Quantos desses senhores, criados com muito
mimo, ao abrigo do esforço que desviriliza, e vivendo ao sabor de uma fantasia,
que nem sempre se pode afirmar seja muito sã.
Sobrevem a primeira tentação: como resistirão
a ela?
E como serão capazes, eles que foram
habituados ao mais abjecto egoísmo, de abnegação, de renúncia, daquela firmeza
moral que é a única muralha contra todas as formas de desonestidade?
Lembro as palavras de Barrès: “São – diz ele –
pequenas almas, escravas frementes da sensação”.
O que lhes faltou foi sobretudo um quadro,que
as teria moldado, a contragosto, impondo-lhes limites e, portanto,
fornecendo-lhes obstáculos.
Mais que ninguém, sou partidário do r, da
luz, da higiene, e até mesmo de uma certa beleza que, longe de aniquilar o
esforço da vontade, pelo contrário, o favorece.
Ms sou inimigo do conforto abusivo, que
destrói toda a iniciativa e extingue toda a tensão interior, mesmo em relação ao
prazer.
Há, por exemplo, brinquedos que nunca se
deveriam colocar à disposição dos políticos.
Entre um povo que vê passar os combóios e os
carros que por vezes é preciso empurrar, há, do ponto de vista psicológico, uma
diferença enorme, à qual não se dispensa a devida atenção.
Sentar-se no carro do pai e visitar o Minho
ou o Alentejo é uma escola de preguiça, na qual a maioria deles se “especializa”.
Pedalar por caminhos poeirentos, com quinze
quilos de bagagem, para ver os mesmos lugares, é uma escola de endurecimento
físico e de energia moral, que repudiam.
Tive um colega, cujo pai, um grande
cirurgião, levava uma vida profissional extremamente dura. Poderia pagar, para
si e para o filho, férias sumptuosas nos hoteis de luxo mais caros.
Todavia, escolhia vilegiaturas mais modestas
e hoteis de segunda classe.
Quando alguém da sua roda manifestava
surpresa, respondia que não desejava, de forma nenhuma, habituar os seus filhos
ao conforto excessivo, e sobretudo ao luxo.
Os actuais políticos dominantes, não passam
de uns pedantes raladores do povo, que massacram com cada vez mais cortes para
poderem continuar a usufruir de uma vida luxuosa, como pretendendo fazer a
diferença entre eles e aqueles que ingenuamente lhes dão o seu voto.

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