “Tornai-vos homens”, subentendendo quase sempre, em virtude de uma aberração monstruosa: “torna-te, sê um homem por ti mesmo”. Falávamos-lhes, implicitamente,  da sua carreira, do seu futuro, do seu valor, das suas possibilidades de acção, do seu êxito pessoal.

Um homem, para nós, no mais das vezes era alguém que abria o seu caminho, traçava o seu rumo, administrava os seus bens, aumentava o volume dos seus negócios. Eis, pois e actualmente, o fruto das nossas obras e palavras!

Ao contrário do que muito facilmente acreditam aqueles que o criticam, o burgês não é, absolutamente, mais que um ávaro ou um preguiçoso,um boa-vida que desde cedo decide não trabalhar, dedicar-se à ”nobre arte da política” – segundo ele próprio servir o país, servindo-se enquanto colabora nos roubos cometidos n pessoa do povo, “trabalhando” apenas par si e para o pequeno grupo restrito círculo de familiares que o tocam de bem perto. Ah, e dos amigos também!


Face a tudo quanto se passa, lá vamos ter de voltar a incomodar os excelentíssimos juízes do Tribunal Constitucional, as Centrais Sindicais convocarem os trabalhadores organizando mais manifestações, uma vez que esses senhores que detêm o poder decisório decidiram, uma vez mais, descaradamente provocar-nos e dividir ainda mais a sociedade nacional.

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