O antigo Presidente da República Mário Soares insiste na demissão do
Governo e afirma: “Até Salazar o disse no final da II Guerra Mundial: ‘Não se
pode governar contra a vontade persistente de um Povo”. Num artigo de opinião
do Público, o histórico do PS não poupa nas críticas a Cavaco Silva e
sugere-lhe mesmo que “vá a Boliqueime e pergunte ao Povo, que conhece bem, se
não há crise”.
Mário Soares cita Salazar para traduzir a falta de popularidade do
Governo e a emergência da sua demissão. “Até Salazar o disse no final da II
Guerra Mundial: ‘Não se pode governar contra a vontade persistente de um Povo”,
afirmou o antigo chefe de Estado num artigo de opinião do Público.
Referindo-se
ao chumbo de quatro medidas do Orçamento pelo Tribunal Constitucional, o
histórico socialista defende que se trata de “mais um grande sarilho que devia
levar o Governo a demitir-se, como a esmagadora maioria dos portugueses e o
ministro das Finanças parece também querer”.
Para Soares, foi Cavaco Silva, “tão silencioso até sábado último”,
que “resolveu, ao que dizem, ‘obrigá-lo’ a ficar no seu posto. Para continuar,
seguramente, o despesismo que o caracteriza e a fazer asneiras e vendas
desastrosas e a destruir o País”.
O
Presidente “julga que não há crise política”, insiste Mário Soares, sugerindo a
Cavaco que “vá a Boliqueime e pergunte ao Povo, que conhece bem, se não há
crise. (…) Oiça os agricultores e os pescadores. Eles lhe dirão o que pensam
deste Governo”.
Por
outro lado, enquanto o Governo e o chefe de Estado são bombardeados com
críticas, Soares guarda os melhores elogios para o Tribunal Constitucional.
“Felicito, assim, o Tribunal Constitucional, pela corajosa atitude que teve,
não aceitando pressões, fossem quais fossem”, sublinhou o socialista,
acrescentando que “foi um ensinamento para uma Justiça que, frequentemente, não
julga os ricos e poderosos e deixa andar à solta os arguidos desde que tenham
influência política ou sejam milionários”.
N. M.

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