Por vezes fico admirado com todos esses
políticos “adolescentes e imberbes”, alguns dos quais deixam crescer alguma
barba para parecerem “senhores”, não passando de “informes”, mas que buscam a
sua forma e fama.
Aa sua estrutura mental não está ainda bastante
firme, bastantes estável, bastante hierarquizada, para que se possa esperar
deles outra coisa, senão delineamentos de ideias e esboços de acção.
Mas, pode-se chegar a dar-lhes, pouco a
pouco, aquela rectidão no pensar e no agir que é o apanágio dos homem recto e
correcto, sério e honesto, coerente? Não é menos certo de que é preciso
levá-los a isso progressivamente., pois, tal como são, não poderiam despender o
esforço que se lhes exige, a não ser ao preço de um auto-domínio de que,
geralmente, até o homem feito é capaz.
Por isso, vão aprendendo lentamente todas as
formas de se apoderarem, impunemente, de tudo quanto possa render-lhes bons
dividendos, e mais tarde fazem aprovam “leis” que obrigam os inocentes a pagar
pelos roubos cometidos.
Porque, no fundo, de que se trata? Da
afirmação de uma individualidade nascente que, opondo-se a outrem, se constrói
e se forja a si mesma; esta frase deverá ser multiplicada por vários…
E é isso que nem sempre se compreende, quando
se ouve um desses, ou mais, políticos a divagar. Aliás, esses políticos só
divagam, só dizem “asneiras”, sendo
julgados como fracos de espírito ou por “brincalhões” de mau gosto.
Subitamente, porém, “rebenta ou estoura a
bomba”. Mais um enorme buraco, como aconteceu com e no BPN: monta-se então toda
uma encenação à volta do caso, nacionaliza-se o “banco” para que sejam todos os
cidadãos a pagar os roubos cometidos, o povo, de tanga, desce às ruas clamando
por uma justiça que, também subitamente ficou muda mas que vê perfeitamente e
ouve ainda melhor, mudez de conveniência, pois toda a “fina-flor” da política
nacional dominante se encontra cúmplice.
Surgem então, os vendedores da “banha da
cobra”, sob a forma de “swaps”, querendo vender essas armadilhas aos
governantes – que até são contrários aos altos dignitários que conduziram a
política anteriormente e o fabrico de “ladroeira”, e os que entretanto
enriqueceram à custa dela, afirmam-se perplexos com a situação, criticando a
nacionalização e a obrigatoriedade exigida aos contribuintes de pagarem as
favas.
Depois de alcançados os fins desejados, ou
seja, a demissão do governo, fazem declarações bombásticas e promessas repletas
de falsidade, caindo o povo na esparrela de votar nos novos salvadores da
Pátria, que a afundam cada vez mais, levando consigo os cidadãos mais frágeis,
inventando sempre novos impostos e cortes salarias e das pensões, isentando
deles alguns colaboradores e amigos.
Seguidamente surge uma imprensa falada e
escrita dividida; uma parte que alinha sempre ao lado do infractor, a outra que
tenta manter a aparência do contrário, mas que, dada a contextura actual, acaba
por se denunciar a si própria, mais cedo ou mais tarde, e uma ínfima parte que
se mantém fiel à verdade, convidando para os seus estúdios comentadores
especialistas na coisa, que se limitam a seguir a corrente.
O povo, enfrentando a situação, apresenta-se
como ser autónomo, que tanto se deleita em encontrar-se a si mesmo a receber um
salário ou pensão diminuído, que nem lhe chega para comer e comprar os
medicamentos que toma, vendo-se, entretanto, que os políticos continuam a
gastar à tripa-forra e mantendo as frotas de carros de luxo.
E, uma das necessidades dos políticos
dominantes é querer reduzir tudo a esquemas abstractos. Isolam, para melhor os
compreender, factos que são interdependentes.
No concreto, tudo se relaciona, se encadeia e
se cria. Assim é que, por exemplo, dizer absurdos não é apenas o efeito de uma
operação desprovida de inteligência, mas de prepotência!

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