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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

«PASSEIO PELA MARGEM DO DOURO»

Se jamais provei a formidável doçura de ter “nascido” na cidade dos pensamentos generosos, é passeando pela margem direita onde se ouvem as pedras contar uma  das mais belas aventuras humanas,  história de Portugal antigo e do Portugal moderno.

Desviando-me das canas de pesca pousadas sobre o beiral onde me sento a ver dar banho ´”bicha”, vejo lá em cima o seminário como uma jóia; entre as pontes de D. Luis e de D. Maria, agora também a de S. João, como jóias da cidade que deu o nome a Portugal e que tão maltratada é pelos responsáveis nacionais, quando deveria ser a capital do país onde cada vez é mais nobre e martirizado o seu povo.

Toda a alma de Portugal passa pela marginal, aclamando a liberdade e a Revolução de 1974, com suas caras esculpidas sobre ombros amolecidos e vergados pelo peso da austeridade, de olhos bem abertos e sorridentes, outros mostrando esgares de revolta, exprimindo  revolta da miséria em que vivem.

E, as glórias e os terrores,  falta de esperanças, os ódios e os amores de que são testemunhas durante anos, e mais adiante, a entrada do túnel da Ribeira onde, em esplanadas, se vêm estrangeiros sentados a mesas bem fornecidas, olhando para além da margem, lado de Gaia que, após uma bela refeição, irão visitar as caves de Vinho do Porto e dar um passeio rio acima.

Ms isso é mesmo para não só inglês ver, como outros estrangeiros verem, porque os portugueses, na sua maioria, não podem fazê-lo.

Continuando a caminhar lentamente pela margem do Douro, passo sob o túnel da Ribeira, vendo-me subitamente junto à belíssima Igreja de S. Francisco, no jardim do Infante, hoje esventrado pelo parque de estacionamento, onde se guardam os carros a preços elevados.

Aliás, tudo é caro hoje em Portugal, onde se mente descaradamente ao povo, que se sente roubado nos seus direitos e nos seus salários e pensões.

Mais adiante, a Alfândega, onde se fazem hoje exposições, congressos e outros que tal, e aquelas casas antigas que S. Nicolau nunca abençoou, que mostram no cimo a Sé do Porto e o Palácio Episcopal.

É ali que me sinto melhor. Os trabalhos de gerações, o progresso das idades, a continuidade dum povo, a santidade do trabalho cumprido pelos ancestrais a quem as novas gerações devem as liberdades e estudiosos prazeres.

É ali que me sinto pelo meu país o mais terno e doce amor. É ali que ele me aparece claramente que a missão do Porto foi a de ensinar o mundo.

Nos pavimentos do Porto, que tantas vezes se sublevaram pela justiça e a liberdade, jorraram as verdades que  consolam e libertam.


E reencontro, ali, entre as pedras eloquentes, o sentimento de que o Porto jamais faltará à sua vocação de quem deu e continua a dar o nome ao meu país.

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