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domingo, 11 de agosto de 2013

«O ABSOLUTO… SENHORES»



Quando por toda a parte e “custe o que custar” vós nos opondes “o absoluto”, afectais um arzinho profundo, inacessível, como se vos debatesseis, num mundo longínquo, com uma luz, com trevas que vos pertencem, a vós, senhores de um reino ao qual ninguém, para além de vós, poderá aportar jamais.

Dispensais-nos, a nós, mortais, alguns pedaços das grandes decobertas que aí acabais de efectuar, alguns restos das vossas prospecções.

Mas, nem todos os vossos esforços conseguem que façais mais do que soltar esse pobre vocábulo, fruto das vossas leituras, da vossa douta frivolidade, do vosso nada livresco e das vossas angústias do empréstimo.

O absoluto – todos os nossos esforços se reduzem a minar a sensibilidade que a ele conduz.

A nossa sabedoria – repudia-o; relativista, propõe-nos um equilíbrio, não n eternidade, mas no tempo. O absoluto que evolui, essa heresia de Hegel, tornou-se o nosso dogma, a nossa trágica ortodoxia, a filosofia dos nossos reflexos. Quem pensa poder escapar-lhe dá mostras de jactância ou de cegueira.

Encurralados na aparência, cabe-nos a adopção de uma sabedoria incompleta, mescla de cisma e de arremedo. Se a Índia, para citar de nvo Hegel, representa “o sonho do espírito infinito”, a tendência do nosso intelecto, como a da nossa sensibilidade, obriga-nos a conceber o espírito puro e simples, que não compreende o mundo, mas os momentos do mundo, tempo fragmentado a que só raramente escapamos, quando traímos as nossas aparências.

A esfera da consciência reduz-se na acção; por isso, ninguém que aja pode aspirar ao universal, porque agir é agarrar-se às propriedades do ser em detrimento do ser, a uma forma de realidade em prejuízo da realidade.

O grau da nossa emancipação mede-se pela quantidade das iniciativas de que nos libertamos, bem como pela nossa capacidade de converter em não-objecto todo o objecto.

Mas, nada significa falar de emancipação a propósito de uma humanidade apressada que se esqueceu de que não é possível reconquistar a vida nem gozá-l sem primeiro ser abolido.

Respiramos demasiado depressa para sermos capazes de captar s coisas em si próprias ou de denunciar a sua fragilidade.


E não venhais, senhores, com todo esse paleio de: “os sacrifícios que «pedimos aos portugueses», porque não os pedis, mas imponde-los, causando grandes e graves danos físicos e morais a todo um povo, porque simplesmente sois, no fundo, uns “desalmados” que viveis apenas para provocardes o pior de todos os males sociais, “a miséria e a fome” ao povo e no país que dizeis governar.

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