Apesar de ter tentado fazer um exame de
consciência, e me perguntar sinceramente porquê?, a “experiência” social foi
praticamente negligenciada, quais foram os prejuízos para a cidadania que vai
sofrer mais cortes nas suas pensões, para, no futuro não incidirem em mais
erros – e no presente evitá-los a todo o custo.
O problema, certamente, é difícil e, todavia,
de urgência tal que não poderia deixar de discutir corajosamente tudo quanto se
preparam, novamente, para nos roubar.
Na verdade, todos nós temos errado. Estamos
num impasse. Muitas coisas que temos querido ver se têm passado, muitas
reivindicações que não desejam entender têm sido feitas, muitos conselhos nos
têm sido prodigalizados – vindos das mais altas autoridades políticas
nacionais – e não nos têm atingido, a não ser negativamente.
Ficamos, pois, a saber que, “políticos,
funcionários da Caixa Geral de Depósitos e outros”, ficarão isentos de cortes
nas suas pensões que, comparadas com as da maioria, são milionárias. Douradas, como
eles dizem…
Tenhamos a honestidade de nos acusar a nós
mesmos, bem como a sociedade que temos deixado construir.
Há muitas mãos que se estendem e que só
poderemos pegar se nos recusarmos a continuar coniventes com os nossos velhos
instintos individualistas e a trair os nossos mais autênticos deveres de homens
e cristãos.
Pergunto para o ar, sabendo que nenhum deles
responderá sincera e adequadamente, pois nem pode nem deve, devendo-nos a
todos, todavia, as mais amplas explicações, “tim-tim por tim-tim” e de forma
que não deixe quaisquer dúvidas da “sua veracidade”, que esteja inscrita na
Constituição deste país que diferencie os funcionários da CGD e os políticos
dos demais cidadãos.
Inicialmente, e aí está o vício capital da
nossa política burguesa, temos insistido em formar, não homens que se completam
uns aos outros, e que por isso mesmo se aperfeiçoam, mas, de cada um deles,
temos feito um superindividualista, com seu valor próprio, considerado em si
mesmo e por si mesmo.
Em suma, temos feito ou contribuído para
fazer egoístas e corruptos que se limitam a construir sempre mais elites e
colocado de lado todos aqueles que, segundo eles, e outros, podem sempre pagar
mais para que eles mantenham os seus privilégios.
É verdade que, nas famílias, nas escolas e
por toda a parte se dizia às crianças: “Tornai-vos homens”, subentendendo quase
sempre, em virtude de uma aberração monstruosa: “torna-te, sê um homem por ti
mesmo”. Falávamos-lhes, implicitamente,
da sua carreira, do seu futuro, do seu valor, das suas possibilidades de
acção, do seu êxito pessoal.
Um homem, para nós, no mais das vezes era
alguém que abria o seu caminho, traçava o seu rumo, administrava os seus bens,
aumentava o volume dos seus negócios. Eis, pois e actualmente, o fruto das
nossas obras e palavras!
Ao contrário do que muito facilmente
acreditam aqueles que o criticam, o burgês não é, absolutamente, mais que um
ávaro ou um preguiçoso,um boa-vida que desde cedo decide não trabalhar,
dedicar-se à ”nobre arte da política” – segundo ele próprio servir o país,
servindo-se enquanto colabora nos roubos cometidos n pessoa do povo, “trabalhando”
apenas par si e para o pequeno grupo restrito círculo de familiares que o tocam
de bem perto. Ah, e dos amigos também!
Face a tudo quanto se passa, lá vamos ter de
voltar a incomodar os excelentíssimos juízes do Tribunal Constitucional, as
Centrais Sindicais convocarem os trabalhadores organizando mais manifestações,
uma vez que esses senhores que detêm o poder decisório decidiram, uma vez mais,
descaradamente provocar-nos e dividir ainda mais a sociedade nacional.

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